Investimentos que pagam mais de 1% ao mês ficaram na vantagem em meio à sangria de maio; dólar sobe e Ibovespa derrete
Com conflito no Irã e piora nas expectativas para juros e inflação nos próximos meses, da renda fixa às ações, os investimentos tiveram um mês difícil

A sabedoria popular é clara: tudo que sobe, desce — e o inverso é verdadeiro. Em maio, isso ficou claro no ranking de investimentos. Depois de meses na lanterna, o dólar voltou a mostrar o seu valor e ficou entre as melhores rentabilidades de maio.
Mas assim, dizer que ficou entre as melhores rentabilidades, neste mês precisa de um asterisco. Os ganhos foram magros. O melhor desempenho, registrado pelo dólar à vista, foi de 1,8%.
Nos dizeres do mercado financeiro, maio de 2026 entra para a lista de meses “para se esquecer”.
Para além da moeda norte-americana, o ranking positivo se estende com os investimentos que sempre ganham: Tesouro Selic, CDI e Poupança. As debêntures — títulos de renda fixa emitidos por empresas — também conseguiram um espacinho, com 1% de ganho no mês.
- LEIA TAMBÉM: A farra do Brasil acabou? Para o UBS, agora é hora de apertar os cintos na bolsa de valores; por que o cenário virou?
Do Tesouro Direto às ações, maio ficou no vermelho
Renda fixa no vermelho
Tirando o Tesouro Selic, os demais títulos públicos do Tesouro Direto registraram marcação de preço negativa neste mês. O saldo menos ruim foi o do Tesouro Prefixado 2029, com retorno de –0,12%, quase andando de lado. Daí para a frente os retornos só pioraram, chegando em –5,03% do Tesouro IPCA + 2050.
Tanto os títulos indexados à inflação quanto os títulos prefixados sofreram muito com as oscilações de taxas.
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Aqui, é importante destacar que a rentabilidade apresentada no ranking do Seu Dinheiro corresponde ao retorno com a variação do preço dos títulos de renda fixa. Taxas e preços têm correlação negativa, de modo que, quando as taxas sobem, os preços caem — e o inverso também é verdadeiro.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, os agentes financeiros têm piorado suas expectativas para os principais indicadores econômicos do país: juros (Selic) e inflação (IPCA) — e essas variáveis são cruciais para a precificação dos títulos de renda fixa.
Um título prefixado ou indexado a inflação depende da expectativa de juros e inflação no momento do seu vencimento para sua precificação. Se todos os dias essa expectativa muda, a renda fixa registra uma volatilidade mais intensa do que o habitual.
Em maio, por exemplo, a expectativa para o fechamento do IPCA no ano subiu para 5%. Há dois meses, em fevereiro, estava em 3,95%. Esse aumento de projeção não é observado apenas no curto prazo, datas mais longas também estão sendo ajustadas.
Se a projeção de inflação sobe, os juros acompanham. O mercado já espera uma Selic em 13,25% ao final de 2026, frente uma expectativa de 12% no início do ano.
Com tantas remarcações, as taxas dos títulos do Tesouro Direto subiram bastante em maio. O Tesouro Prefixado 2032 voltou a oferecer 14% ao ano. O Tesouro IPCA + 2029 encostou no 8% e ficou na faixa do 7,8% ao final do mês.
Quando as taxas abrem, os preços caem. Resultado: variação negativa de retorno com os preços no mês.
- No entanto, vale o lembrete: todas essas oscilações acontecem na marcação de preço e taxa dos títulos públicos. Para o investidor que levar os papéis até o vencimento, a taxa contratada na compra será paga integralmente, como se o preço e a taxa nunca tivessem mudado no meio do caminho.
Confira o ranking de investimentos em maio
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|
| Dólar à vista | 1,82% | -8,13% |
| Dólar PTAX | 1,28% | -8,18% |
| Tesouro Selic 2031 | 1,12% | 5,78% |
| CDI* | 1,07% | 5,61% |
| IDA - Geral* | 1,04% | 3,79% |
| Poupança** | 0,67% | 3,37% |
| Ouro (GOLD11) | 0,29% | -3,59% |
| Tesouro Prefixado 2029 | -0,12% | 3,43% |
| Tesouro IPCA+ 2032*** | -1,16% | - |
| IFIX | -1,26% | 2,79% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2037*** | -1,62% | - |
| Tesouro Prefixado 2032 | -1,80% | 2,97% |
| Tesouro Prefixado c/ JS 2037*** | -2,01% | - |
| Bitcoin | -2,25% | -23,33% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2045 | -2,78% | 2,68% |
| Tesouro IPCA+ c/ JS 2060 | -2,80% | 3,25% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -4,42% | 1,78% |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -5,03% | 2,78% |
| Ibovespa | -7,08% | 8,03% |
(**) Poupança com aniversário no dia 28.
(***) Títulos públicos começaram a negociar em fevereiro de 2026 e não tem histórico de um ano.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase Inc..
Dólar sobe e Ibovespa desce
A alta do dólar e a queda do Ibovespa em maio compartilham, até certo ponto, o mesmo motivo: a saída dos investidores estrangeiros da Bolsa.
Até meados de abril, a entrada de investidores globais na Bolsa foi uma avalanche. Quase R$ 60 bilhões entraram nos ativos brasileiros em três meses.
Mas a guerra chegou e o jogo virou. O conflito no Oriente Médio mudou todos os paradigmas para os investimentos. A pressão inflacionária global por causa do preço do petróleo fez as expectativas de juros aumentarem no mundo todo. Com isso, os títulos soberanos de países desenvolvidos voltaram a pagar taxas maiores.
Um Treasury dos Estados Unidos ou do Reino Unido pagando mais de 4% de taxa ao ano drena o capital que estava sendo direcionado para os países emergentes — Brasil incluso.
Nessa nova dinâmica, o Ibovespa deixa de ser a escolha preferencial dos estrangeiros, que estavam sustentando as sucessivas altas da Bolsa. Com a saída desses investidores, o recuo do índice de ações brasileiras foi profundo: -7% em maio.
Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa fechou com queda de 0,54%, aos 174.124,54 pontos.
A alta do dólar foi bem mais tímida que o recuo da bolsa. A moeda norte-americana se valorizou 1,82% em relação ao real no mês.
Em parte, pela saída dos estrangeiros. Mas também entram nessa conta os ruídos internos em relação ao cenário político-eleitoral e econômico e o movimento no exterior. A melhora da atratividade dos Treasurys tem sustentado uma retomada dos investidores globais para o dólar.
O índice DXY, com compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, também registrou alta mensal, de 0,72%. Entretanto, em relação ao real, no ano, a moeda norte-americana ainda acumula 8,13% de queda.
Maiores altas do Ibovespa em maio
| Ticker | Empresa | Retorno no mês | Retorno no ano |
|---|---|---|---|
| USIM5 | Usiminas | 33,66% | 86,22% |
| BRKM5 | Braskem | 14,32% | 32,57% |
| ABEV3 | Ambev | 12,47% | 17,75% |
| LREN3 | Lojas Renner | 9,56% | 12,11% |
| CSNA3 | CSN | 7,70% | -24,94% |
Maiores quedas do Ibovespa em maio
| Ticker | Empresa | Retorno no mês | Retorno no ano |
|---|---|---|---|
| MGLU3 | Magazine Luiza | -27,34% | -32,51% |
| CSAN3 | Cosan | -24,60% | -28,57% |
| VAMO3 | Vamos | -22,73% | -4,97% |
| AXIA6 | Axia Energia | -17,07% | 8,60% |
| SBSP3 | Sabesp | -15,69% | 5,43% |
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