Tesouro Direto: A ‘janela de ouro’ do Tesouro IPCA+, que pode render até 91% com a queda dos juros
Relatório da XP recomenda a janela estratégica rara nos títulos indexados à inflação e indica os dois títulos preferidos da casa

Não é de hoje que os analistas de renda fixa recomendam a compra dos títulos públicos atrelados à inflação, conhecidos como Tesouro IPCA+ no Tesouro Direto. Mas agora, a XP alerta para uma “oportunidade rara” de travar bons retornos com esses papéis, pois o cenário está prestes a virar.
Há pelo menos dois anos, o movimento do Banco Central vinha sendo de aumentar os juros, levando a taxa Selic a 15% ao ano. A inflação também estava mais pressionada, acima de 5% por meses consecutivos.
Mas esse contexto vai mudar. A partir de março, o Banco Central dará início ao ciclo de corte dos juros. Dos 15% atuais, a taxa Selic deve fechar o ano em 12%. Isso significa uma grande virada para o título indexado ao IPCA.
Essa transição de juros altos para patamares menores é o combustível necessário para valorizar os papéis Tesouro IPCA+ que já estiverem na carteira do investidor, segundo a XP.
Em relatório, a equipe da analista Camille Dolle afirma que a janela estratégica atual prevê duas formas de valorização para os títulos atrelados à inflação:
- os ganhos com o carrego, levando o papel até o vencimento; e
- ganhos com a valorização do preço na venda antecipada.
Juros caiu, bolso encheu
Para entender por que o Tesouro IPCA+ é a “oportunidade do momento”, é preciso entender como funciona a renda fixa.
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Os preços dos papéis de renda fixa prefixada e indexada à inflação — sejam eles públicos, como o Tesouro IPCA+ do Tesouro Direto, ou privados, como CDBs, LCIs, LCAs, CRIs e CRAs — têm uma correlação negativa com as taxas de juros e, consequentemente, com seu patamar de remuneração.
Quando os juros de mercado caem, embutindo uma perspectiva de queda na taxa Selic, as taxas (remunerações) dos títulos prefixados e IPCA+ também caem, e seus preços de mercado sobem; já quando os juros de mercado sobem, as taxas desses mesmos títulos também sobem, e seus preços de mercado caem. Esse fenômeno é conhecido como marcação a mercado.
Quem tem um título desse tipo na carteira consegue visualizar, dia a dia, se o papel se valorizou ou desvalorizou desde a compra. Isso impacta o investidor diretamente caso ele deseje vender o papel antes do vencimento, pois a venda é sempre feita a preços e taxas de mercado.
Assim, ao fazer o resgate, é possível ganhar com a valorização ou perder com a desvalorização do papel, conforme o caso.
Já para quem leva o título ao vencimento, as oscilações de preço e taxa acabam não importando, pois ao final do prazo, o investidor recebe exatamente a taxa contratada na hora da compra.
- LEIA TAMBÉM: Tesouro Prefixado ou Tesouro IPCA+? O que dizem as recomendações de renda fixa e Tesouro Direto para janeiro
Lucro com a marcação a mercado
O estudo da XP avaliou os últimos 20 anos e mostrou que, para cada um ponto percentual de queda na Selic, os títulos de inflação registraram uma valorização média adicional no mês de corte.
Os de curto prazo (até cinco anos) ganharam 0,4% a mais no mês, enquanto os longos (acima de cinco anos) chegaram até 1,20% de valorização adicional.
É um efeito multiplicador que beneficia quem se posiciona antes do corte nos juros pelo Banco Central.
Conforme a Selic cai, a taxa real (prefixada) paga pelos títulos públicos indexados ao IPCA também tende a diminuir. O efeito direto é a valorização do preço do papel.
Atualmente, a maior parte dos títulos Tesouro IPCA+, do Tesouro Direto, negociam com taxas reais acima de 7% ao ano (o tal do IPCA + 7%).
Assumindo a queda dessa taxa para os níveis históricos, de 5% ao ano, a valorização potencial de preço varia de +13% no Tesouro IPCA+ 2032 a +91% no papel 2060, segundo a XP.
Segundo a marcação a mercado, a oportunidade está em comprar esse título “mais barato” agora para vê-lo valorizar assim que o mercado começar a ajustar os juros para baixo e embolsar o lucro com a venda antes do vencimento.
Mas essa não é a única estratégia possível…
O dilema do investidor: lucro rápido ou tranquilidade no longo prazo?
Embora o ganho com a valorização no preço seja tentador, a estratégia recomendada pela XP é a de carregar até o vencimento do título.
Ao comprar Tesouro IPCA+ agora e segurar o papel até o final, a taxa contratada (7% de juros + correção da inflação no período) é garantida.
Não importa se a Selic aumentou, caiu ou ficou igual. O pagamento será exatamente o contratado. E essa taxa de 7% de juro real não é um retorno trivial.
Considerando a faixa de 4% da inflação atual, estamos falando de um retorno anual de 11% em um título público, garantido pela União.
Com o passar dos anos, esses juros se acumulam devido ao efeito juros sobre juros, comum aos investimentos, e tornam esse retorno muito maior. Quanto maior o prazo, maior o retorno.
Para facilitar a visualização do poder desses juros compostos, a XP estimou o potencial de retorno acumulado em diferentes prazos:
| Prazo do Tesouro IPCA+ | Inflação média projetada | Retorno potencial no vencimento |
|---|---|---|
| 2026 | 4,0% | 11,3% |
| 2028 | 4,0% | 37,8% |
| 2032 | 4,0% | 111,3% |
| 2035 | 4,0% | 191,2% |
Já a marcação a mercado é uma faca de dois gumes.
Da mesma forma que é possível lucrar com a venda do título antes do vencimento no caso de os juros caírem, se a Selic subir de novo o resultado poderá ser prejuízo.
De acordo com a XP, o Tesouro IPCA+ 2060 pode render 91% se o juro real cair de 7% para 5%, mas pode amargar uma perda de 47% se a taxa prefixada subir para 9%, por exemplo.
Enquanto o ganho imediato é atrativo, a manutenção do título até o vencimento potencializa o efeito da taxa histórica, podendo quase triplicar o capital investido em pouco mais de uma década: 191,2% de retorno em 2035.
Vale lembrar que taxas reais de 7% no Tesouro IPCA+ estão próximas às máximas históricas e não aparecem com tanta frequência.
Em qual Tesouro IPCA+ investir?
Para aproveitar essa janela de queda dos juros, a XP destaca os títulos com vencimentos entre 2029 e 2040 como as melhores oportunidades.
- Tesouro IPCA+ 2029: É o título “ideal” para quem busca um equilíbrio entre prazo e rentabilidade. Ele apresenta taxas acima da média, o que significa uma oportunidade de correção e lucro para quem quer vender antecipado, mas também bom retorno para quem levar até o vencimento.
- Tesouro IPCA+ 2040: Este é o favorito da XP para quem quer capturar o prêmio máximo. Por ser um título mais longo, ele possui maior sensibilidade aos movimentos da curva de juros — o que significa que, se os juros caírem, ele valoriza muito mais rápido que os títulos curtos. Além disso, oferece um dos maiores retornos para o longo prazo.
Além destes, a XP também menciona o Tesouro IPCA+ 2032 e 2033 em sua carteira recomendada de renda fixa, ressaltando que prazos intermediários de até seis anos são escolhas sólidas para quem deseja proteger o poder de compra com um retorno consistente.
Nenhum dos dois papéis, no entanto, está disponível na plataforma do Tesouro Direto, apenas no mercado secundário, para compra na plataforma da corretora ou via mesa de operações.
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