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Tesouro Direto: compras de Tesouro IPCA+ disparam 73%, mas maior alta vem dos títulos voltados para a educação

Com taxas reais acima de 7% ao ano durante boa parte do semestre, os títulos indexados à inflação ganharam mais tração entre os investidores

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Baú cheio de moedas, com a logo do Tesouro Nacional ao lado. - Imagem: Canva | Montagem: Maria Eduarda Nogueira

A recomendação constante dos gestores e analistas financeiros de que a taxa real paga pelos títulos indexados à inflação do Tesouro Direto são imperdíveis não passou despercebida pelos investidores pessoas físicas.

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Dados do semestre mostram que os investidores aproveitaram a oportunidade para aumentar a exposição a todos os títulos indexados à inflação — Tesouro IPCA+, Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+ — em comparação com o mesmo período do ano passado.

O salto de compras mais significativo foi do Tesouro Educa+, que disparou quase 80% entre janeiro e junho, em comparação com o primeiro semestre de 2025. Entretanto, a base é pequena (R$ 1,19 bilhão) em relação aos pares e representa uma fatia reduzida do Tesouro Direto.

Quando se olha para o volume como um todo, o Tesouro IPCA+, considerando os títulos com e sem juros semestrais, teve uma alta de compras quase na mesma proporção (73%) e ficou em segundo lugar no total vendido no primeiro semestre.

As vendas nos diferentes vencimentos somaram R$ 18,8 bilhões em comparação aos R$ 10,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Foi o maior avanço entre as grandes categorias de títulos públicos negociados na plataforma do Tesouro Direto.

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Por fim, temos o Tesouro Renda+, que teve um aumento de vendas de 50% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Os papéis somaram R$ 3,90 bilhões vendidos neste ano — uma base maior que o Educa+, mas ainda pequena em relação aos pares.

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O salto dos títulos indexados à inflação chama a atenção porque ocorre em um momento em que os juros reais desses papéis ultrapassaram um prêmio de 7% ao ano na maior parte dos vencimentos. Alguns chegaram a superar a marca de 8%, atraindo investidores dispostos a travar retornos elevados por prazos mais longos.

Quanto cada título vendeu no semestre

Título/Família 1S25 1S26 Variação 
Tesouro Selic R$ 24,94 bilhões R$ 30,67 bilhões +23,0% 
Família Prefixado* R$ 6,84 bilhões R$ 10,34 bilhões +51,3% 
Família IPCA+** R$ 10,88 bilhões R$ 18,82 bilhões +72,9% 
Tesouro Educa+ R$ 665,9 milhões R$ 1,19 bilhão +79,4% 
Tesouro RendA+ R$ 2,60 bilhões R$ 3,90 bilhões +49,9% 
**Total inclui Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.  
*Total inclui Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais. 
Fonte: Tesouro Nacional 

Tesouro Selic é o carro-chefe do Tesouro Direto

O dado mais importante da tabela talvez não seja o crescimento de 73% do IPCA+, mas o fato de que, em valor absoluto, as vendas deste papel se aproximaram um pouco mais do líder absoluto de captação do Tesouro Direto.

Embora o Tesouro Selic siga ocupando o primeiro lugar com R$ 30,7 bilhões em vendas no semestre, seu crescimento em relação ao mesmo período do ano passado foi o menor frente a todos os outros títulos (23%). Além disso, a distância para o Tesouro IPCA+ diminuiu consideravelmente.

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O volume vendido pelos títulos indexados à inflação como um todo (Tesouro Educa+, Tesouro Renda+ e Tesouro IPCA+) já corresponde a cerca de 77,95% das vendas do Tesouro Selic, proporção significativamente superior à observada um ano antes (56,7%).

Junho concentrou a arrancada do Tesouro IPCA+

A demanda ganhou força justamente quando as taxas reais dos papéis indexados à inflação chegaram aos níveis mais elevados do semestre.

Somente em junho, os papéis IPCA+ captaram cerca de R$ 6,05 bilhões, o equivalente a um quarto de tudo o que foi vendido pela categoria entre janeiro e junho.

A taxa média do Tesouro IPCA+ com maior liquidez, que é o de vencimento em 2032, saiu de 7,56% no começo das suas negociações no Tesouro Direto, em fevereiro, para 8,50% em meados de junho.

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O Tesouro Educa+ e Renda+ de prazos semelhantes acompanharam essa trajetória.

Neste mês, o Tesouro Selic perdeu sua coroa para o Tesouro IPCA+. Enquanto o título atrelado a Selic vendeu R$ 4,16 bilhões em junho, o Tesouro IPCA+ — com e sem juros semestrais somados — vendeu R$ 5,07 bilhões.

Concorrência do Tesouro Reserva

Um outro detalhe importante de mencionar sobre a performance do Tesouro Direto no primeiro semestre de 2026 é a chegada do Tesouro Reserva.

O título público é a nova aposta do Tesouro Nacional para a reserva de emergência do brasileiro. Assim como o Tesouro Selic, ele é indexado à taxa Selic e paga 100% do juro básico.

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Entretanto, o papel tem dois diferenciais relevantes: ele funciona 24 horas, 7 dias por semana (enquanto o Tesouro Selic só opera em dias úteis e horário comercial) e não tem oscilação de preço.

O Tesouro Reserva foi lançado para o público em geral na segunda quinzena de maio. Até o momento o papel está sendo ofertado apenas pelo Banco do Brasil. No entanto, o volume de vendas chama a atenção.

De maio a junho, o Tesouro Reserva já vendeu R$ 3,95 bilhões, quase metade das vendas do Tesouro Selic (R$ 8,91 bilhões) no mesmo período. Considerando que o papel ainda é uma exclusividade do banco estatal, é um volume bastante significativo.

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