Nem a IA escapou: Fed amplia lista de riscos para inflação e afasta cortes de juros
Ata do Federal Reserve mostra preocupação crescente com energia, tecnologia e mercado de trabalho, enquanto investidores reduzem apostas em cortes

O Federal Reserve (Fed) deixou claro na ata da reunião de abril divulgada nesta quarta-feira (20) que o caminho para levar a inflação dos Estados Unidos de volta à meta de 2% pode ser mais longo do que o esperado. O documento reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo e mostrou um banco central menos disposto a iniciar cortes no curto prazo.
Segundo a ata, “a ampla maioria dos participantes” avaliou que aumentou o risco de a inflação demorar mais para convergir para a meta do Fed.
Os dirigentes também indicaram preocupação com a combinação entre inflação persistente e incertezas geopolíticas, cenário que pode exigir a manutenção da política monetária restritiva por mais tempo.
Oriente Médio segue no radar do Fed
O conflito no Oriente Médio apareceu como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o documento, “quase todos os participantes” enxergaram risco de uma guerra prolongada manter os preços do petróleo e de outras commodities elevados por mais tempo do que o previsto.
Na visão do Fed, esse ambiente pode continuar pressionando a inflação global por meio de gargalos nas cadeias de suprimento e do aumento de custos para empresas e consumidores.
A preocupação da autoridade monetária vai além dos combustíveis.
Leia Também
A ata mostrou que integrantes do banco central identificaram efeitos da alta da energia em outros segmentos da economia, como fretes marítimos e passagens aéreas. Problemas de oferta ligados ao conflito também elevaram preços de fertilizantes e de commodities não energéticas.
Inteligência artificial entra na discussão sobre inflação
A inteligência artificial (IA) também entrou no radar do Fed. O documento revelou discussões sobre os impactos da IA tanto na inflação quanto no mercado de trabalho.
Segundo a ata, alguns dirigentes afirmaram que os aumentos recentes de preços no setor de tecnologia da informação contribuíram para a inflação mais elevada. Outros destacaram que os investimentos robustos em inteligência artificial podem elevar custos em diferentes indústrias.
Ao mesmo tempo, membros do Fed começaram a avaliar possíveis efeitos da tecnologia sobre o emprego. A ata aponta que empresas podem reduzir ou adiar contratações diante da incerteza econômica e da expectativa de adoção de novas ferramentas de IA.
Economia americana segue resiliente, mas emprego preocupa
Apesar do tom mais duro em relação à inflação, o Fed avaliou que a economia americana continua resiliente.
Os dirigentes classificaram o crescimento como sólido, sustentado principalmente pelos investimentos em tecnologia, pelo impulso fiscal e pelo patrimônio elevado das famílias americanas.
Ainda assim, parte dos membros demonstrou preocupação com sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho. O documento cita geração de empregos moderada, desaceleração salarial, menor oferta de vagas e concentração das contratações em poucos setores.
O que o Fed decidiu sobre os juros
Na decisão de política monetária, quase todos os integrantes apoiaram a manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%. Apenas Stephen Miran defendeu um corte imediato de 0,25 ponto percentual, argumentando que a política monetária já estaria excessivamente restritiva diante dos riscos para o emprego.
Mesmo assim, o tom predominante foi cauteloso. A ata mostrou que alguns participantes consideram possível voltar a discutir novas altas de juros caso a inflação permaneça persistentemente acima da meta de 2%.
“Algum aperto adicional de política provavelmente se tornaria apropriado se a inflação continuasse persistentemente acima de 2%”, afirmou o documento.
O Fed reforçou, porém, que os próximos passos dependerão da evolução dos dados econômicos. Segundo a ata, a política monetária “não está em um curso pré-determinado” e as decisões continuarão sendo tomadas reunião a reunião.
O que o mercado espera agora
No mercado, a expectativa segue concentrada na manutenção dos juros na próxima reunião, marcada para 17 de junho. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, as apostas apontam probabilidade de 96,9% de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%.
