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PESSIMISMO NO RADAR

O que vai acontecer com a taxa Selic? Como a expectativa de inflação acima de 5% pode mexer com os juros

Pressão nos preços de combustíveis e alimentos deve segurar o Banco Central nos próximos meses, segundo o Itaú

Homem com binóculo, em torre de observação na floresta, olha sinais na economia para entender o caminho da Selic, taxa básica de juros
Imagem: IA/Copilot

Até onde vai o corte na taxa básica de juros do Brasil? No começo do ano, os destaques eram as projeções de 12,5%, 12% e, entre os mais otimistas, 11,5%. Agora, o cenário não poderia ser mais diferente. A disputa é entre quem espera menos cortes na taxa Selic.

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O conflito no Oriente Médio mexeu com o preço do petróleo e afetou toda a cadeia de preços dos combustíveis e de frete pelo mundo. O resultado é a expectativa de aumento de preços em tudo: da carne no açougue ao último lançamento de smartphone.

No relatório do Focus, produzido pelo Banco Central para acompanhar as medianas de projeções do mercado, a Selic ao final do ano está em 13,25%. Há quatro semanas, era 13%. Em fevereiro, era 12,25%.

Em relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, o banco afirma que a autoridade monetária está “sem espaço para corte de juros”. Houve piora no quadro inflacionário e a atividade está mais resiliente do que o projetado.

“Revisamos a nossa projeção de Selic terminal para 13,75% (de 13,25%), mantendo o ritmo de cortes de 25 pontos-base, sem espaço para aceleração”, diz o texto.

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O problema dos preços

O grande vilão é o preço do petróleo. A cotação da commodity influencia indiretamente várias cadeias produtivas, desde o custo de embalagens plásticas que derivam de petróleo até o frete marítimo e terrestre de qualquer produto.

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“Esse canal indireto se materializa quando a alta do petróleo e de seus derivados encarece insumos e serviços ao longo das cadeias produtivas, elevando custos e pressionando, com alguma defasagem, os preços livres”, diz o relatório.

Mesmo que no curto prazo os subsídios do governo limitem a alta da gasolina e do diesel, os efeitos do preço do petróleo já aparecem nas prateleiras — seja por encarecimento real na cadeia de produção, seja por antecipação diante da expectativa de que o encarecimento aconteça no futuro.

O Itaú revisou sua expectativa para o IPCA — indicador oficial de inflação do Brasil — do ano: 5,4% (ante 5,2% anteriormente).

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No relatório Focus a expectativa de inflação para o ano está em 5,09%, após 12 ajustes semanais consecutivos. Em fevereiro, a projeção do mercado era de 3,97%.

O Itaú ainda destaca uma preocupação adicional com alimentos no segundo semestre, diante da incerteza em relação ao El Niño.

Se o evento climático for forte como se antevê, o risco de perda de produtividade e de safras inteiras é alto, especialmente para o milho. E esse viés altista de preço pode se agravar se o problema de oferta e de preços dos fertilizantes persistir.

E mais estímulos do governo…

Novo desenrola, financiamento de veículos com subsídio da União, redução da fila do INSS, além de todas as outras transferências de renda já mapeadas. Esse conjunto de medidas de crédito do governo devem sustentar a economia ao longo do ano.

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É isso o que espera o Itaú. Mesquita e sua equipe revisaram para cima o Produto Interno Bruto (PIB) do ano: de 1,9% para 2,1%.

O mercado de trabalho aquecido ajuda a sustentar essa visão de crescimento da atividade. De acordo com o banco, não há sinais claros de aumento da taxa de desemprego.

Porém, há contrapesos. O prolongamento do conflito no Oriente Médio, que mantém o preço do petróleo pressionado, pode ter mais desdobramentos sobre a economia local — principalmente pelo preço dos alimentos.

Resultado na Selic

O cenário para avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central só está piorando.

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A inflação corrente e a expectativa futura só aumentam, a atividade segue aquecida com fomento a crédito e o movimento de outros países é na direção de subir os juros.

A avaliação do Itaú é de que há pouco — para não dizer nenhum — espaço para um corte mais intenso dos juros. Mesmo que o preço do petróleo pare de subir, a expectativa é de apenas mais três cortes de 25 pontos-base na Selic.

“Reconhecemos que o risco é que o ciclo de corte de juros seja interrompido ainda antes, com eventuais reduções adicionais condicionadas a um comportamento mais benigno das expectativas [de inflação] e a sinais claros de desaceleração da atividade, condições que ainda não estão presentes”, diz o relatório.

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