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Ibovespa: depois de cair 13%, é hora de comprar ações brasileiras, diz XP

A bolsa brasileira passou por uma forte correção com a saída de estrangeiros, mas o banco mantém o ‘valor justo’ em 205 mil pontos

Imagem criada por IA traz a bandeira do Brasil de fundo e um gráfico de ações em alta
Imagem: ChatGPT

Maio foi um mês de correção intensa para as ações brasileiras. O Ibovespa se descolou dos seus pares globais e caiu 7,2% no mês — 8,6% em dólares —, no maior recuo mensal desde fevereiro de 2023.

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Alguns fatores explicam esse desempenho fraco da bolsa brasileira, segundo a XP. O trade de inteligência artificial (IA) voltou a ganhar força entre os investidores estrangeiros e a volatilidade do mercado local aumentou em função da alta no preço do petróleo e da preocupação com o repique de inflação.

Os fluxos de estrangeiros foram negativos em maio, com saídas em 17 dos 18 pregões, somando R$ 14,1 bilhões em resgates. Como consequência, o EWZ (ETF de Brasil) se distanciou do EEM (ETF de Mercados Emergentes).

Os estrangeiros estão migrando para a Ásia emergente, principalmente para a Coreia do Sul e Taiwan. Enquanto o Brasil caiu em maio, o Kospi (índice da Coreia do Sul) subiu mais 26% e Taiwan avançou 16%.

O conflito no Irã, que pressiona o preço do petróleo e a inflação, também prejudica o fluxo para o Ibovespa. As expectativas de inflação no ano continuaram a ser revisadas para cima, impactando a perspectiva para os cortes na taxa de juros — um dos principais vetores para a bolsa brasileira.

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O Boletim Focus do Banco Central projeta o Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 em 5,09%, enquanto a XP estima 5,3% e o mercado precifica 5,68% — projeções muito acima de meta de 3%.

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Com isso, o mercado revisou as expectativas para a taxa Selic. Enquanto, no início do ano, o consenso apontava para um ciclo de corte de 3 pontos percentuais (p.p.) — levando os juros de 15% para 12% —, hoje a expectativa de redução está em 1,15 p.p., com a Selic terminal em 13,8% no final de 2026.

Hora de comprar Ibovespa

Desde o pico, em abril, quando o Ibovespa atingiu 199 mil pontos, a bolsa brasileira já perdeu 13% valor e está em 172 mil pontos.

Em relatório, os analistas da XP afirmam que, após essa correção, o indicador de sentimento do banco voltou para o nível de “pessimismo extremo”. Isso significa um sinal de compra.

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“A última vez em que esse indicador atingiu o nível de pessimismo extremo foi em janeiro de 2025, o que se mostrou uma ótima oportunidade de compra”, diz o relatório.

Segundo a XP, o indicador agrega diversos outros indicadores técnicos, de sentimento e de fluxo, para determinar o humor dos investidores. O radar chegou a 100 (extremo otimismo) no fim de fevereiro, indicando que era um momento de venda.

Naquela data, o EWZ estava cerca de 10% acima dos níveis atuais.

Rumo aos 205 mil pontos

A XP manteve o “valor justo” do Ibovespa para o final de 2026 em 205 mil pontos, o que representa um potencial de valorização de 18% sobre os níveis atuais.

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A visão positiva tem como base a expectativa de fim do conflito no Oriente Médio. Um acordo de paz pode beneficiar os ativos de mercados como um todo, incluindo o Brasil, com a melhora no sentimento de risco.

“Continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global, dado seu baixo risco geopolítico, valuation atrativo e juros elevados”, diz o relatório.

O principal canal de melhora para as ações brasileiras deve vir das expectativas de inflação e de juros, segundo a XP, considerando um recuo no preço do petróleo diante da reabertura integral do Estreito de Ormuz.

Entretanto, a eleição presidencial do segundo semestre também está na mira dos analistas. Eles avaliam que uma parte da volatilidade é reflexo de ruídos políticos.

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“À medida que a eleição se aproxima, os investidores podem adotar uma postura mais defensiva em meio ao aumento das preocupações fiscais e da incerteza política”, diz o relatório.

Diante de ambos os cenários, a XP criou uma cesta de ações com foco em cada uma das possibilidades:

  1. Valorização de ações de valor sensíveis aos juros — diante da possibilidade de alívio da inflação com o fim da guerra; e
  2. Cesta de ações de nomes defensivos diante da volatilidade eleitoral.

Confira abaixo as duas seleções de ações do Ibovespa

Cesta de ações de valor com alta sensibilidade a juros

Empresa (Ticker)  Setor  Performance 2026  Preço-alvo  
C&A (CEAB3) Varejo -10,9% R$ 17 
Riachuelo (RIAA3) Varejo 5,9% R$ 14 
Cyrela (CYRE3) Construção Civil -10,5% R$ 42 
Moura Dubeux (MDNE3) Construção Civil 20% R$ 38  
Plano & Plano (PLPL3) Construção Civil -30,9% R$ 26 
Tenda (TEND3) Construção Civil 32,9% R$ 40 
Movida (MOVI3) Transportes 4,5% R$ 15,3 
Simpar (SIMH3) Transportes -9,5% R$ 16 
Positivo (POSI3) TMT 8,8% R$ 6 
Retorno calculado até 29 de maio de 2026. Fonte: XP Investimentos 

Nomes defensivos para períodos de maior risco fiscal e volatilidade eleitoral

Empresa (Ticker)  Setor  Performance 2026  Preço-alvo  
Aura Minerals (AURA33) Mineração e Siderurgia 42,5%  R$ 90 
Gerdau (GGBR4) Mineração e Siderurgia 17,3% R$ 25 
Embraer (EMBJ3) Bens de Capital  -18,3% R$ 92 
Prio (PRIO3) Petróleo e Gás 56,3% R$ 64 
Irani (RANI3) Papel e Celulose  -5,4% R$ 12 
Retorno calculado até 29 de maio de 2026. Fonte: XP Investimentos 

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