As projeções também indicam estabilidade ao longo de 2026. Já para janeiro de 2027, parte do mercado passou a precificar possibilidade maior de alta dos juros.
A ata foi divulgada às vésperas da troca de comando no banco central norte-americano. Kevin Warsh assume oficialmente a presidência do Fed nesta sexta-feira (22), em cerimônia conduzida pelo presidente Donald Trump na Casa Branca.
*Com informações do Money Times
PASSADO, PRESENTE, FUTURO
Quem leva o Nobel de Economia em 2026? Índice aponta possíveis nomes ligados à inteligência artificial e Big Data
3 de outubro de 2026 - 7:14NÃO ACEITAMOS DEVOLUÇÃO
Henry Kissinger, o Nobel da Paz que tentou devolver o prêmio, mas não conseguiu
2 de outubro de 2026 - 15:05SEQUÊNCIA DE ERROS
Peter Handke: o vencedor do Prêmio Nobel que reabriu a pior crise da Academia Sueca
30 de setembro de 2026 - 16:32A MAIOR RECOMPRA DA HISTÓRIA
Jensen Huang coloca US$ 150 bilhões na mesa: por que as ações da Nvidia ficaram irresistíveis para a própria Nvidia
28 de setembro de 2026 - 19:18CONSUMIDOR OU SÓCIO
De R$ 96 mil a R$ 2,3 milhões: o que aconteceria se você tivesse trocado cada iPhone por ações da Apple
28 de setembro de 2026 - 14:30VISÃO DO GESTOR
Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria; entenda
27 de setembro de 2026 - 11:00UM FENÔMENO, EFEITOS DIFERENTES
O Brasil no olho do furacão: o efeito do super El Niño em cada país da América Latina — e como afeta seus investimentos
25 de setembro de 2026 - 19:30ADIARAM A BRIGA?
Amigos, amigos, negócios à parte: o que Trump e Xi acertaram (e o que ficou na gaveta) no 2º dia dos encontros
25 de setembro de 2026 - 17:27DIVERSIFICAÇÃO INTERNACIONAL
S&P 500 pode subir mais 15% mesmo com alta dos juros nos EUA; XP recomenda investir na bolsa norte-americana
25 de setembro de 2026 - 15:42TRÉGUA COM SORRISO AMARELO
Grande amizade, tarifas e até pandas: um resumo do encontro entre Trump e Xi na Casa Branca após uma década
24 de setembro de 2026 - 19:58BALANÇOU O MERCADO
O tremor que fez os títulos de dívida de 30 anos dos EUA romper recordes em décadas em chegar a 5,44%
24 de setembro de 2026 - 15:03CAOS AÉREO
Falha em GPS cancela 80 voos da Azul, afeta mais de 8 mil passageiros e provoca novos transtornos. As demais companhias operam normalmente?
23 de setembro de 2026 - 19:30ROLOU QUÍMICA?
O que você precisa saber sobre o discurso de Lula na ONU — e o que Trump disse também
22 de setembro de 2026 - 13:37O MELHOR ESTÁ POR VIR?
A maré virou para Mark Zuckerberg — Meta sobe quase 15% e analista diz: “agora a empresa tem uma história para contar”
21 de setembro de 2026 - 19:05EFEITO CASCATA
A realidade dos juros em 5% nos EUA: saiba o que acontece com sua carteira se a taxa disparar por lá
20 de setembro de 2026 - 16:45TODO MUNDO QUER SABER
O encontro Trump-Xi vai sair? O que o mercado espera da cúpula — e para onde você deveria estar olhando também
20 de setembro de 2026 - 10:03LONGE NO MAPA, PERTO DO BOLSO
Juros no maior nível em 31 anos: por que o aperto no Japão importa para você
18 de setembro de 2026 - 18:00TEMPO REI
Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: “o tempo sempre vence”; saiba quem assume
18 de setembro de 2026 - 11:50CONTRA A INFLAÇÃO
Fed eleva juros pela 1ª vez em 3 anos — e isso mexe diretamente com seus investimentos
16 de setembro de 2026 - 15:01TEM MÚSCULO