Renda fixa no segundo semestre: especialistas apostam em Tesouro IPCA+ e mais três opções de ativos para bater o CDI
Renda fixa mantém destaque com juros altos e aposta em títulos IPCA+, debêntures incentivadas e fundos de infraestrutura para proteção e bons retornos
A perspectiva de juros altos por mais tempo dá o tom das recomendações para o investidor de renda fixa no segundo semestre. Apesar da expectativa de mais um corte residual de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, a avaliação de especialistas é de que não deve passar disso em 2026.
Nesse ambiente incerto e pressionado, os investimentos mais recomendados para os próximos meses são os títulos indexados à inflação (IPCA+), ativos pós-fixados (que acompanham a Selic ou o CDI) e produtos com benefícios tributários, como debêntures incentivadas e fundos de infraestrutura (FI-Infras).
As recomendações foram feitas por Alexandre Muller, sócio-fundador e CIO da Leto Capital (antiga JGP Crédito), e Lais Costa, analista de renda fixa e responsável pela série Os Melhores Fundos de Investimentos, da Empiricus Research, em participação no evento Onde Investir no segundo semestre do Seu Dinheiro, lançado na última sexta-feira (3).
Esta reportagem faz parte da série sobre Onde Investir no 2º semestre de 2026:
- Macroeconomia
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- Criptomoedas
Para Costa, se o Banco Central insistir em cortar mais do que os 0,25 p.p. residuais, corre o risco de dar um passo maior do que a perna e ter que elevar os juros de novo em 2027, “provavelmente no início do ano”.
Já Muller está mais preocupado com a política econômica e fiscal do próximo governo. “Precisamos entender se o vencedor, qualquer que seja, vai por uma linha de gasto é vida, não importa a disciplina fiscal, ou se vai ter alguma proposta de agenda mais estruturante que permita um nível de juros mais civilizado no país.”
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O caminho da renda fixa no segundo semestre
Tesouro Direto
A analista da Empiricus afirma que a escolha dos investimentos em títulos públicos deve passar pelos diferentes indexadores: indexados à inflação, pós-fixados e prefixados.
Os indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+ continuam sendo a preferência, como eram no início do ano. O principal motivo é o juro real de 8% que esses papéis estão oferecendo, especialmente nos vencimentos intermediários.
A preferência está nos títulos com vencimentos entre três e cinco anos, em que o retorno oferecido ao investidor parece mais equilibrado em relação ao risco de mercado, na opinião de Costa.
Na ponta mais longa da curva, a especialista avalia que o prêmio adicional pelo prazo não compensa a exposição extra à volatilidade.
Os pós-fixados, como o Tesouro Selic, ganharam mais relevância diante da expectativa de pausa nos cortes de juros.
Com juros elevados e incertezas sobre os próximos movimentos de política monetária, os pós-fixados voltaram a oferecer uma combinação difícil de ignorar: retorno elevado, baixa volatilidade e aplicação fácil.
O cenário contrasta com os prefixados. Se no início de 2025 os títulos do Tesouro Direto de taxa fixa pareciam mais interessantes em razão da expectativa de cortes adicionais na Selic, a mudança de cenário fez a balança pender para ativos atrelados à Selic.
Segundo Costa, o novo cenário para os juros reduziu o incentivo para assumir o risco adicional dos títulos prefixados neste momento.
Crédito privado
As debêntures incentivadas continuam entre as principais apostas para quem busca renda fixa no segundo semestre, segundo os especialistas.
Segundo Muller, o Brasil está passando por um processo de regionalização dos investimentos em infraestrutura. Há mais projetos de aeroportos regionais, rodovias de menor porte, universalização de saneamento, entre outras obras que demandam muito capital.
Com isso, há oportunidades para investidores capturarem retornos atrativos em um segmento considerado estratégico para o crescimento da economia brasileira.
