Nem Petrobras, nem Nubank: veja quem virou a principal aposta do BTG para enfrentar a bolsa em junho
Carteira recomendada ganha perfil mais conservador após piora do cenário político e redução do apetite por risco; confira as apostas dos analistas para o mês

A combinação de piora do ambiente político, saída bilionária de recursos estrangeiros e de um cenário macroeconômico mais incerto levou o BTG Pactual a mudar de estratégia na bolsa brasileira em junho.
Em uma tacada só, o banco reduziu sua exposição à Petrobras (PETR4), retirou o Nubank (ROXO34) da carteira e devolveu ao Itaú Unibanco (ITUB4) o posto de principal aposta para o mês.
A mudança marca uma guinada na estratégia da carteira Brazil 10SIM, após semanas de forte volatilidade no mercado brasileiro e mais de R$ 27 bilhões em retirada de capital estrangeiro desde meados de abril.
Para este mês, os analistas do BTG passaram a priorizar empresas consideradas mais resilientes, com balanços sólidos, geração previsível de caixa e menor sensibilidade ao ambiente político e econômico.
Em outras palavras, o banco trocou parte da exposição a teses mais dependentes de gatilhos específicos por nomes que, na sua avaliação, estão mais preparados para atravessar um período de maior turbulência.
“Estamos fazendo algumas mudanças neste mês, com o objetivo de aproveitar a recente queda para incluir mais ações defensivas e de qualidade no portfólio”, diz o BTG.
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Petrobras (PETR4) perde espaço na carteira
A principal redução aconteceu justamente em uma das ações que mais contribuíram para o desempenho da carteira nos últimos meses. O peso da Petrobras (PETR4) caiu de 15% para 10%.
Segundo o BTG, a decisão não reflete uma deterioração dos fundamentos da estatal, mas uma mudança no cenário que sustentava parte da tese de investimento.
Para os analistas, a perspectiva de uma redução das tensões no Oriente Médio diminui o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo.
Além disso, a visibilidade para as eleições presidenciais de 2026 ficou mais limitada nas últimas semanas, reduzindo a convicção de que uma eventual queda do custo de capital poderia servir como gatilho adicional para uma reprecificação das ações da companhia.
“Isso reduz nossa convicção de que uma redução no custo de capital (Ke) poderia levar a um rali no preço das ações”, afirma o BTG.
Sai Nubank, entra Itaú (ITUB4)
No setor financeiro, o BTG decidiu dar adeus ao Nubank (ROXO34) para trazer o Itaú Unibanco (ITUB4) de volta com peso de 15% — tornando-se a maior posição da carteira para junho.
Na avaliação do BTG, o Itaú chega a este momento em posição privilegiada para enfrentar um ambiente de crédito mais difícil.
Os analistas destacam a qualidade dos ativos, a gestão mais conservadora de riscos e a capacidade de preservar rentabilidade mesmo em cenários de maior volatilidade econômica.
“A qualidade dos ativos do Itaú permanece sólida, e o banco vem reduzindo risco de forma proativa há algum tempo. O valuation também é mais atrativo”, afirma o BTG.
O BTG também destaca que o Itaú negocia atualmente a cerca de 8,6 vezes o lucro projetado para 2026, múltiplo considerado atrativo diante da qualidade dos resultados entregues pelo banco.
Para os analistas, isso confere ao maior banco privado do Brasil o título de "âncora de qualidade" do setor.
Enquanto isso, o Nubank deverá continuar enfrentando um ambiente de juros elevados por mais tempo, o que tende a representar um teste adicional para sua trajetória de crescimento e rentabilidade.
- Confira também: A inadimplência vai ‘engolir’ o lucro do Nubank? ‘Purgatório’ do crédito cresceu — mas não é hora de pânico, diz JP Morgan
Em busca de blindagem na bolsa brasileira
A estratégia defensiva não parou nos bancos. O BTG elevou a exposição ao setor de utilities para 30% da carteira, adicionando a Equatorial (EQTL3) no lugar da Allos (ALOS3).
A avaliação é que empresas do setor oferecem uma combinação particularmente atraente em momentos de maior incerteza: receitas mais previsíveis, proteção contra a inflação e menor dependência do ritmo de crescimento da economia.
Além disso, para os analistas, a Equatorial continua sendo uma das empresas de maior qualidade do setor e passou a negociar em níveis considerados atraentes após a recente correção das ações, a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 10,4%.
“A Equatorial continua sendo um excelente carrego, uma empresa de melhor qualidade da categoria no setor e uma ótima forma de obter exposição ao que enxergamos como taxas reais de longo prazo altamente assimétricas.”
Ao lado de Axia (AXIA3) e Eneva (ENEV3), ela forma o "escudo" do banco contra a volatilidade macroeconômica.
Quem fica na carteira de ações para junho?
Para equilibrar o risco diante da entrada de nomes defensivos e de longo prazo, o banco também reduziu o peso da Localiza (RENT3), de 15% para 10%.
“Para acomodar nossas mudanças e equilibrar melhor o risco, dado que estamos adicionando mais uma ação de fluxo de caixa de longa duração ao portfólio, estamos reduzindo o peso da Localiza”, dizem os analistas.
Confira os eleitos do BTG para enfrentar o mês de junho:
- Itaú Unibanco (ITUB4): 15% (A nova maior aposta)
- Petrobras (PETR4): 10% (Peso reduzido)
- Axia (AXIA3): 10% (Foco em energia)
- Embraer (EMBJ3): 10% (Aposta em dólar/exportação)
- Equatorial (EQTL3): 10% (Novata defensiva)
- Localiza (RENT3): 10% (Ajuste técnico de peso)
- Eneva (ENEV3): 10% (Foco em energia)
- Motiva (MOTV3): 10% (Foco em fluxo de caixa de longa duração)
- Totvs (TOTS3): 10% (Aposta em tecnologia)
- Cury (CURY3): 5% (O nome do setor imobiliário)
Oportunidade em meio à queda da bolsa
Apesar da postura mais cautelosa, o BTG não vê o momento atual como motivo para abandonar a bolsa brasileira.
Na avaliação dos analistas, a recente correção tornou os preços das ações ainda mais atraentes.
Hoje, o Ibovespa negocia a cerca de 9,4 vezes o lucro projetado, desconsiderando Petrobras e Vale, nível que o BTG considera excessivamente descontado tanto em relação à média histórica quanto aos mercados internacionais.
"Enquanto o ciclo de corte de juros pode ser menos veloz e intenso do que o esperado, o Brasil ainda é um dos poucos países com um caminho claro de curto prazo para redução de taxas", dizem os analistas.
A diferença é que, para navegar esse cenário, o BTG prefere agora um portfólio mais blindado contra os ruídos que têm dominado o mercado nas últimas semanas.
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