Menu
2021-05-05T07:03:59-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
As apostas do mercado

As ações favoritas para o mês de maio, segundo 16 corretoras

Depois da operação de guerra montada no ano passado, o setor financeiro mostra que saiu da crise muito melhor do que o esperado e domina as indicações para maio.

5 de maio de 2021
6:04 - atualizado às 7:03
Ação do Mês Selo 2
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Assim que o Santander Brasil divulgou os seus resultados do primeiro trimestre, lá no fim de abril, o meu colega Vinícius Pinheiro, especialista máximo quando o assunto é bancos aqui no Seu Dinheiro, escreveu assim: "Disseram que os bancos estavam na pior. Mas esqueceram de contar para o Santander". Isso porque a operação brasileira do bancão espanhol atingiu o maior lucro já registrado em um único trimestre — R$ 4 bilhões. 

Com a temporada de balanços ganhando força, fica cada vez mais claro que de fato o pior ficou para trás. Nos últimos dias, o Itaú também trouxe resultados acima do esperado. Ontem foi a vez do Bradesco e os investidores olham cada vez mais com os olhos brilhando para o setor financeiro. 

Antes mesmo do coronavírus bater na nossa porta, os "mensageiros do apocalipse" já falavam sobre como a concorrência das novas empresas de tecnologia (fintechs) poderia representar o fim dos bancos tradicionais como os conhecemos. Depois, a desaceleração econômica parecia ter vindo para sacramentar essa realidade. 

O Santander Brasil não figurou entre as principais indicações do mercado neste mês, mas dois dos seus pares sim, mostrando que os fantasmas que ameaçavam assombrar o setor andam ficando para trás — as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) e as do Itaú Unibanco (ITUB4) foram as escolhidas.

A B3 (B3SA3), administradora da bolsa brasileira, tem aparecido cada vez mais por aqui nos últimos meses e fecha a tríade de indicações do setor financeiro. 

Mas o que leva o setor a renascer como uma fênix?

Bom, além do desconto acumulado nos últimos anos nos papéis do setor, o recente aumento da Selic, a manutenção da inadimplência sob controle e uma redução das provisões bilionárias feitas no pior momento da crise devem aumentar os ganhos da margem financeira e da tesouraria.

Além da reversão das provisões e gestões mais enxutas, os bancos também devem ser beneficiados por decisões favoráveis ao setor em projetos relacionados à tributação e taxas de juros que hoje se encontram no Congresso. Juntando isso a uma recuperação econômica mais rápida do que o esperado, os bancos devem em breve retornar a registrar lucros em patamares pré-covid. 

B3 ficou com a medalha de bronze, com três indicações, e o Itaú foi a escolha de quatro casas. Já o Bradesco divide a medalha de ouro com uma velha conhecida - a Vale (VALE3) -, com cinco indicações. Com os investimentos em infraestrutura crescendo rapidamente em todo o mundo e o preço do minério de ferro não mostrando sinais de enfraquecimento, a companhia segue se fortalecendo como uma das empresas mais sólidas da América Latina. 

Além das empresas que compõem o pódio das mais indicadas pelos analistas, vale destacar também as companhias que tiveram mais de duas indicações. É o caso de Iguatemi (IGTA3), Marfrig (MRFG3), Rumo (RAIL3) eBTG Pactual (BPAC11). Confira a tabela completa de indicações:

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro Premium consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são as principais apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.

Bradesco - Melhor do que os melhores

Nos últimos dias, as ações preferenciais e ordinárias da companhia sobem forte na expectativa pelos números do primeiro trimestre - o Bradesco registrou um lucro de R$ 6,5 bilhões no 1º trimestre, uma alta de 73,6% ante ao mesmo período do ano passado. Esse é o retrovisor, mas a perspectiva de futuro também é boa e por isso o ativo foi a escolha de cinco instituições - Banco Santander, Elite Investimentos, CM Capital, Nova Futura e Investmind.

