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DE VOLTA À VITRINE

O pior ficou para trás? Lucro da C&A (CEAB3) dispara mais de 200% no 1T26, e ação lidera altas do Ibovespa

Resultado do primeiro trimestre do ano sinaliza retomada no vestuário e afasta dúvidas sobre problemas estruturais na operação

Fachada da loja da C&A (CEAB3).
Fachada da loja da C&A (CEAB3) - Imagem: iStock

As ações da C&A (CEAB3) lideram as altas do Ibovespa nesta quarta-feira (6), impulsionadas por um balanço que trouxe alívio ao mercado após um fim de ano turbulento.

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Por volta das 13h40 (de Brasília), as ações da C&A saltavam 12,03%, a R$ 12,85, depois de serem cotadas a R$ 12,90 na máxima do dia.

A varejista de moda reportou lucro líquido ajustado de R$ 8 milhões no primeiro trimestre de 2026, um salto de 218,7% na comparação anual. O número veio após a companhia enfrentar dificuldades com sua operação no fim de 2025.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, medida de rentabilidade usada pelo mercado) ajustado ficou em R$ 245 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com leve compressão de margem, de 15,2% para 15,1%. Já a receita líquida somou R$ 1,62 bilhão, avanço discreto de 0,5%.

Onde o mercado encontrou sinais mais claros de melhora foi no desempenho das lojas. As vendas nas mesmas unidades (SSS) de vestuário cresceram 4,8%, indicando retomada após um ritmo mais fraco no fim de 2025. Ainda assim, o número mostra desaceleração frente ao crescimento de 15% registrado um ano antes.

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Resultado da C&A tira ruído do radar

Na avaliação do Safra, os números vieram dentro do esperado e ajudam a desmontar a leitura de que havia um problema estrutural na operação. O banco lembra que o desempenho fraco do quarto trimestre foi influenciado por fatores pontuais, como clima irregular e um mix de produtos desalinhado.

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“Os resultados do 1T26 — com SSS de Vestuário em +4,8% e expansão de margem bruta — reforçam nossa visão de que essas pressões não eram estruturais”, diz o Safra.

Com isso, a leitura é de retomada gradual do ritmo operacional. Negociando a cerca de 6,7 vezes o lucro projetado para 2026, a ação passa a ser vista como uma oportunidade de entrada.

Recuperação ganha força, mas cenário ainda é desafio

O BTG Pactual também destaca a melhora no crescimento das vendas e nas margens, além de um lucro acima das expectativas.

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Ainda assim, o banco chama atenção para um ambiente mais difícil à frente, com consumo discricionário pressionado e bases de comparação menos favoráveis.

Mesmo com esse pano de fundo, o tom segue construtivo. “A empresa continua a melhorar a rentabilidade das lojas, mantendo disciplina na operação de crédito”, afirmam os analistas, que veem a ação negociando a múltiplos atrativos e reiteram recomendação de compra.

Caixa fraco não preocupa tanto

Para o Bradesco BBI, a reação positiva do mercado já era esperada, principalmente pela surpresa positiva em indicadores-chave como SSS e margem bruta.

Apesar disso, o banco aponta fraqueza na geração de caixa e na dinâmica de capital de giro. A leitura, porém, é de que parte desse movimento é sazonal, ligada à antecipação da coleção de inverno, com tendência de normalização ao longo do segundo trimestre.

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Outro ponto destacado é a contribuição recorrente de créditos tributários, estimada em cerca de R$ 250 milhões por ano até 2027, ainda que esse efeito nem sempre entre nas contas de caixa operacional.

Mesmo com revisões negativas para o lucro de 2026, o BBI manteve recomendação de compra, embora tenha reduzido o preço-alvo de R$ 24 para R$ 18 — o que ainda sugere espaço relevante de valorização.

Vestuário volta ao centro da tese

A XP Investimentos também vê sinais claros de ajuste na operação de vestuário, após um período marcado por rupturas de estoque e problemas no mix de produtos.

“A companhia parece ter ajustado com sucesso seu portfólio, com melhora nas tendências de vendas ao longo do trimestre”, afirma a corretora, destacando o avanço de 4,8% no SSS e a expansão da margem bruta da divisão.

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Por outro lado, áreas como C&A Pay e a saída do segmento de eletrônicos continuam pressionando o resultado consolidado, enquanto o fluxo de caixa livre ficou negativo, impactado por investimentos maiores e pelo efeito atrasado das vendas fracas do quarto trimestre.

“Embora nossa Pesquisa de Posicionamento de abril tenha mostrado C&A como um dos destaques esperados da temporada do primeiro trimestre , acreditamos que o aumento recente do fluxo de notícias sobre a redução da taxa das blusinhas reduziu o posicionamento dos investidores. Mantemos nossa recomendação de compra“, diz a XP.

*Com informações do Money Times

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