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SIMULAÇÃO

Tesouro IPCA+ vs. Poupança: quanto rendem R$ 10 mil no título do Tesouro Direto que paga 8% acima da inflação contra a caderneta

Juro real no título público indexado à inflação é histórico e pode mais que triplicar o patrimônio em prazos mais longos; confira

Quanto rendem R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ e na Poupança? Imagem: Freepik

As taxas dos títulos indexados à inflação do Tesouro Direto estão em máximas históricas, pagando um juro real (acima da inflação) na faixa de 7% a 8%. Mas, afinal, o que isso significa em termos de rentabilidade para o investidor?

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Simulações mostram que, neste patamar de taxa, com uma inflação média anual de 5%, o investidor consegue dobrar o patrimônio investido em cerca de sete anos.

O título de menor prazo na plataforma do Tesouro Direto atualmente é o Tesouro IPCA+ 2032, que está oferecendo 8,20% de juro real nesta quinta-feira (9).

Ainda que, no futuro, o Banco Central atinja a meta de inflação de 3%, este título continuaria pagando mais de 11% de retorno ao ano (8,2% real + 3% de inflação).

Entretanto, como a inflação histórica do Brasil é de 5%, esse retorno nominal tende a se manter mais perto da casa dos 13% ao ano — mais de 1% ao mês.

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E a poupança?

Trata-se de uma realidade muito diferente da poupança por alguns motivos, mas o principal problema é que a caderneta não protege o investidor da inflação.

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Seu rendimento é limitado por uma fórmula que nem sequer acompanha o juro básico do país, a taxa Selic.

Em períodos que os juros estão acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança fica limitado a Taxa Referencial (que costuma girar em torno de 0,1% ao mês) mais um juro de 0,5% ao mês — ou seja, cerca de 6% ao ano.

Considerando os valores oferecidos pelo Tesouro Direto atualmente, somente o juro real do Tesouro IPCA+ já é maior que o retorno da poupança. Ou seja, o título público atrelado à inflação paga o rendimento da poupança só em prêmio e ainda corrige o investimento principal pela inflação.

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“Ah, mas a poupança é mais segura”, você pode estar pensando.

Embora a poupança conte com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Tesouro IPCA+ tem o governo federal como emissor e é considerado uma das aplicações de menor risco da economia brasileira.

Em outras palavras, em termos de risco de crédito, títulos públicos, como o Tesouro IPCA+, são até mais seguros que a caderneta.

Tesouro IPCA+ vs. Poupança

O Seu Dinheiro simulou quanto um juro real de 7% a 8% rende ao longo do tempo em um investimento no Tesouro IPCA+ comparado à poupança. Para a simulação, consideramos um aporte inicial de R$ 10 mil e uma inflação média de 5% ao ano.

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Com relação aos prêmios dos títulos do Tesouro Direto, o juro real utilizado foi o registrado no dia 9 de julho.

Prazo curto: 6 anos

Com um juro real de 8,20% em 9/07/2026, em seis anos o Tesouro IPCA + 2032 entrega um ganho líquido de R$ 9.828,47, já descontados os 15% de imposto de renda.

Ou seja, no vencimento da aplicação, o saldo do investidor seria de R$ 19.828,47 (principal + juros), um retorno de 98,28 % ante o valor inicial — basicamente o dobro da aplicação.

Segundo a simulação no site do Tesouro Direto, considerando a cobrança de imposto, a rentabilidade líquida do período investido seria 11,9% ao ano, praticamente 1% ao mês.

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Se o investimento fosse na poupança, em seis anos o ganho líquido em cima de R$ 10 mil seria de R$ 5.199,40. Mesmo com a isenção de IR da caderneta, o retorno é muito abaixo do entregue pelo Tesouro IPCA+, totalizando cerca de 52% no período.

Prazo médio: 14 anos

Considerando os R$ 10 mil aplicados, com um retorno contratado de IPCA + 7,60% ao ano, o retorno líquido do Tesouro IPCA+ 2040 seria de R$ 37.272,76. Ou seja, o montante inicial aumentou em mais de quatro vezes para um valor final de R$ 47.272,76.

