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MERCADOS

Dow Jones em recorde, petróleo em queda e ouro em alta — um resumo do que mexeu com as bolsas no exterior e o que vem por aí

A B3 fechou nesta quinta-feira (4) por conta do feriado de Corpus Christi, mas os mercados mundo afora não pararam — e teve de tudo: rotação setorial nos EUA, guerra no Oriente Médio e ouro nas alturas

Tela de cotações da as ações da bolsa Ibovespa mercados
Tela de cotações - Imagem: Envato

A bolsa brasileira retoma nesta sexta-feira (5) as negociações, depois de tira uma folga no feriado de Corpus Christi, olhando para o retrovisor. Lá fora, o mercado não descansou e os investidores viram uma sessão agitada no exterior: o Dow Jones bateu recorde, a Europa fechou majoritariamente no azul e o ouro disparou.  

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Entre as empresas, as ações de tecnologia sofreram, puxadas por um tombo pesado na fabricante de chips Broadcom.  

E como pano de fundo de tudo isso, a guerra no Oriente Médio seguiu ditando o humor dos mercados lá fora. 

Dow Jones nas alturas, mas sem ajuda da tecnologia 

Nos EUA, o destaque da quinta-feira (4) foi a forte alta do Dow Jones. O índice das 30 maiores empresas norte-americanas saltou 875 pontos, ou 1,7%, atingindo nova máxima histórica aos 51.562,12 pontos.

Quem puxou o movimento foram nomes fora do universo tech: a operadora de planos de saúde UnitedHealth subiu mais de 5%, o banco JPMorgan avançou 3,36% e o Walmart ganhou 1%.  

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Fora do Dow, Costco e Eli Lilly também se destacaram, com altas superiores a 1% e 4%, respectivamente. 

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O S&P 500, índice mais amplo de Nova York, subiu 0,41% — uma alta modesta, porque o desempenho foi puxado para baixo pelo setor de tecnologia. Já o Nasdaq, de forte concentração em empresas tech, recuou 0,09%. 

A vilã da história foi a Broadcom. A fabricante de chips chegou a cair 14% depois de decepcionar nas receitas do segundo trimestre fiscal.  

O tombo contaminou o setor inteiro: o ETF de semicondutores VanEck (SMH) perdeu quase 2%, a Arm Holdings caiu mais de 4% e a Micron Technology também registrou perdas expressivas, de quase 8%.

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O que aconteceu, na prática, foi uma rotação setorial: investidores aproveitaram o susto com os chips para realocar dinheiro em setores mais tradicionais da economia — saúde, varejo e finanças.  

Esse tipo de movimento é comum quando o mercado busca reduzir risco após um período de alta concentrada em um só tema, como foi o caso da euforia com a inteligência artificial (IA) nos últimos meses. 

Guerra no Oriente Médio: o ruído na bolsa que não para 

A sessão de quarta-feira (3) já havia sido marcada por perdas em Wall Street, por conta da escalada nas tensões entre EUA e Irã. O cenário continuou tenso nesta quinta-feira (4).  

O Irã atacou o Aeroporto Internacional de Kuwait, enquanto o Comando Central dos EUA informou ter repelido mísseis balísticos e drones iranianos, realizando ataques de preventivos na Ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico. 

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Ainda assim, dois países acenaram para uma possível distensão: Israel e Líbano concordaram com um novo cessar-fogo, condicionado ao encerramento das hostilidades pelo Hezbollah, e o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a comentar sobre um possível acordo com o Irã.  

Esses movimentos derrubaram os preços do petróleo, ajudando a aliviar o medo inflacionário nos mercados.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI —  referência para o mercado dos EUA — para julho fechou em queda de 3,1%, a US$ 93,04 o barril. O Brent — referência internacional, inclusive para a Petrobras — para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 2,84%, a US$ 95,03 o barril. 

Europa no azul, com exceção de Lisboa 

As bolsas europeias absorveram bem o noticiário nesta quinta-feira (4). Em Paris, o CAC 40 foi o destaque, com alta de 1,15%. Frankfurt (DAX, +0,48%), Milão (+0,27%) e Madri (+0,37%) também fecharam no positivo. Londres (FTSE 100) avançou 0,27%. A exceção foi Lisboa, onde o PSI 20 caiu 0,88%. 

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O setor de tecnologia europeu também sentiu o contágio da Broadcom: a Nokia recuou cerca de 6%. Mas a alemã SAP nadou contra a maré e subiu 5,5%.  

No lado positivo, a fabricante de bebidas Rémy Cointreau disparou quase 10% após anunciar um plano para elevar o lucro operacional em cerca de 100 milhões de euros até 2029. 

No radar dos investidores também ficou a reunião do Banco Central Europeu (BCE) da próxima semana.  

Tanto a Fitch quanto o KBC Bank projetam alta de juros — e o KBC avalia que esse movimento já está “totalmente incorporado” nos preços.  

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Dados de varejo da zona do euro vieram levemente abaixo do esperado, com queda de 0,4% em abril ante março. 

Bolsas na Ásia no vermelho 

Do outro lado do mundo, as bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quinta-feira (4), impactadas pela sessão negativa de Wall Street na véspera.  

O maior tombo foi em Seul: o Kospi caiu 1,84%, em parte porque não operou na quarta-feira por causa das eleições locais na Coreia do Sul.  

O japonês Nikkei recuou 1,36%, um dia após atingir recorde histórico. Hong Kong (Hang Seng, -1,48%) e Taiwan (Taiex, -1,68%) também fecharam no vermelho.  

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Na China continental, as perdas foram mais modestas: Xangai caiu 0,64% e Shenzhen, 0,41%. A Austrália também ficou no negativo, com queda de 1,13% do S&P/ASX 200. 

Ouro dispara — e manda um recado ao Fed 

Com o alívio no petróleo pesando sobre o dólar e os yields (rendimentos) dos Treasurys, o ouro aproveitou o momento e fechou a quinta-feira (4) em alta de 0,85%, cotado a US$ 4.505,00 por onça-troy na Comex. A prata também avançou 0,38%, a US$ 73,97 por onça-troy. 

O banco TD Securities avalia que os sinais de cessar-fogo e os comentários de Trump sobre o Irã mudaram “imediatamente” o humor a favor dos metais preciosos — mas alerta que o mercado continua frágil, dado o impasse nas negociações e os ataques de todos os lados. 

Além da geopolítica, os investidores em ouro têm um olho no Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).  

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A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou nesta quinta-feira (4) que a inflação segue sendo a maior preocupação do banco central dos EUA, mas que a política monetária está bem-posicionada para reagir a choques — e pediu cautela contra decisões precipitadas.  

Os dados do mercado de trabalho norte-americano também vieram mistos: os pedidos de seguro-desemprego subiram mais do que o esperado, enquanto o custo unitário de mão de obra avançou menos que o previsto.  

Nesta sexta-feira (5), o payroll, principal relatório de empregos dos EUA, de maio pode mudar a narrativa — e, com a B3 de volta, os investidores brasileiros devem sentir o impacto na pele (e no bolso).  

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