Retornos acima de 100% do CDI com crédito privado? O que está por trás do crescimento dos FIDCs
No Touros e Ursos desta semana, Daniel Belem, gestor de fundos estruturados de crédito da BTG Asset, fala sobre a oportunidade que esse instrumento de renda fixa oferece

Para muitos investidores, a sigla FIDC pode soar como outro idioma, mas a realidade é que esse segmento de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios já faz parte do mercado financeiro há 25 anos e nunca esteve tão grande.
No podcast Touros e Ursos, Daniel Belem, gestor de fundos estruturados de crédito da BTG Pactual Asset Management, conta como essa indústria alcançou o marco histórico de R$ 800 bilhões em patrimônio, superando até mesmo o total investido em fundos de ações no Brasil.
Um dos marcos para esse crescimento acelerado foi uma mudança nas regras há dois anos, quando o regulador permitiu que o investidor comum pudesse aplicar seu dinheiro em FIDCs. Até aquele momento, esses fundos eram restritos aos investidores muito ricos.
Segundo Belem, o setor deve ultrapassar a marca de R$ 1 trilhão em breve, em linha com a demanda das empresas que buscam cada vez mais captar recursos diretamente no mercado de capitais, em vez de depender apenas dos bancos tradicionais.
Como funcionam os FIDCs
Na prática, um FIDC é um veículo financeiro que reúne diversos tipos de dívidas de pessoas ou empresas — como parcelas de um carro ou um empréstimo consignado.
O grande diferencial desse modelo em relação a outros fundos de crédito tradicionais é a possibilidade de criar camadas de segurança para quem investe. Os FIDCs apresentam três tipos de cotas: subordinada, mezanino e sênior.
Leia Também
Cada uma dessas cotas apresenta um risco diferente para o investidor, com retornos proporcionais a esse risco.
Normalmente, a empresa que cedeu suas dívidas ao FIDC compra parte das cotas subordinadas e fica com a "primeira fatia do prejuízo". No caso de calote nos pagamentos, essa empresa perde dinheiro primeiro, protegendo o investidor comum que está na categoria mais segura, a cota sênior.
Para Belem, esse é um dos principais diferenciais dos FIDCs. Além de colocar o emissor das cotas “dentro do jogo”, como um possível perdedor em caso de prejuízo e criando um alinhamento de interesses, oferece camadas de proteção ao investidor.
“[O emissor] tem todo o interesse do mundo em garantir que as dívidas ali dentro sejam de boa qualidade e que os devedores sejam bons pagadores. Isso evita negócios ruins, já que o próprio capital está servindo de escudo para proteger o dinheiro dos outros investidores”, afirmou Belem.
Outra proteção é a pulverização do crédito. Em vez de emprestar para uma grande empresa que pode ter problemas, os FIDCs tem milhares de pequenos devedores diferentes, com créditos diferentes também.
Belém menciona que a BTG Asset gerencia carteiras com milhares de ativos. Na prática, isso significa que, se alguns poucos devedores não pagarem, o impacto na performance do fundo é pequeno.
Do risco baixo ao lucro mais alto
Quando falamos em rentabilidade, o grande atrativo dos FIDCs é a capacidade de entregar ganhos que superam o CDI, que é a principal taxa de referência para investimentos no Brasil.
No entanto, o retorno varia de acordo com o nível de risco, determinado pela cota que o investidor tem.
Nas cotas mais seguras, as sêniores, Belem afirma que o retorno costuma ficar entre 1% e 2% acima do CDI. Um exemplo comum são os FIDCs que compram os direitos creditórios de consignados para aposentados do INSS.
Como esse empréstimo tem desconto na folha de pagamento, o risco de inadimplência é menor. A parcela arriscada do negócio fica nas cotas mezanino e subordinada, principalmente.
A cota mezanino é um meio-termo entre as seniores e as subordinadas. Nela os investidores podem optar por um risco um pouco maior, mas ter um retorno melhor também, entre 2% e 3% acima do CDI.
Para quem busca lucros maiores e aceita correr mais riscos, as cotas subordinadas pagam mais de 4% do CDI. Porémé a parcela mais exposta a eventos de crédito. No caso de problemas, são os donos dessas cotas que ficam sem receber, para que os investidores das cotas seniores e mezaninos recebam.
Embora tenha esse mecanismo de proteção, Belem destaca que o investidor deve ter um cuidado maior de pesquisar em qual FIDC vai colocar seu dinheiro. É importante entender quais são as dívidas dentro do portfólio (consignado, financiamento para veículos, cartão de crédito), qual a empresa que cedeu e o histórico de inadimplência.
Apolo FIDC
Além disso, a experiência do gestor do FIDC também é algo que vale a pena saber, segundo Belem. O Apolo FIDC, por exemplo, é o carro-chefe da BTG Asset e foca em operações com empresas e devedores que já possuem um histórico consolidado.
Com quase um ano de operação, o fundo já tem mais de R$ 1,5 bilhão em patrimônio, entregando cerca de 2,7% de retorno acima do CDI. Belem afirma que o FIDC tem 45 ativos de diferentes operações de crédito e originadores, para entregar diversificação e mais segurança.