Os analistas acreditam que o Bradesco encontra-se em uma tendência de alta - no curto e no longo prazo -, sendo negociado a múltiplos atrativos e se destacando perante os seus pares.  O anúncio do aumento do programa de recompra e ações só reforça esse ponto. Para a Elite Investimentos, a companhia é a mais preparada dentre os grandes bancos para capturar todo o potencial de melhora do cenário. 

Essa é uma visão também compartilhada com os analistas do Santander. “O Bradesco é a nossa escolha entre os bancos privados, principalmente pelo perfil da sua carteira de crédito e pelo potencial de melhora na eficiência de suas operações. Para o próximo ano, vislumbramos um aumento da carteira acima do mercado e uma relevante redução das despesas operacionais”.

Além disso, os analistas do banco também pontuam que o Bradesco hoje possui a melhor execução potencial em despesas com vendas e administrativas, é o maior pagador de dividendos em 2021 entre os grandes bancos e tem um alto retorno potencial. 

B3 - Faça chuva ou faça sol, ela está ganhando

Termos da moda é o que não faltam no mercado financeiro. Assim como as coleções de outono, inverno, primavera e verão, novos termos - na maior parte das vezes anglicalizados - vivem surgindo e desaparecendo rapidamente nas rodas de conversa da Faria Lima. 

Um que parece que veio para ficar e que ganha cada dia mais força é o “financial deepening” - termo utilizado para caracterizar o crescimento do leque de serviços financeiros oferecidos no país. Tem muita gente pronta para surfar essa onda no Brasil, mas ninguém parece mais pronto que a B3, empresa que tem o monopólio da bolsa brasileira. Um cenário que não deve mudar tão cedo. 

A empresa foi a seleção de três instituições - Órama Investimentos, Planner Corretora e Necton. 

A B3 hoje é a maior bolsa de valores da América Latina em valor de mercado, com uma capitalização de mais de US$ 900 bilhões. São mais de 340 companhias listadas e uma lista de pretendentes que só aumenta. 

Além de investir pesado em novos tipos de produtos, a B3 se favorece da volatilidade que deixa os repórteres de mercado - e investidores - de cabelo em pé (falo por experiência própria). 

Sem concorrentes ou perspectivas de adversários, a B3 (B3SA3) tende a ganhar em todos os cenários. Além de ser um ativo visto como defensivo para a carteira, com a volatilidade em alta, os volumes negociados também aumentam e a receita recebe o impacto positivo desse movimento. 

“Nossa perspectiva para este ano é de que o volume diário médio siga em alta, o que, combinado com o bom histórico de entrega de resultados e desenvolvimento de novos produtos, justifica um nível de avaliação elevado” - Banco Santander

Nos últimos meses, a empresa sofreu uma derrapada e acumula uma desvalorização, mas, para os analistas, essa é uma boa oportunidade de compra.

Itaú - Mostrando tração

Depois de quatro trimestres de queda, o lucro do Itaú cresceu 63,6% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado - a R$ 6,398 bilhões. Com a perspectiva de que o maior banco privado do país volte aos trilhos, Ativa Investimentos, Planner Corretora, Banco Daycoval e Terra Investimentos apontaram a ação suas favoritas.

Enquanto no ano passado as provisões contra calotes pesaram no balanço, os analistas destacam a forte redução no custo de crédito como um ponto positivo nos primeiros três meses do ano.

"Combinada com aumento da margem financeira e menores despesas operacionais, isso permitiu que o retorno sobre patrimônio líquido alcançasse patamares próximos ao pré-covid”, comenta a equipe de research da Ativa Investimentos.  

Como fator de risco, os analistas destacam a deterioração da qualidade da carteira de crédito, mas a projeção é que isso melhore ao longo de 2021. Para Mario Mariante, da Planner Corretora, o crescimento do lucro e do retono nos próximos meses deve ser sustentado por uma margem financeira maior, estabilidade das despesas não decorrentes de juros e uma redução no custo do crédito. 

