Moura Dubeux (MDNE3) tem lucro recorde de R$ 156 milhões e VGV sobe 255%; CEO revela o motor dos números do 1T26
Em um cenário pressionado pela inflação, a Moura Dubeux utilizou o modelo de condomínio fechado para se blindar, conta o Diego Villar, CEO da empresa

Nem mesmo a alta temperatura dos mercados internacionais e o aumento dos preços do petróleo frearam a Moura Dubeux (MDNE3). A incorporadora divulgou nesta quarta-feira (6) o balanço do primeiro trimestre, revelando um desempenho histórico: um lucro líquido de R$ 156 milhões.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o montante representa uma alta de 120%. Já em relação ao trimestre anterior, houve um aumento de 39%.
E não foi apenas o lucro que teve um aumento vertiginoso. O Valor Geral de Vendas (VGV) líquido da Moura Dubeux atingiu R$ 1,3 bilhão, disparando 255,6% na comparação anual. Frente ao resultado do trimestre anterior, o resultado indica alta de 32,4%.
'Gestão espartana': os passos para os resultados da Moura Dubeux no 1T26
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Diego Villar, CEO da incorporadora, destacou que o crescimento foi acompanhado por uma melhoria operacional.
"As despesas da empresa não acompanharam o crescimento. Nós fomos espartanos e conseguimos controlar os custos de forma eficiente", afirmou.
Na comparação anual, as despesas da Moura Dubeux tiveram um aumento de 57,6% no primeiro trimestre, mas caíram 20,8% em relação ao quarto trimestre de 2025.
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Villar também avalia que os resultados foram sustentados pela assertividade na execução dos projetos e ter uma performance além do planejado.
Além disso, a margem líquida foi de 24,8%, o que representa aumento de 8,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado e de 8,9 pontos percentuais na comparação trimestral.
Já dívida líquida no 1T26 foi de R$ 83,6 milhões. Assim, o índice dívida líquida sobre patrimônio líquido caiu para 4%, representando uma redução de 17,4 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre de 2025.
"O resultado visto nesse trimestre é a combinação do crescimento de vendas com a melhoria operacional, o que leva o lucro crescer por essas duas verticais", afirmou Villar.
Outros destaques do balanço
Em um cenário pressionado pela inflação, a Moura Dubeux utilizou o modelo de condomínio fechado para se blindar. As adesões no segmento dispararam 275,7% no trimestre em comparação com o ano anterior, enquanto a venda de incorporações teve um crescimento tímido, de apenas 1,4%.
"O modelo de condomínio possibilitou minimizar o risco, já que é muito menor do que o risco de uma incorporação tradicional, em que é necessário tomar financiamento", disse Villar.
Isso porque, nesse formato, o projeto é realizado a preço de custo, já que os próprios compradores se tornam condôminos e financiam diretamente a obra ao longo da execução. Ou seja, o cliente arca com 100% do valor da unidade.
Apesar dos resultados robustos, o índice de Vendas Sobre Oferta (VSO) apresentou leve oscilação para 52,4% no acumulado de doze meses. Ainda assim, Villar afasta qualquer preocupação com a demanda.
Segundo o CEO, ao mesmo tempo que triplicou o volume de lançamentos, a Moura Dubeux também promoveu uma correção estratégica de preços.
"A velocidade de venda dos produtos não é a mesma, já que aumentamos a oferta no mercado. Nós entendemos que até 50% é um patamar muito acima da média do mercado. No médio/alto padrão, a Moura Dubeux ainda é a empresa que entrega o melhor VSO", afirmou Villar.
Os planos da Moura Dubeux para a Ún1ca
A Moura Dubeux vem passando por mudanças, com destaque para a nova a joint venture em conjunto com a Direcional: a Ún1ca, voltada para os imóveis do Minha Casa Minha Vida.
Com o novo pilar, a incorporadora busca atuar em três frentes distintas para dominar o mercado nordestino: enquanto a marca principal mantém o foco no alto padrão, a Mood atende a classe média e a Ún1ca foca no segmento econômico.
Segundo Villar, com um banco de terrenos avaliado em R$ 10,4 bilhões, agora a meta é estabilizar o faturamento da joint venture em R$ 2 bilhões nos próximos dois anos.
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