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Empiricus avalia que a inflação brasileira entrou em uma trajetória mais favorável, o que reforça a perspectiva de novos cortes da Selic e muda o jogo na renda fixa

Após meses de revisões sucessivas para cima nas expectativas de inflação, as projeções dos agentes financeiros podem ter atingido um ponto de inflexão na dinâmica dos preços, segundo a Empiricus Research. Se confirmada nas próximas semanas, essa leitura abre espaço para mais cortes na Selic e muda a conta dos investidores de renda fixa.
Até aqui, os títulos atrelados ao IPCA foram os principais beneficiários do cenário inflacionário que se desenhou. Entretanto, uma possível virada da inflação faz com que os prefixados ganhem protagonismo.
Para Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus, os sinais estão no último Relatório Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (6). A projeção para o IPCA (índice de preços oficial do país) de 2026 caiu de 5,33% para 5,30%.
Embora seja apenas uma revisão de 0,03 ponto percentual, para Costa o movimento tem um significado maior: o fim de um ciclo de deterioração das expectativas e o início de uma dinâmica mais favorável para os preços e para os juros no Brasil.
Na visão da casa, o mercado pode ter acabado de cruzar um "ponto de inflexão" para a inflação. E isso muda a lógica de investimento que predominou nos últimos meses.
"Os títulos indexados à inflação reduzem sua atratividade à medida que a inflação muda a trajetória", afirma a analista.
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Se o pior momento para a projeção de inflação futura ficou para trás, os ganhos extras oferecidos pelos papéis atrelados ao IPCA tendem a perder apelo. Em contrapartida, investimentos prefixados com taxas altas passam a ser mais interessantes.
A leitura da Empiricus vai além da revisão observada no Focus.
Segundo a casa, uma série de fatores que pressionaram os preços ao longo do primeiro semestre começa a perder força.
A começar pelos efeitos dos gastos fiscais do governo federal, concentrados na primeira metade do ano. Neste segundo semestre, o calendário eleitoral tende a limitar novas medidas com impacto sobre a demanda e o consumo.
Além disso, parte das pressões provocadas pelo choque nos preços dos combustíveis também tendem a se dissipar. Embora o preço do petróleo tenha atingido um pico de US$ 120 o barril durante o pior momento do conflito entre Estados Unidos e Irã, essa cotação já arrefeceu e voltou no nível de US$ 70 muito antes do esperado pelo mercado.
Costa também avalia que vários dos riscos que vinham alimentando incertezas inflacionárias já estão mais bem mapeados pelo mercado.
É o caso dos impactos climáticos associados ao El Niño, dos efeitos indiretos da alta do petróleo e da própria inércia da inflação corrente — mecanismo pelo qual reajustes de salários, contratos e serviços continuam pressionando os preços mesmo após o fim dos choques que deram origem à inflação.
Um ponto que passa relativamente despercebido nas discussões do mercado, segundo a Empiricus, é o efeito do bônus de Itaipu sobre o índice oficial de preços.
Esse bônus devolve aos consumidores parte dos recursos excedentes da hidrelétrica por meio de descontos nas contas de luz. Como energia elétrica tem peso relevante no IPCA, a medida tende a ajudar a reduzir a inflação de agosto, podendo inclusive levar o índice para o campo negativo, conforme a avaliação de Costa.
Nesta quarta-feira (8), o mundo se volta para o possível fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Ambos os países voltaram a se atacar na região do Estreito de Ormuz, por onde escoa um terço do petróleo global.
Entre ontem, data em que os ataques começaram, e hoje, o preço do petróleo já subiu 10%.
A visão dos agentes financeiros está dividida, segundo a Empiricus. Os pessimistas alegam que é difícil vislumbrar um cessar-fogo real, visto que há muitas divergências entre os dois países: controle de Ormuz, armas nucleares, tensões no Líbano.
Por outro lado, os otimistas argumentam que nenhum dos lados está interessado em retomar a guerra numa escala maior e que a oferta de petróleo ainda pode se expandir.
As taxas dos Treasurys nos EUA estão em alta nesta quarta, diante das pressões inflacionárias e a leitura de um possível aumento dos juros por lá. Por aqui, as taxas do Tesouro Direto acompanham, principalmente nos papéis prefixados, que precificaram a leitura para juros no curto prazo.
Essa guerra já surpreendeu os agentes financeiros em mais de um aspecto e mais de uma vez. A leitura de Costa traz os preços do petróleo como um dos fatores, porém não o único. Além disso, a analista acredita em uma alta limitada da cotação da commodity, que deve se manter na faixa dos US$ 80.
Se a inflação realmente estiver entrando em uma trajetória mais comportada, a consequência natural é a queda dos juros.
A Empiricus espera que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.) na reunião de agosto — e faça o mesmo em setembro.
O corte adicional de 0,25 p.p. Costa considera fora do radar do mercado.
Hoje, boa parte dos agentes financeiros trabalham com cautela em relação à continuidade do ciclo de cortes. Já a Empiricus vê uma probabilidade maior de afrouxamento monetário do que a atualmente embutida nos preços dos ativos.
A projeção da casa é de uma Selic terminal em 13,75% neste ano.
Em ciclos de aceleração inflacionária, a recomendação dos analistas é buscar proteção em títulos indexados ao IPCA. Mas quando a expectativa passa a ser de inflação em desaceleração e juros futuros menores, a lógica muda.
Nesse ambiente, travar taxas elevadas por anos à frente pode se tornar uma estratégia mais atraente. E é exatamente essa a aposta da Empiricus.
Por isso, a casa selecionou dois títulos prefixados no seu "cardápio da semana", argumentando que o investidor ainda consegue capturar retornos bastante elevados antes de uma eventual queda dos juros.
A primeira sugestão é um CDB prefixado do BTG Pactual com vencimento em julho de 2029. O papel oferece rentabilidade de 14,39% ao ano e tem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, considerando o principal e os juros.
CDBs estão sujeitos a imposto de renda, segundo a tabela regressiva, que começa com alíquota de 22,5% para resgates em até seis meses, diminuindo gradativamente até 15% para resgates após dois anos.
O CDB prefixado do BTG Pactual está aberto para o público em geral, e o banco tem uma avaliação de crédito AAA em moeda local pela Fitch Ratings — a maior possível.
A segunda indicação e uma LCA prefixada do Banco ABC, também com vencimento em 2029.
O investimento paga taxa de 12,80% ao ano, mas tem os rendimentos isentos de imposto de renda. Para fins comparativos, se a LCA fosse tributada como o CDB, a taxa de juros equivalente seria de 15,06% ao ano.
O papel também conta com proteção do FGC para aplicações dentro dos limites de garantia. O rating do banco ABC é de AAA em moeda local, pela Moody’s.
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