Nu Asset aproveita ‘boom’ do Tesouro IPCA+ para lançar três ETFs de inflação; o que esses ativos têm de diferente?
Os novos fundos de índice da gestora do Nubank começam a ser negociados na sexta-feira (17) com o valor de R$ 50 por cota

O Nubank (ROXO34) já conquistou milhões de investidores com produtos de renda fixa dentro do aplicativo. Agora, a Nu Asset, gestora do grupo, está mirando um público mais sofisticado com o lançamento de três Exchange Traded Funds (ETFs) — ou no português claro: fundos de índice — que replicam o Tesouro IPCA+, o título que empresta dinheiro para o governo federal com retorno à inflação.
Batizados como Nu Tesouro IPCA e com os tickers NB0211, NB0511 e NB1011, os novos produtos começam a ser negociados na B3 nesta sexta-feira (17) e têm uma proposta diferente da dos ETFs tradicionais de inflação.
Mas antes de entrar no detalhe sobre os ETFs da Nu Asset, cabe uma explicação rápida sobre esse tipo de ativo.
Um ETF é um fundo de investimento cuja carteira e o retorno acompanham a composição de um índice de mercado.
No caso desses novos fundos da Nu Asset, a B3 criou três índices que replicam os títulos públicos atrelados à inflação (veja melhor a seguir).
As cotas dos ETFs são negociadas em bolsa, como se fossem ações, mesmo quando os ativos da carteira são de renda fixa.
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E justamente por esses fundos serem negociados na bolsa de valores, o investidor pode comprar e vender quando quiser.
Os três lançamentos da Nu Asset não são exatamente uma novidade por serem ETFs de inflação. Já existem outros ativos no mercado que replicam índices compostos por Tesouro IPCA+, inclusive os que têm um único vencimento.
Porém, em vez de acompanhar uma cesta ampla de títulos públicos (como o índice IMA-B), uma cesta de títulos com vários vencimentos curtos (IMA-B 5) ou longos (IMA-B 5+) ou um único vencimento, cada ETF da Nu Asset foi criado para representar um ponto específico da curva de juros reais brasileira, com exposições equivalentes a prazos de dois (NB0211), cinco (NB0511) e dez anos (NB1011).
O que muda em relação ao investimento no Tesouro IPCA+?
A principal novidade dos novos ETFs está no conceito de duration constante, como explicou Andrés Kikuchi, diretor executivo da Nu Asset, durante coletiva à imprensa nesta quinta-feira (16).
Embora seja um jargão financeiro bastante técnico, a lógica é que, quando um investidor compra um Tesouro IPCA+ individual, o prazo do título vai diminuindo à medida que o tempo passa.
Por exemplo, um investimento no Tesouro IPCA+ com vencimento em cinco anos hoje, daqui a um ano, não será mais um investimento de cinco anos, mas de quatro. Um ano depois, passará a ser um papel de três anos, e assim por diante.
Com os novos ETFs, a ideia é diferente. Em vez de deixar o prazo do investimento diminuir naturalmente, os fundos fazem ajustes periódicos na carteira para continuar se comportando como uma aplicação de dois, cinco ou dez anos.
É o mesmo que outros ETFs já fazem para se manterem com durations curtas ou longas, mas agora para manter uma mesma duration específica, de uma determinada quantidade de anos.
Na prática, isso significa que o investidor escolhe o nível de sensibilidade aos juros que deseja carregar.
O NB02 busca manter o comportamento de um investimento de curto prazo e oferece menor volatilidade. Já o NB10 acompanha uma ponta mais longa dos juros reais e tende a oscilar mais devido à movimentação das taxas.
O NB05 fica no meio do caminho e tenta reproduzir o trecho intermediário da curva de juros.
Segundo a Nu Asset, essa estrutura dá mais previsibilidade para quem investe em títulos indexados ao IPCA, já que o perfil de risco do fundo permanece praticamente o mesmo ao longo do tempo.
Objetivo é a proteção contra a inflação
O diretor executivo da Nu Asset destaca que os ETFs são uma estratégia para o investidor se proteger dos efeitos inflacionários.
Na visão de Kikuchi, os títulos indexados à inflação têm cada vez chamado mais a atenção do investidor comum devido à preservação do poder de compra. "O grande ativo da renda fixa brasileira é o atrelado ao IPCA", defende.
O executivo também destaca que o lançamento acontece em um momento favorável para o investimento em títulos atrelados à inflação.
Isso porque os juros reais disponíveis atualmente estão entre os mais elevados dos últimos anos, com títulos oferecendo remuneração próxima de IPCA +7% ou IPCA +8% ao ano.
A participação da B3
Como dito anteriormente, os ETFs são fundos que replicam índices. Portanto, para viabilizar os produtos, a B3 lançou três novos índices de renda fixa focados em inflação:
- Tesouro IPCA Prazo Médio 2 anos (IB3 TPCA-PM2);
- Tesouro IPCA Prazo 5 anos (IB3 TPCA-P5);
- Tesouro IPCA Prazo 10 anos (IB3 TPCA-P10).
Durante o bate-papo com jornalistas, Hênio Scheidt, gerente de Produtos da B3, destacou que são os primeiros índices da bolsa brasileira focados especificamente no acompanhamento de diferentes pontos da curva de juros.
Os indicadores acompanham carteiras do Tesouro IPCA+ com exposições equivalentes a dois, cinco e dez anos.
Cada índice é composto por cinco títulos públicos selecionados para manter a exposição próxima ao prazo-alvo definido pela metodologia.
Segundo a B3, o objetivo é permitir que o investidor acompanhe e acesse diferentes trechos da curva de juros reais de forma mais transparente.
Os três ETFs da Nu Asset, que replicam os índices, têm cota inicial de R$ 50 e taxa de administração de 0,19% ao ano.
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