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Com taxas reais acima de 7% ao ano durante boa parte do semestre, os títulos indexados à inflação ganharam mais tração entre os investidores

A recomendação constante dos gestores e analistas financeiros de que a taxa real paga pelos títulos indexados à inflação do Tesouro Direto são imperdíveis não passou despercebida pelos investidores pessoas físicas.
Dados do semestre mostram que os investidores aproveitaram a oportunidade para aumentar a exposição a todos os títulos indexados à inflação — Tesouro IPCA+, Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+ — em comparação com o mesmo período do ano passado.
O salto de compras mais significativo foi do Tesouro Educa+, que disparou quase 80% entre janeiro e junho, em comparação com o primeiro semestre de 2025. Entretanto, a base é pequena (R$ 1,19 bilhão) em relação aos pares e representa uma fatia reduzida do Tesouro Direto.
Quando se olha para o volume como um todo, o Tesouro IPCA+, considerando os títulos com e sem juros semestrais, teve uma alta de compras quase na mesma proporção (73%) e ficou em segundo lugar no total vendido no primeiro semestre.
As vendas nos diferentes vencimentos somaram R$ 18,8 bilhões em comparação aos R$ 10,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Foi o maior avanço entre as grandes categorias de títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto.
Por fim, temos o Tesouro Renda+, que teve um aumento de vendas de 50% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Os papéis somaram R$ 3,90 bilhões vendidos neste ano — uma base maior que o Educa+, mas ainda pequena em relação aos pares.
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O salto dos títulos indexados à inflação chama a atenção porque ocorre em um momento em que os juros reais desses papéis ultrapassaram um prêmio de 7% ao ano na maior parte dos vencimentos. Alguns chegaram a superar a marca de 8%, atraindo investidores dispostos a travar retornos elevados por prazos mais longos.
| Título/Família | 1S25 | 1S26 | Variação |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | R$ 24,94 bilhões | R$ 30,67 bilhões | +23,0% |
| Família Prefixado* | R$ 6,84 bilhões | R$ 10,34 bilhões | +51,3% |
| Família IPCA+** | R$ 10,88 bilhões | R$ 18,82 bilhões | +72,9% |
| Tesouro Educa+ | R$ 665,9 milhões | R$ 1,19 bilhão | +79,4% |
| Tesouro RendA+ | R$ 2,60 bilhões | R$ 3,90 bilhões | +49,9% |
O dado mais importante da tabela talvez não seja o crescimento de 73% do IPCA+, mas o fato de que, em valor absoluto, as vendas deste papel se aproximaram um pouco mais do líder absoluto de captação do Tesouro Direto.
Embora o Tesouro Selic siga ocupando o primeiro lugar com R$ 30,7 bilhões em vendas no semestre, seu crescimento em relação ao mesmo período do ano passado foi o menor frente a todos os outros títulos (23%). Além disso, a distância para o Tesouro IPCA+ diminuiu consideravelmente.
O volume vendido pelos títulos indexados à inflação como um todo (Tesouro Educa+, Tesouro Renda+ e Tesouro IPCA+) já corresponde a cerca de 77,95% das vendas do Tesouro Selic, proporção significativamente superior à observada um ano antes (56,7%).
A demanda ganhou força justamente quando as taxas reais dos papéis indexados à inflação chegaram aos níveis mais elevados do semestre.
Somente em junho, os papéis IPCA+ captaram cerca de R$ 6,05 bilhões, o equivalente a um quarto de tudo o que foi vendido pela categoria entre janeiro e junho.
A taxa média do Tesouro IPCA+ com maior liquidez, que é o de vencimento em 2032, saiu de 7,56% no começo das suas negociações no Tesouro Direto, em fevereiro, para 8,50% em meados de junho.
O Tesouro Educa+ e Renda+ de prazos semelhantes acompanharam essa trajetória.
Neste mês, o Tesouro Selic perdeu sua coroa para o Tesouro IPCA+. Enquanto o título atrelado a Selic vendeu R$ 4,16 bilhões em junho, o Tesouro IPCA+ — com e sem juros semestrais somados — vendeu R$ 5,07 bilhões.
Um outro detalhe importante de mencionar sobre a performance do Tesouro Direto no primeiro semestre de 2026 é a chegada do Tesouro Reserva.
O título público é a nova aposta do Tesouro Nacional para a reserva de emergência do brasileiro. Assim como o Tesouro Selic, ele é indexado à taxa Selic e paga 100% do juro básico.
Entretanto, o papel tem dois diferenciais relevantes: ele funciona 24 horas, 7 dias por semana (enquanto o Tesouro Selic só opera em dias úteis e horário comercial) e não tem oscilação de preço.
O Tesouro Reserva foi lançado para o público em geral na segunda quinzena de maio. Até o momento o papel está sendo ofertado apenas pelo Banco do Brasil. No entanto, o volume de vendas chama a atenção.
De maio a junho, o Tesouro Reserva já vendeu R$ 3,95 bilhões, quase metade das vendas do Tesouro Selic (R$ 8,91 bilhões) no mesmo período. Considerando que o papel ainda é uma exclusividade do banco estatal, é um volume bastante significativo.
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