Menu
2019-06-21T19:04:37+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mercados

Otimismo local derruba o dólar para R$ 3,97 e Ibovespa fecha em alta de 0,18%

A animação dos mercados com o cenário doméstico trouxe alívio ao dólar à vista e colocou o Ibovespa novamente no campo positivo, destoando da cautela vista no exterior

29 de maio de 2019
10:30 - atualizado às 19:04
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Dólar teve dia de alívio e apareceu na faixa de R$ 3,97; Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos, mas fechou no campo positivo. - Imagem: Seu Dinheiro

A tranquilidade no front político local seguiu influenciando os mercados brasileiros nesta quarta-feira (29). E, desta vez, o alívio foi sentido com mais intensidade no dólar à vista: a moeda americana fechou em queda firme de 1,18%, em R$ 3,9759.

O Ibovespa também continuou surfando a onda do otimismo doméstico e resistiu ao tom negativo das bolsas americanas. O índice abriu o dia no campo negativo, mas ganhou força e fechou com ganho de 0,18%, aos 96.566 pontos.

Essa onda de calmaria está relacionada à despressurização do cenário político. A sinalização de assinatura de um pacto entre os Três Poderes para a retomada do crescimento do país já animou os agentes financeiros na sessão de ontem — e, hoje, o noticiário continuou trazendo elementos animadores para os mercados.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Em destaque, está a aprovação da MP da reforma administrativa pelo Senado. O texto retirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do ministério da Justiça, passando-o para o ministério da Economia, mas também reduziu de 29 para 22 o número de pastas com status ministerial — pauta considerada fundamental pelo governo.

Nesse contexto, o dólar à vista recuou. Já o Ibovespa, que chegou a cair aos 95.689,78 pontos logo após a abertura (-0,73%), logo se afastou das mínimas e, na máxima, bateu os 96.985,83 pontos (+0,62%).

O noticiário de Brasília aumentou a percepção de que o relacionamento entre o governo e o Congresso está mais alinhado — o que, consequentemente, eleva o otimismo do mercado quanto à tramitação da reforma da Previdência.

"Vivemos uma certa continuação do movimento de ontem, há uma melhor imagem em relação à governabilidade", diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Finacial Research. "O dólar, hoje, faz o que deveria ter feito ontem".

De fato, a moeda americana "ficou para trás" em relação ao rali do Ibovespa nos dois primeiros dias da semana. O principal índice da bolsa brasileira acumulou ganhos de 2,95% nas sessões de segunda (27) e terça-feira (28) — no mesmo período, o dólar teve alta de 0,21%.

Assim, a divisa dos EUA ainda encontra espaço para reagir de maneira mais intensa ao alívio visto no cenário doméstico, enquanto o Ibovespa apresenta um fôlego mais curto. E as curvas de juros, que também passaram por ajustes expressivos nesta semana, hoje apresentam comportamentos discretos.

Na ponta curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 6,61% para 6,60%. Na ponta longa, o alívio foi mais intenso: as curvas para janeiro de 2023 caíram de 7,73% para 7,66%, e as com vencimento em janeiro de 2025 foram de 8,36% para 8,22%.

"A leitura é de continuidade dessa melhora de percepção interna", diz Cleber Alessie, operador da H. Commcor, ressaltando que o comportamento do dólar é, de certa maneira, surpreendente. "Lá fora o clima segue bem ruim, tanto nas bolsas quanto nas moedas".

Exterior ainda tenso

Lá fora, seguiu a dinâmica de cautela em relação à guerra comercial, sem maiores progressos nas negociações entre os governos dos Estados Unidos e China. Pelo contrário: o clima parece cada vez menos amistoso, com ambos os lados buscando se fortalecer para uma disputa mais intensa.

Nesse contexto, o Dow Jones fechou em queda de 0,88%, aos 25.125 pontos, o S&P 500 caiu 0,70%, fechando em 2.782 pontos, e o Nasdaq recuou 0,79%, aos 7.547 pontos. As principais bolsas da Europa também fecharam em baixa. E, no mercado global de câmbio, o dólar subiu ante as moedas fortes e ganhou terreno na comparação com algumas divisas de países emergentes, como o rublo russo e o rand sul-africano.

Assim, foi o cenário doméstico que sustentou o bom desempenho dos ativos brasileiros, já que, no exterior, a aversão ao risco ainda deu o tom às negociações.

"O mercado por aqui diluiu as posições mais defensivas", diz Alessie. "Tinha azedado bem, com uma conjunção de fatores internos e externos. Lá fora segue ruim, mas aqui melhorou — e isso vem sendo suficiente para dar algum alívio ao dólar e à bolsa".

Local x global

As boas perspectivas do mercado em relação ao cenário local e o fechamento da curva de juros fizeram com que as ações de empresas mais expostas ao mercado doméstico apresentassem desempenhos positivos do Ibovespa nesta quarta-feira.

É o caso do setor bancário: as units do Santander Brasil (SANB11) subiram 0,90%, Bradesco PN (BBDC4) teve alta de 1,99% e Bradesco ON (BBDC3) teve ganho de 1,84%. Itaú Unibanco PN (ITUB4), por sua vez, exibiu valorização de 1,88%.

As varejistas também tiveram ganhos. É o caso de Via Varejo ON (VVAR3) (+3,85%), Magazine Luiza ON (MGLU3) (+0,14%) e Lojas Americanas PN (LAME4) (+3,12%).

Por outro lado, papéis de companhias mais expostas ao mercado externo e que não se beneficiam do dólar mais fraco estiveram entre as maiores perdas do Ibovespa.

As ações da Petrobras, por exemplo, apareceram no campo negativo, tanto as PNs (PETR4) quanto as ONs (PETR3), em queda de 1,12% e 0,79%, respectivamente. O tom negativo do petróleo no exterior, com o WTI (-0,55%) e o Brent (-0,94%), afeta negativamente os ativos da estatal.

As mineradoras e siderúrgicas também sofreram: Vale ON (VALE3) caiu 1,09%, CSN ON (CSNA3) recuou 4,07% e Gerdau PN (GGBR4) teve perda de 0,64%. Ainda entre as exportadoras, também fecharam em queda:

Quem vai levar?

A disputa pela Netshoes segue quente: a Centauro elevou sua proposta para US$ 108,7 milhões, o que equivale a US$ 3,50 por ação do site de artigos esportivos. O novo lance superou a oferta do Magazine Luiza, que colocou na mesa US$ 3,00 por papel da empresa.

Como resultado, as ações ON da Centauro (CNTO3), que não fazem parte do Ibovespa, fecharam em alta de 1,56%. Em Nova York, os papéis da Netshoes (NETS) subiram 21,31%, a US$ 3,70.

Comentários
Leia também
Um self service diferente

Como ganhar uma ‘gorjeta’ da sua corretora

A Pi devolve o valor economizado com comissões de autônomos na forma de Pontos Pi. Você pode trocar pelo que quiser, inclusive, dinheiro

Nada de aumento

“Há zero possibilidade de aumentar a carga de impostos”, diz Waldery

Waldery explicou que a meta de déficit primário de 2019 está mantida em R$ 139 bilhões, mas lembrou que o saldo negativo deve ficar abaixo dos R$ 80 bilhões

Contas públicas

Governo central deve fechar 2019 com déficit abaixo de R$ 80 bi, diz Guedes

Guedes voltou a dizer que o sucesso do leilão da cessão onerosa também ajudou a fazer um resultado fiscal melhor, além de permitir um maior repasse de recursos para Estados e municípios. “O ano de 2019 foi interessante, porque conseguimos muita colaboração com Congresso nas reformas econômicas. Também houve muita colaboração do Judiciário”, completou

Novidades na cervejaria

Ambev anuncia Jean Jereissati como presidente da companhia em 2020

A partir de 1º janeiro de 2020, Jereissati Neto acumulará as funções de diretor-presidente e diretor de vendas e de marketing

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Game over? A vida com o dólar acima de R$ 4,20

A primeira vez que o dólar atingiu o patamar de R$ 4,20 foi em setembro de 2015. Eu me lembro de receber a notícia de uma forma bem inusitada, no meio da plateia de um evento voltado a grandes investidores. Enquanto o palestrante da vez tentava injetar alguma esperança sobre as perspectivas da economia brasileira em […]

Olho nos números

BMG não agrada mercado em primeiro balanço após IPO e ações caem

Apesar da queda acentuada dos papéis, ao comentar o balanço do BMG, os analistas do BTG Eduardo Rosman e Thomas Peredo se mostraram mais tranquilos com o resultado e destacaram que os números vieram dentro do esperado pela maioria dos investidores com quem conversaram

Gestoras

JGP segue comprada em bolsa enquanto acompanha guerra de narrativas

Gestora discute tese de que a manufatura e o comércio global estão próximos ao fundo do poço e prestes a se recuperar

Mudança de coleção

Dona da Le Lis Blanc e Dudalina, a Restoque tenta pôr ordem na casa. O mercado está cético

Em meio a um processo de mudança de estratégia, a Restoque reportou mais um conjunto de resultados trimestrais desanimadores, o que fez suas ações chegarem às mínimas em mais de três anos

Mudanças à vista

Desoneração da cesta básica vai acabar, diz Tostes Neto

Para compensar o gasto com tributo, o governo deve devolver dinheiro aos mais pobres como adicional aos programas sociais

Briga de gigantes

Softbank planeja criar rival japonesa para competir com gigantes como Google e Amazon

O grupo anunciou acordo para a fusão de uma de suas subsidiárias conhecida como Yahoo Japan com a empresa Line Corp. Com isso, as duas companhias podem criar mais um “super app”

olho na reforma tributária

Governo confirma que quer tributar dividendos

Plano faz parte do projeto de reduzir imposto de empresas e elevar sobre as Pessoas Físicas; deve entrar em fases posteriores da reforma tributária

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements