GPA (PCAR3) pode respirar aliviado: varejista aprova renegociação de dívidas, mas há um risco para os acionistas no futuro
Com o acordo, a maior parte da dívida renegociada será paga apenas a partir de 2031, o que ajuda o caixa da empresa, mas há risco de diluição da participação no futuro

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) pode respirar mais aliviado. A rede varejista afirmou que conseguiu a aprovação do seu plano de recuperação extrajudicial, o que dá a ela mais prazo para pagar as dívidas e com taxas menores, o que diminui o valor em mais de 50% ao longo do tempo.
Em fato relevante enviado ontem (5) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que fechou o acordo com credores que representam 57,49% dos créditos sujeitos à recuperação, cujo valor total é de R$ 4,568 bilhões.
Com aprovação dos credores de mais de metade das dívidas, o novo plano é estendido aos outros.
Como resultado dessas medidas, o plano de recuperação extrajudicial proporcionará liquidez relevante para a dona da rede de supermercados, com redução de mais de R$ 4 bilhões nos desembolsos que seriam feitos por ela nos próximos dois anos, aliviando o fluxo de caixa no período.
Com o acordo, a maior parte da dívida renegociada será paga apenas a partir de 2031. "Vemos esse desenvolvimento como positivo para as operações, mas ele abre caminho para uma diluição relevante da base acionária no futuro, o que deve pressionar o preço das ações", escreve o JP Morgan em relatório.
Como é o novo plano de pagamentos do GPA
Essa negociação foi fechada em 56 dias depois que a empresa protocolou a primeira versão do plano — segundo a lei, o limite são 90 dias.
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"O plano celebrado nesta data permitirá uma solução estruturada para os desafios financeiros da companhia, endereçando simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo", disse a empresa.
Segundo o GPA, o prazo médio de pagamento foi alongado para 6,4 anos, com custo médio reduzido para CDI + 0,5% ao ano. Com isso, as dívidas terão o valor total reduzido em mais de 50% ao longo do tempo.
O plano oferece duas opções aos credores, explica o JP Morgan.
A primeira envolve a emissão de até R$ 1,5 bilhão em novas debêntures remuneradas a CDI + 2,5%, com dois anos de carência (até 2028) e vencimento em cinco anos (2031).
Haverá ainda uma segunda série de emissão de debêntures de até R$ 1,1 bilhão conversível em ações PCAR3, com desconto de 20%, em quatro janelas de conversão: o primeiro semestre de 2027, 2029, 2030 e 2031. Os investidores dessas debêntures devem segurar esses papéis por seis a 12 meses.
Para ser elegível a essa opção, os credores devem aportar novos recursos ao GPA (na forma de dívida, financiamento de fornecedores, entre outros) até um limite agregado de R$ 200 milhões, diz o JP Morgan.
Já para credores que não aceitarem fazer uma injeção de dinheiro novo na companhia, a empresa oferece uma debênture com taxa de conversão que implica um “haircut” de 70%, remunerada apenas a CDI e com vencimento em 2036, sem opção para conversão em ações.
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