Lucro da Usiminas (USIM5) mais que dobra e ação salta 7%; dólar fraco e ‘mix premium’ turbinam os números do 1T26
Com preços mais altos, custos menores e mix voltado ao setor automotivo, siderurgia puxa Ebitda para R$ 653 milhões, enquanto mineração segue pressionada por volumes menores

Se, pelas leis da física, é preciso muita energia para fazer o aço decolar, na bolsa basta um bom balanço para dar esse empurrão… a Usiminas (USIM5) que o diga. As ações da siderúrgica estão voando nesta sexta-feira (24), após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26), com números acima das expectativas.
Por volta das 13h10, os papeis saltavam 7,07%, a R$ 7,72, na segunda maior alta do Ibovespa. No mesmo horário, o principal índice de ações da bolsa caía 0,50%, aos 190.427,53 pontos.
A companhia viu o lucro líquido mais que dobrar entre janeiro e março deste ano, com avanço de 166% frente ao mesmo intervalo de 2025, a R$ 896 milhões. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado teve um salto de 596%.
Mesmo assim, o grande destaque, na visão do Safra e do Itaú BBA, foi o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que recuou 11% em base anual, mas saltou 56% frente ao trimestre anterior, para R$ 653 milhões.
“Os resultados refletem, além da melhora nos resultados operacionais, o resultado cambial positivo sobre a exposição ativa líquida e um impacto contábil não caixa em impostos diferidos devido também à valorização do real”, afirmou o CFO da companhia, Diego Garcia, em teleconferência de resultados.
O impacto da queda do dólar no trimestre
Este foi o primeiro resultado divulgado da Usiminas com o dólar como moeda funcional, embora os números ainda sejam apresentados em reais.
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Na prática, a mudança faz com que ativos, passivos e custos ligados ao mercado internacional passem a ser contabilizados em dólar e depois convertidos para reais, o que torna o resultado mais sensível às variações do câmbio.
Com a valorização do real no trimestre, esse efeito acabou gerando ganhos contábeis, ajudando a impulsionar o lucro sem impacto direto no caixa.
“A valorização do real gerou um ganho de aproximadamente R$ 110 milhões sobre a exposição ativa líquida da companhia. Houve um impacto contábil positivo de R$ 450 milhões em impostos diferidos, também decorrente da variação cambial”, afirmou Garcia.
Mais destaques do balanço da Usiminas
O fluxo de caixa livre também superou as expectativas, ao atingir R$ 84 milhões no trimestre. A alavancagem medida por dívida líquida/Ebitda em reais ficou negativa em 0,20 vez, ante um múltiplo negativo de 0,22 vez no 4T25, com a dívida líquida passando negativa em R$ 391 milhões.
Já a receita líquida da companhia chegou a R$ 5,87 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 14% ante o mesmo período em 2025. De acordo com a companhia, o desempenho reflete a queda nas unidades de Siderurgia e Mineração.
Além do dólar, o que mais impulsionou os resultados da Usiminas
Do lado operacional, o destaque ficou para a melhora relevante no mix de vendas da siderurgia, com maior peso de produtos voltados ao setor automotivo, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
Assim, mesmo com uma queda de 6,9% no volume total de vendas de aço trimestre a trimestre, a empresa conseguiu elevar a receita líquida por tonelada em cerca de 5% no mercado interno e 9% nas exportações devido à maior concentração de produtos de maior valor agregado para o segmento.
Além do mix mais nobre, a Usiminas conseguiu reajustar preços, com alta de cerca de 4% no mercado doméstico neste primeiro trimestre, ao mesmo tempo em que reduziu o custo por tonelada em 3%, o que ampliou as margens de forma relevante.
Essa combinação foi o que permitiu à Usiminas entregar um resultado acima do esperado, mesmo com a fraqueza em outras frentes.
Do lado negativo, a mineração seguiu pressionada, com queda de cerca de 18% no volume vendido no trimestre frente aos três meses imediatamente anteriores, reflexo do período chuvoso, que prejudicou tanto a produção quanto o escoamento.
Com menos minério sendo vendido, a companhia também teve menor diluição de custos fixos, o que limitou o desempenho da divisão. Ainda assim, o avanço da siderurgia foi suficiente para compensar esse efeito e sustentar os números consolidados.
Perspectivas para o próximo resultado e o impacto da guerra no Oriente Médio
A Usiminas vê um cenário mais complexo daqui por diante, pressionado por fatores externos que fogem ao controle da companhia.
A diretoria aponta a guerra no Irã como o principal “vento de frente”, ao elevar os preços de petróleo e gás natural, o que tende a pressionar a inflação global e retardar o ciclo de queda de juros.
Esse ambiente também deve encarecer a operação: a expectativa é de alta relevante nos custos logísticos, com fretes marítimos mais caros e aumento no transporte interno, puxado pelo diesel.
No entanto, na siderurgia, a leitura é de maior estabilidade. A empresa projeta volumes em linha com o primeiro trimestre, com o segmento automotivo ainda como principal sustentação — a produção nacional de veículos deve crescer cerca de 4% em 2026, mantendo a demanda aquecida por aços de maior valor agregado.
Para proteger a rentabilidade, a Usiminas já implementou novos reajustes de preços em abril, especialmente nos mercados spot (à vista) e de distribuição, buscando compensar a pressão de custos.
Ao mesmo tempo, a companhia deve ajustar sua operação para ganhar eficiência. A estratégia envolve elevar a produção na usina de Ipatinga e reduzir a atividade em Cubatão no curto prazo, diante do encarecimento das placas de terceiros — movimento que reforça o foco em margens em um ambiente ainda desafiador.
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