Junho começa sob pressão da inflação e dos juros; veja por que Vale (VALE3), AREA11 e Hyperliquid estão entre as recomendações do mês
Após um maio de forte reprecificação dos ativos, os analistas da Empiricus Research defendem uma carteira focada em qualidade, geração de caixa e proteção; confira a última edição do programa Onde Investir
Junho começa com uma inflexão relevante no humor dos mercados. Após um período em que predominava uma expectativa de trajetória mais previsível para os juros, investidores foram obrigados a rever projeções diante de um ambiente mais complicado.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic para 14,50% ao ano, mas adotou uma comunicação mais cautelosa sobre os próximos movimentos do ciclo monetário.
No exterior, a alta dos juros longos nos Estados Unidos voltou a pressionar os mercados globais, encarecendo o custo de capital e deixando investidores mais seletivos ao escolher ativos de risco.
O efeito combinado desses fatores é um mercado mais exigente. Já não basta projetar a queda dos juros: o desafio passa a ser identificar quais ativos seguem capazes de entregar retorno em um cenário de inflação persistente, juros elevados por mais tempo e maior aversão ao risco.
É nesse contexto que a jornalista Paula Comassetto recebe especialistas do mercado na nova edição do Onde Investir. No programa, eles detalham:
• Ativos preparados para um ambiente de inflação pressionada;
• Oportunidades ainda pouco precificadas em fundos imobiliários;
• Estratégias e criptomoedas que entram no radar neste novo cenário.
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Ações
Maio terminou com uma alta relevante da aversão ao risco nos mercados, em um movimento que voltou a colocar pressão sobre a bolsa e ampliou a volatilidade dos ativos.
Nesse tipo de ambiente, um padrão conhecido reaparece: decisões de venda tomadas no impulso, diante de quedas mais fortes em janelas curtas de tempo.
Esse é um dos erros mais frequentes entre investidores em períodos de estresse, segundo avaliação de Ruy Hungria, analista da Empiricus. A reação imediata às oscilações do mercado muitas vezes desconsidera o desempenho operacional das companhias por trás das ações.
Para o analista, o ponto central é evitar decisões baseadas exclusivamente no comportamento de curto prazo dos preços. O foco, afirma, deve permanecer nos fundamentos das empresas e na capacidade de geração de resultados ao longo do tempo.
“Algumas ações caíram muito mais do que a piora efetiva dos seus fundamentos. Em determinados casos, isso pode representar uma oportunidade e não um motivo para venda”, afirmou.
Entre as recomendações para junho, Hungria destaca a Direcional (DIRR3). A construtora foi impactada pela piora nas expectativas para juros e inflação, mas, segundo o analista, mantém um desempenho operacional consistente mesmo em um cenário mais adverso.
Além disso, a exposição ao segmento de baixa renda, com subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, adiciona uma camada de proteção ao negócio.
Fundos imobiliários
Nos fundos imobiliários, a mensagem é semelhante: o investidor precisa olhar além do rendimento distribuído.
Segundo o analista da Empiricus, Caio Araújo, os fundos de crédito de maior risco foram alguns dos mais penalizados em maio, justamente porque carregam maior exposição a inadimplência, renegociações e deterioração das garantias.
Por isso, a busca exclusiva por dividend yields (retorno de dividendos) elevados pode levar o investidor a assumir riscos que nem sempre estão evidentes à primeira vista. "O fundo que paga mais geralmente está exposto a riscos maiores", afirmou.
Apesar da Selic ainda elevada, o analista vê oportunidades em fundos que sofreram quedas recentes sem deterioração relevante dos fundamentos.
Entre os destaques para junho está o VILG11, fundo do segmento logístico que, segundo Araújo, se destaca pelo potencial de reprecificação.
“Dobramos a posição em VILG11, um fundo do segmento logístico que negocia com desconto de dois dígitos em relação ao valor patrimonial e mantém um nível relevante de caixa, o que abre espaço para novas aquisições de imóveis ao longo do tempo”, diz o analista.
Renda extra
Para o analista da Empiricus, Matheus Spiess, a principal preocupação do investidor neste momento deve ser construir uma carteira equilibrada, capaz de enfrentar diferentes cenários econômicos.
A recomendação passa por diversificar entre renda fixa, fundos imobiliários e ações, evitando concentrações excessivas em ativos mais voláteis.
"Não é necessário encher a carteira de ativos muito arriscados para buscar bons retornos. É possível construir uma estratégia consistente com ativos de qualidade e previsibilidade", disse.
Entre os destaques da carteira está o AREA11, um Exchange Traded Fund (ETF), ou fundo de índice negociado em bolsa como uma ação, que investe em títulos do Tesouro indexados à inflação e distribui rendimentos mensais aos cotistas.
O principal diferencial do fundo está na exposição a títulos públicos atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com a vantagem de transformar o pagamento de cupons, tradicionalmente semestral nesses papéis, em uma distribuição mensal de rendimentos.
Segundo o analista, o produto ganha relevância em um momento em que a inflação volta a pressionar o ambiente macroeconômico e influencia diretamente as decisões de alocação dos investidores.
Criptomoedas
No mercado de criptomoedas, o analista da Empiricus, Valter Rebelo, avalia que o comportamento do bitcoin continua sendo determinado principalmente pelas condições de liquidez da economia global.
Segundo ele, o avanço dos juros reais observado em maio ajudou a interromper a trajetória de alta da criptomoeda.
"Muitas criptomoedas se movimentam praticamente junto com o bitcoin. Em vários casos, o investidor acha que está diversificando quando, na verdade, apenas aumenta sua exposição ao mesmo risco", explicou.
Entre as recomendações para junho, Rebelo manteve a indicação da Hyperliquid (HYPE), que já havia sido destacada no mês anterior.
Segundo ele, a criptomoeda continua sendo uma das teses mais interessantes do mercado atualmente, mesmo após uma valorização expressiva nas últimas semanas. "É a principal história de crescimento do setor neste momento", afirmou.
A tese está baseada na expansão da plataforma de derivativos da Hyperliquid, especializada em contratos perpétuos, além da expectativa de avanços regulatórios nos Estados Unidos.
O analista destaca que o projeto ainda possui espaço relevante para crescimento caso consiga ampliar sua presença no mercado americano, hoje dominado por grandes plataformas tradicionais.
Onde Investir em junho
Para conferir tudo o que foi dito sobre cenário e bons ativos para o mês de maio, confira a íntegra do programa no vídeo abaixo:
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