Há também a questão do benefício tributário nesses ativos. Para pessoas físicas, os rendimentos das debêntures incentivadas são isentos de imposto de renda (IR).
Segundo Muller, num ambiente de juros elevados como os atuais, a diferença entre um investimento tributado e outro isento se torna mais significativa. Com juros maiores, o rendimento também é maior — assim como a mordida do Leão.
FI-Infras
Os FI-Infras são outra forma de se expor ao setor de infraestrutura. Além da isenção de IR sobre a renda, esses fundos também concedem benefício tributário sobre o ganho de capital com a cota.
Para Costa, há ainda outras vantagens para levar em consideração, como a gestão profissional por um preço de cota acessível e acesso a uma carteira de debêntures incentivadas diversificada, com ativos que muitas vezes não estão disponíveis para o investidor individual.
Além disso, esses fundos possuem uma característica importante em momentos de maior estresse no mercado de crédito: são veículos listados em bolsa, que não precisam vender ativos da carteira para honrar pedidos de resgate.
Quando o investidor quer sair do fundo, ele pode vender sua cota na bolsa e outro investidor vai comprar. “Para a pessoa física, você vende e se desfaz do ativo com muito mais facilidade, mais rapidamente do que um fundo de crédito D30 ou D60”, diz Costa.
- LEIA TAMBÉM: Com desconto na bolsa e renda isenta de imposto: FI-Infras são aposta para ganhar mais na renda fixa
ETFs
Ainda na esteira dos fundos, os ETFs de renda fixa também aparecem entre as recomendações dos especialistas.
Assim como os FI-Infras, os ETFs têm os benefícios de um fundo listado em bolsa: liquidez para negociação, baixa taxa de administração, sem come-cotas (antecipação de IR duas vezes no ano) e com uma carteira diversificada de ativos.
Atualmente, os ETFs de renda fixa estão em alta devido ao retorno dos títulos públicos. Entre as recomendações do “Onde Investir no segundo semestre”, Costa destaca o ETF PACG11, do BTG Pactual.
O fundo investe em títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) de prazos médios e longos. A preferência da especialista está justamente nos ganhos dos vencimentos entre três e cinco anos, que oferecem uma combinação mais atrativa entre retorno e risco.
A tese por trás da recomendação é capturar os juros reais elevados dos títulos, sem a necessidade de comprar papéis individualmente no Tesouro Direto.
Muller destacou ainda que o mercado brasileiro deve ganhar ETFs de crédito nos próximos meses, ampliando o acesso dos investidores a carteiras diversificadas de debêntures.
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O cenário para a renda fixa nos próximos meses
A principal discussão para a renda fixa brasileira deixou de ser o tamanho do próximo corte de juros e passou a ser a velocidade com que o Banco Central conseguirá reduzir a Selic nos próximos meses.
Para Muller e Costa, a combinação entre expansão fiscal do governo, inflação em alta e incertezas políticas limita o espaço para uma queda relevante das taxas neste ano e no próximo.
O mercado está em compasso de espera e olha menos para as próximas reuniões do Copom e mais para a política econômica que será implementada após o pleito de 2026.
Dependendo do compromisso do próximo governo com a disciplina fiscal, o país poderá voltar a discutir juros estruturalmente menores — ou prolongar o ciclo de taxas elevadas por mais tempo.
No crédito privado, a avaliação é que o pior momento das recuperações judiciais e extrajudiciais ficou para trás. Muller avalia que casos como os de Raízen, Ambipar, GPA e outros geraram volatilidade e desconfiança, mas os impactos nos retornos foram significativamente menores do que os observados durante a crise de crédito de 2023, marcada por eventos como Americanas.
Os maiores focos com inadimplência neste momento estão concentrados em pessoas físicas e pequenas e médias empresas, que seguem pressionadas pelos juros altos. Já as grandes companhias apresentam maior resiliência, com maior capacidade de refinanciamento e gestão de caixa.
Assista a todos os painéis do segundo dia de evento:
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