"No Apolo não é para ter aventura, não é para ter caso novo. São originadores que a gente conhece e estruturas com as quais já estamos bem familiarizados. Fomos bem seletivos na alocação", disse o gestor.
O fundo está aberto para investimento pelo público geral, com regra de resgate D+90, ou seja, 90 dias para a conversão financeira. Este prazo é para proteger os cotistas em cenários de necessidade de liquidez no mercado de crédito, diz Belem.
Touros e Ursos da Semana
Para fechar o programa, o quadro Touros e Ursos trouxe os destaques positivos e negativos, respectivamente, da semana.
O grande Urso da edição foi o Nubank, que protagonizou um erro operacional "bizarro” — nas palavras da própria fundadora — ao enviar mensagens para os clientes dizendo que estava sendo liquidado.
Outro destaque negativo foi para o estresse nos títulos públicos do governo (Tesouro IPCA+), que voltaram a pagar taxas de juros reais muito elevadas, acima de 8% ao ano, devido à desconfiança com a economia.
No lado dos Touros, o destaque máximo foi Elon Musk, que se tornou o primeiro trilionário do mundo após o sucesso do lançamento das ações da sua empresa de foguetes, a SpaceX.
Também brilhou o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que trouxe alívio para as bolsas e fez o preço do petróleo cair, animando os investidores ao redor do mundo.
Confira o episódio completo do Touros e Ursos
CARTEIRA RECOMENDADA
CDI, prefixado ou IPCA+? Veja onde investir na renda fixa diante da expectativa de juros menores daqui para frente
10 de setembro de 2026 - 10:32SD EXPLICA
Tesouro IPCA+ 8%: o título com a maior taxa é realmente a melhor escolha no Tesouro Direto?
8 de setembro de 2026 - 19:05RENDA FIXA
Prefixado ou IPCA+: qual investimento de renda fixa tem mais a ganhar se as eleições derrubarem os juros?
8 de setembro de 2026 - 17:33DEVO, NÃO NEGO
O Brasil vai dar calote na dívida pública? Entenda se o governo pode deixar de pagar os títulos do Tesouro Direto
7 de setembro de 2026 - 7:05IPCA vs. CDI
Títulos IPCA+ batem o CDI em agosto e rendem mais de 1% no mês; veja os destaques
2 de setembro de 2026 - 19:40DIVERSIFICAÇÃO DE MOEDA
Vale a pena investir em dólar quando a Selic está pagando 14% ao ano? Veja por que aplicar agora e quanto a moeda estrangeira pode render
1 de setembro de 2026 - 16:15TESOURO DIRETO
Dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 ficou parado na conta? Veja quanto você está perdendo e onde reinvestir a grana
31 de agosto de 2026 - 7:03PREFIXADO E IPCA+
Tesouro Direto: vale a pena trocar um título comprado a uma taxa menor por um de mesmo prazo com uma taxa maior?
28 de agosto de 2026 - 6:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
O desconto na bolsa que ninguém vê: fundos de infraestrutura isentos de IR estão “em promoção”, na visão da Empiricus
25 de agosto de 2026 - 17:03PLANEJANDO O FUTURO
Tesouro Direto: como o Tesouro RendA+ com retorno de IPCA+ 7% transforma R$ 1.000 em uma aposentadoria igual ao teto do INSS
25 de agosto de 2026 - 14:31RENEGOCIAÇÃO
Recuperação extrajudicial da Braskem deixa quase 10 mil investidores de renda fixa em compasso de espera: vou receber meu dinheiro?
25 de agosto de 2026 - 11:28CRÉDITO PRIVADO
Os gestores estão ganhando dinheiro com crédito privado, mas não querem aumentar as apostas. Por quê?
20 de agosto de 2026 - 16:48OPORTUNIDADE À VISTA
Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
19 de agosto de 2026 - 18:42A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Fim da isenção de LCI e LCA pode estar próximo, e quem vai pagar a conta é o investidor, dizem bancos
17 de agosto de 2026 - 17:03ONDE INVESTIR
O dinheiro do Tesouro IPCA+ 2026 caiu na conta? Estrategista do BTG indica onde reinvestir essa bolada
17 de agosto de 2026 - 7:05ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO
Do Tesouro Direto para outros investimentos? Veja onde reinvestir o Tesouro IPCA+ 2026 para ter renda passiva
15 de agosto de 2026 - 10:04RENDA FIXA
Você está investindo no banco ou na garantia? Como o caso Master mexeu com o FGC e o seu bolso
13 de agosto de 2026 - 18:52SD ENTREVISTA
Quem saiu das debêntures isentas para se refugiar no CDI cometeu um erro, diz gestor da Absolute; entenda
13 de agosto de 2026 - 6:05PARA ONDE IR
Tesouro IPCA+ 2026 paga quase R$ 13 bilhões aos investidores na próxima semana; o que fazer com a bolada?
12 de agosto de 2026 - 6:04CONTORNANDO PROBLEMAS