Grande temor durante a crise, o Itaú mantém a inadimplência controlada e a busca por maior eficiência é um dos grandes destaques da gestão atual. Diante deste cenário, o Itaú segue conservador na concessão de crédito, com o foco voltado para produtos de menor risco - como empréstimo consignado e financiamento de veículos e imobiliário.

Vale - Cumprindo os prognósticos

O aumento na produção e o avanço do preço do minério de ferro em escala global, aliada a uma gestão mais eficiente, vem impulsionando a receita da Vale e faz com que ela não saia da cabeça dos analistas do mercado financeiro. 

Há mais de um ano ela é presença garantida entre as ações mais indicadas - e quase sempre na primeira posição. Uma alta superior a 160% só nos últimos 12 meses. Dessa vez não foi diferente. A companhia foi a seleção de cinco instituições - Investmind, CM Capital, Nova Futura, Guide Investimentos e Órama Investimentos. 

No primeiro trimestre de 2021 a mineradora teve um lucro menor que o projetado pelo mercado, mas ainda assim 2.200% maior do que o mesmo período do ano passado - US$ 5,546 bilhões. 

As coisas não devem parar por aí. Com os Estados Unidos e China investindo alguns trilhões em obras de infraestrutura, a expectativa é que a demanda e o preço do minério de ferro sigam em alta. Os analistas já estão apostando que a companhia, que já é a empresa mais valiosa da América Latina, pode crescer ainda mais e ultrapassar a casa dos R$ 850 bilhões em valor de mercado.

A polêmica da vez fica por conta da declaração dada por Eduardo Bartolomeo, presidente da mineradora, sobre uma possível cisão da operação de metais básicos da companhia. O comentário foi feito durante uma teleconferência com analistas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pediu explicações. 

Retrospectiva

Em um mês marcado pelo fim da novela do Orçamento e novos pacotes de estímulos trilionários nos Estados Unidos, a bolsa brasileira avançou quase 2%, mas ainda encontra dificuldades para se reaproximar do seu topo histórico. O que segura o índice são os persistentes ruídos poíticos e o cenário fiscal, que segue fazendo pressão sobre os negócios.

Pegando carona na valorização do preço do minério de ferro, as empresas ligadas às commodities metálicas tiveram um bom desempenho e seguraram o Ibovespa. A Vale, principal indicação do mês passado, avançou 10,68% em abril. Fechando o pódio, nós tivemos Itaú Unibanco - que recuou 1,96% - e as ações da B3 - que tiveram uma quda de 6,36%. Confira o retorno de todas as indicações do mês passado:

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Airbus A320

Itapemirim começa a receber aeronaves para voos comerciais após Anac autorizar

A Itapemirim diz que a segunda aeronave Airbus A320 de sua frota deve chegar ao aeroporto de Confins (MG) neste domingo

Efeito reverso

Elon Musk fez piada sobre o Dogecoin na TV aberta — e as cotações desabaram

Elon Musk fez a aguardada participação no SNL no último sábado, fazendo piada sobre si mesmo e falando do Dogecoin — mas a cotação caiu forte

Pesquisa da FGV

Presente mais caro: inflação do Dia das Mães é a maior dos últimos quatro anos

Levantamento da FGV mostra que a inflação no Dia das Mães é a maior desde 2017; eletrodomésticos e passagens aéreas tiveram maiores saltos

Expansão

SPX Capital assume operações do Carlyle no país

As operações do Carlyle no Brasil serão absrovidas pela SPX Capital. Com isso, a gestora de Rogério Xavier se expande em private equity

ESTRADA DO FUTURO

Um pé no abismo e outro na casca de banana: como identificar ações de empresas decadentes

Excesso de otimismo, planos mirabolantes e desprezo pela inovação estão entre as receitas para uma empresa falhar, segundo o gestor que se dedicou a descobrir empresas terríveis

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies