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Lista de exceções reduz temor de impacto amplo sobre exportações brasileiras, enquanto mineradoras e siderúrgicas lideram os ganhos do Ibovespa

Ainda que os Estados Unidos tenham aumentado o tom contra o governo brasileiro, mais uma vez impondo tarifas sobre os produtos brasileiros exportados, o impacto para as empresas e os mercados foi suavizado hoje (2). O Ibovespa está em alta de 1,03% por volta das 15h.
Isso porque há uma extensa lista de exceções, como café, suco de laranja, carne bovina, minerais raros, alguns metais, fertilizantes, produtos farmacêuticos e peças para aeronaves. Além disso, as taxas para certos metais e peças foram reduzidas.
A nova penalização vem depois da publicação de um relatório preliminar, resultado de meses de investigações acerca das práticas comerciais do país. Segundo o relatório, as práticas brasileiras "irrazoáveis, discriminatórias ou restritivas" ao comércio norte-americano.
Os meios de pagamento digitais, como o Pix, estão na mira, assim como as tarifas reduzidas para países como México e Índia, proteção de propriedade intelectual e desmatamento.
As taxas não entrarão em vigor imediatamente; o processo prevê uma etapa final de consultas públicas antes que o governo norte-americano tome uma decisão definitiva.
As novas tarifas, se implementadas, substituiriam parcialmente os 50% cobrados de diversos produtos brasileiros, compostos por uma taxa recíproca de 10% e um adicional de 40%.
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Se a tarifa atual de 10% for de fato substituída pela de 25%, a tarifa média sobre os itens brasileiros enviados aos EUA será de 13,8%, enquanto a atual é de 9%, calcula o Goldman Sachs.
Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA corresponderam a aproximadamente 2% de todo o PIB nacional, enquanto as mexicanas tiveram uma participação muito maior, de 29%, afirma o banco.
Mesmo assim, o governo brasileiro já marcou uma reunião de emergência para discutir as novas tarifas. "O Brasil ainda poderá exercer alguma argumentação, visto que, em outros momentos, a nação já foi ameaçada pela política tarifária de Trump, embora tenha se tratado apenas de uma tática de barganha", diz a Ativa Investimentos em comunicado.
"No final das contas, a política comercial norte-americana tornou-se errática e altamente negociável, o que sugere que dificilmente a medida vigorará. Por outro lado, os EUA vêm tentando a todo custo reduzir o seu déficit na balança comercial", afirma a Ativa.
"Ainda é cedo para dizer o impacto econômico, porque precisamos esperar a versão final após a consulta pública. Mas os principais produtos da pauta de exportação brasileira foram excluídos", afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
"É claro que essas questões bilaterais geram ruído, mas não têm impressionado os mercados hoje", diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
"O mercado enxergou as exceções tarifárias anunciadas pelos EUA como um sinal de flexibilização parcial da política comercial, reduzindo parte do risco para a atividade industrial global", afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
O principal índice da B3 hoje está sendo puxado por ações ligadas ao minério de ferro, com a commodity em alta.
Além disso, o presidente Donald Trump assinou uma medida que altera as tarifas de importação sobre aço, alumínio e cobre. O documento reduz as tarifas sobre produtos derivados de aço a alumínio, incluindo certos tipos de maquinário agrícola e equipamentos residenciais de aquecimento, ar condicionado e ventilação, de 25% para 15%.
As ações da Vale (VALE3) sobem 3,67%, Usiminas (USIM5) ganha 8,03%, os papéis da CSN (CSNA3) sobem 9,01% e CSN Mineração (CMIN3) avança 5,73%. A Gerdau (GGBR4) e a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançam mais 5,01% e 4,50%, respectivamente, por volta das 15h.
Segundo o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, com petróleo, minério e produtos ligados à aviação na longa lista de exceções, a Vale está entre as empresas que ficam relativamente protegidas.
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