A simulação do Tesouro Direto indica que a rentabilidade anual, descontado o imposto de renda, seria de 11,68% ao ano, muito próxima do retorno do título com juro real de 8,2%

No caso da aplicação na poupança, o retorno líquido anual continua o mesmo, de 7,11% ao ano. O ganho líquido total ficaria limitado a R$ 26.275,29, pouco mais que o dobro aplicado 14 anos antes.

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Inflação longa: 24 anos

Para quem tem visão de longo prazo mesmo, um dos vencimentos mais distantes do Tesouro Direto atualmente é o do Tesouro IPCA + 2050. Neste caso, o investidor conseguiria travar um juro real de 7,26% por mais de duas décadas.

Em prazos tão distantes, a corrosão da inflação é um dos principais riscos em um investimento. Entretanto, o título público não tem esse problema porque a sua premissa é manter o poder de compra do valor aplicado.

O risco, neste caso, se torna outro: a volatilidade do papel ao longo do tempo.

É necessário ter um apetite maior a risco para conseguir aplicar e segurar o investimento na carteira por tanto tempo. Caso consiga, a recompensa financeira é significativa: o retorno líquido dos R$ 10 mil investidos pode chegar a R$ 140.719,57 no vencimento.

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Este valor considera um juro real contratado de 7,26% ao ano, que gera uma rentabilidade anual líquida de 11,63%.

Novamente, a poupança manteria os 7,11% de rentabilidade anual pelos 24 anos aplicados. O retorno no prazo final seria de R$ 52.132,78 — um pouco maior do que o Tesouro IPCA+ 2040 pagaria com o mesmo valor de aporte.

Risco vs. Oportunidade

Todas essas simulações levam em consideração o ganho contratado para o vencimento. Caso o investidor realmente segure o título até o fim, esse é um retorno garantido.

Embora essas taxas tão esticadas, em níveis recordes, reflitam uma avaliação de risco para a economia do país, com os agentes financeiros preocupados com o desequilíbrio fiscal e incertezas políticas, gestores não veem chances de um “calote” da dívida interna pelo governo federal.

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André Leite, CIO da TAG Investimentos, afirmou no mais recente podcast Touros e Ursos que “nenhum governo com dois neurônios daria um calote na dívida interna", destacando que uma medida dessa seria um erro político e econômico autodestrutivo.

A grande questão com esses títulos do Tesouro Direto é a capacidade de levar o papel ao vencimento. Isso porque os títulos públicos têm um comportamento oscilante no dia a dia. Os preços variam mais ou menos como acontece com as ações.

Novos dados de inflação, taxa de desemprego, aumento ou queda significativa no câmbio, impactam as expectativas do mercado em relação aos juros e à inflação no futuro — e, consequentemente, influenciam os preços dos títulos.

Se o investidor tiver estômago para essas oscilações, os possíveis ganhos estão aí, registrados nas simulações.

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Assista também: Tesouro IPCA+ a 8%: mina de ouro ou bomba-relógio:

Onde investir no Tesouro Direto: vencimentos médios ou longos?

A escolha do prazo depende do objetivo e da capacidade do investidor de resistir aos solavancos do mercado.

De modo geral, a indicação dos especialistas é de levar os títulos até o vencimento e não de tentar ganhar com a possível valorização nos preços, vendendo-os antes do vencimento.

Por isso, considerar o horizonte de investimento do investidor é importante.

Neste momento, casas como BTG Pactual, XP, Empiricus e outras têm uma recomendação para os títulos de curto e médio prazo, com vencimentos até seis anos.

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Entretanto, para quem mira em alocações para a aposentadoria, especialistas recomendam os vencimentos longos, como 2040 ou 2050. Há também a possibilidade de alocar nos títulos indexados à inflação do Tesouro Direto que é próprio para a aposentadoria, o Tesouro Renda+.

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