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ATA DO FEDERAL RESERVE

Nem a IA escapou: Fed amplia lista de riscos para inflação e afasta cortes de juros

Ata do Federal Reserve mostra preocupação crescente com energia, tecnologia e mercado de trabalho, enquanto investidores reduzem apostas em cortes

Logo do Federal Reserve (Fed) em uma nota de dólar
Logo do Federal Reserve (Fed) em uma nota de dólar - Imagem: Unsplash

O Federal Reserve (Fed) deixou claro na ata da reunião de abril divulgada nesta quarta-feira (20) que o caminho para levar a inflação dos Estados Unidos de volta à meta de 2% pode ser mais longo do que o esperado. O documento reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo e mostrou um banco central menos disposto a iniciar cortes no curto prazo.

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Segundo a ata, “a ampla maioria dos participantes” avaliou que aumentou o risco de a inflação demorar mais para convergir para a meta do Fed.

Os dirigentes também indicaram preocupação com a combinação entre inflação persistente e incertezas geopolíticas, cenário que pode exigir a manutenção da política monetária restritiva por mais tempo.

Oriente Médio segue no radar do Fed

O conflito no Oriente Médio apareceu como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o documento, “quase todos os participantes” enxergaram risco de uma guerra prolongada manter os preços do petróleo e de outras commodities elevados por mais tempo do que o previsto.

Na visão do Fed, esse ambiente pode continuar pressionando a inflação global por meio de gargalos nas cadeias de suprimento e do aumento de custos para empresas e consumidores.

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A preocupação da autoridade monetária vai além dos combustíveis.

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A ata mostrou que integrantes do banco central identificaram efeitos da alta da energia em outros segmentos da economia, como fretes marítimos e passagens aéreas. Problemas de oferta ligados ao conflito também elevaram preços de fertilizantes e de commodities não energéticas.

Inteligência artificial entra na discussão sobre inflação

A inteligência artificial (IA) também entrou no radar do Fed. O documento revelou discussões sobre os impactos da IA tanto na inflação quanto no mercado de trabalho.

Segundo a ata, alguns dirigentes afirmaram que os aumentos recentes de preços no setor de tecnologia da informação contribuíram para a inflação mais elevada. Outros destacaram que os investimentos robustos em inteligência artificial podem elevar custos em diferentes indústrias.

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Ao mesmo tempo, membros do Fed começaram a avaliar possíveis efeitos da tecnologia sobre o emprego. A ata aponta que empresas podem reduzir ou adiar contratações diante da incerteza econômica e da expectativa de adoção de novas ferramentas de IA.

Economia americana segue resiliente, mas emprego preocupa

Apesar do tom mais duro em relação à inflação, o Fed avaliou que a economia americana continua resiliente.

Os dirigentes classificaram o crescimento como sólido, sustentado principalmente pelos investimentos em tecnologia, pelo impulso fiscal e pelo patrimônio elevado das famílias americanas.

Ainda assim, parte dos membros demonstrou preocupação com sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho. O documento cita geração de empregos moderada, desaceleração salarial, menor oferta de vagas e concentração das contratações em poucos setores.

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O que o Fed decidiu sobre os juros

Na decisão de política monetária, quase todos os integrantes apoiaram a manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%. Apenas Stephen Miran defendeu um corte imediato de 0,25 ponto percentual, argumentando que a política monetária já estaria excessivamente restritiva diante dos riscos para o emprego.

Mesmo assim, o tom predominante foi cauteloso. A ata mostrou que alguns participantes consideram possível voltar a discutir novas altas de juros caso a inflação permaneça persistentemente acima da meta de 2%.

“Algum aperto adicional de política provavelmente se tornaria apropriado se a inflação continuasse persistentemente acima de 2%”, afirmou o documento.

O Fed reforçou, porém, que os próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos. Segundo a ata, a política monetária “não está em um curso pré-determinado” e as decisões continuarão sendo tomadas reunião a reunião.

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O que o mercado espera agora

No mercado, a expectativa segue concentrada na manutenção dos juros na próxima reunião, marcada para 17 de junho. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, as apostas apontam probabilidade de 96,9% de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%.

As projeções também indicam estabilidade ao longo de 2026. Já para janeiro de 2027, parte do mercado passou a precificar possibilidade maior de alta dos juros.

A ata foi divulgada às vésperas da troca de comando no banco central norte-americano. Kevin Warsh assume oficialmente a presidência do Fed nesta sexta-feira (22), em cerimônia conduzida pelo presidente Donald Trump na Casa Branca.

*Com informações do Money Times

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