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BALANÇO 1T26

Ânima (ANIM3) sente as dores e delícias das novas regras do EaD, mas CEO crava: ‘mais positivo do que negativo’; veja destaques do 1T26

A CEO Paula Harraca e o CFO Átila Simões da Cunha disseram ao Seu Dinheiro que o novo marco regulatório impulsionou os resultado, mas a adaptação às novas modalidades pressionou a evasão de alunos no período

Paula Harraca, CEO da Ânima, empresa dona de marcas como Anhembi Morumbi e Universidade São Judas
Paula Harraca, CEO da Ânima, empresa dona de marcas como Anhembi Morumbi e Universidade São Judas - Imagem: Divulgação

Bem no aniversário de 23 anos de empresa, a Ânima (ANIM3), dona de marcas como Anhembi Morumbi e Universidade São Judas, divulgou os resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 nesta quarta (6). Em entrevista ao Seu Dinheiro, a CEO Paula Harraca e o CFO Átila Simões da Cunha contam que balanço caiu como um belo presente — ainda que tenha exigido alguns sacrifícios pelo caminho.

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No embalo do novo marco regulatório do ensino à distância, a companhia registrou um lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 106,2 milhões nos três primeiros meses do ano, alta de 11% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado veio 4,4% maior na base anual, atingindo R$ 450,7 milhões, em linha com as projeções de mercado compiladas pela Bloomberg. Já a receita líquida consolidada cresceu 7,7%, para R$ 1,1 bilhão, também conforme projetado pelo consenso.

“Os resultados mostram uma construção que vem sendo feita há bastante tempo, com escolhas estratégicas, ajustes importantes e um foco maior em crescimento sustentável, geração de caixa e qualidade da receita”, afirmou Harraca.

Depois de uma crise marcada por alto endividamento e evasão de alunos, a Ânima sentou a bunda na cadeira para estudar como voltar a tirar 10 com o próprio negócio e vem fazendo ajustes nesse sentido. Assim, os esforços parecem estar começando a dar sinais de vida.

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Destaques do balanço da Ânima no trimestre

Os números foram impactados positivamente pelo aumento de 11% no ano do ticket médio dos alunos do Ânima Core, divisão que reúne as principais marcas de ensino superior da companhia. A vertical também apresentou crescimento de 7,7% na captação da graduação, impulsionado tanto pelos cursos presenciais quanto pelos semipresenciais.

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“Não é fácil crescer em volume e ticket ao mesmo tempo. Isso mostra a força das marcas e da estratégia”, afirmou Cunha.

Ao todo, a base consolidada de alunos da companhia recuou 5,2% na comparação anual. Apesar de ter conseguido captar mais alunos, a Ânima Core manteve o número de estudantes da graduação no patamar do ano passado. O motivo é a evasão — algo que a dupla de executivos já considera um ponto e atenção. Entre janeiro e abril, o indicador avançou 1,6 ponto percentual na comparação anual, para 12,4%.

“Mesmo com a evasão maior, conseguimos no core estancar a queda da base de alunos. Isso vinha acontecendo há anos no setor, então estabilizar essa base neste momento já é uma mudança muito importante para nós”, afirmou Átila Lira.

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Segundo Harraca e Cunha, isso refletiu a adaptação ao novo marco regulatório do EAD, enquanto a companhia ampliava a captação no semipresencial — modalidade que historicamente apresenta evasão maior.

O novo marco do ensino à distância

Mesmo assim, para a dupla de executivos, o saldo das mudanças regulatórias acabou sendo mais positivo do que negativo para a companhia.

“O novo marco regulatório seria uma oportunidade para nós. O resultado do primeiro trimestre confirmou essa hipótese”, afirma Cunha.

Segundo os executivos, enquanto parte do setor acelerou a expansão do EAD puro durante os últimos ciclos de crescimento da educação superior, a Ânima manteve foco nos cursos presenciais e semipresenciais, sobretudo nas áreas de saúde.

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A leitura interna era de que o avanço acelerado do digital não necessariamente viria acompanhado de melhora na qualidade acadêmica ou na experiência dos alunos.

Com as novas regras, a companhia avalia que passou a operar em um ambiente mais aderente ao modelo que já vinha defendendo e estruturando internamente.

Isso incluiu mudanças na oferta de cursos, revisão da estratégia comercial, campanhas de marketing mais segmentadas e maior foco em crescimento considerado “sustentável”, com avanço simultâneo de captação e ticket médio.

“O setor cresceu muito no digital nos últimos anos, mas essa não foi a escolha estratégica da Ânima. Sempre acreditamos mais no presencial e no semipresencial”, afirmou o executivo.

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O Inspirali, braço de medicina da Ânima

A Inspirali, braço médico do grupo, encerrou o período com receita líquida de R$ 410,2 milhões, alta de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

A base de estudantes de medicina também cresceu, chegando a 12,6 mil alunos — alta de 4,3% em um ano. Enquanto isso, a mensalidade média dos cursos médicos subiu 1,8%, para cerca de R$ 10,3 mil.

A companhia também viu uma procura maior de estudantes via FIES, programa de financiamento estudantil do governo federal. O movimento ajudou a preencher mais vagas, embora tenha reduzido parcialmente o ganho por aluno por conta das contribuições ligadas ao FG-FIES, fundo garantidor que cobre eventuais inadimplências do programa.

A virada da Ânima

Depois de anos pressionada pela expansão acelerada do ensino digital no setor e pela perda gradual de alunos, a Ânima passou a executar uma estratégia mais focada em crescimento considerado “sustentável”, priorizando qualidade da receita, geração de caixa e fortalecimento das marcas do grupo.

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Segundo a CEO Paula Harraca, a companhia revisitou praticamente toda a estratégia comercial e acadêmica da operação nos últimos anos. O movimento incluiu mudanças na forma de posicionar cada instituição do ecossistema, campanhas de marketing mais segmentadas, maior uso de tecnologia e análise de dados e uma aposta maior nos cursos presenciais e semipresenciais.

“A gente se comunicava de maneira muito pasteurizada há alguns anos. Hoje, cada marca conversa melhor com o seu público, respeitando a identidade e a vocação de cada instituição”, afirmou a executiva.

Harraca também afirmou que a companhia passou a utilizar uma estratégia mais orientada por dados para entender melhor o perfil dos alunos, o desempenho de cada campus e o potencial de crescimento das diferentes marcas do grupo. Segundo ela, isso ajudou a tornar as campanhas mais assertivas e reduzir desperdícios na operação comercial.

“A gente começou a olhar de forma muito mais granular para cada marca, cada território e cada campus. Tem muito dado, tecnologia e gestão de portfólio por trás dessa estratégia”, disse a CEO.

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Na visão da administração, a estratégia começou a aparecer de forma mais clara nos números deste trimestre, especialmente no avanço simultâneo da captação e do ticket médio dos alunos.

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