Méliuz (CASH3) acelera recompra e aposta em Bitcoin para destravar valor — mercado ainda não comprou a tese?
Empresa já destinou R$ 30 milhões à recompra e destaca indicador atrelado ao Bitcoin para medir retorno ao acionista

O Méliuz (CASH3) começou a apertar o número de ações em circulação — enquanto mantém a força de um outro ativo no balanço: o Bitcoin (BTC).
A empresa anunciou nesta segunda-feira (4) que já recomprou cerca de R$ 30 milhões em ações nos últimos seis meses, utilizando exclusivamente recursos gerados pela própria operação.
A companhia também passou a dar mais visibilidade a um indicador pouco comum no mercado brasileiro: o Bitcoin Yield, que mede o ganho de exposição ao criptoativo por ação ao longo do tempo.
A combinação desses dois elementos ajuda a explicar a tese que a empresa vem defendendo: a de que, mais do que reduzir o número de ações em circulação, a estratégia busca aumentar o valor por papel para os acionistas.
Méliuz ficou barato? O “valor escondido” no papel
Desde o anúncio do programa, em outubro de 2025, o Méliuz já adquiriu 7.537.000 ações por meio de contratos de derivativos, o que corresponde a aproximadamente 82,5% do total autorizado.
A companhia argumenta que o movimento reflete uma leitura recorrente entre empresas que adotam programas de recompra: a de que o preço das ações não corresponde plenamente ao valor do negócio.
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Por isso, a redução do número de ações em circulação passa a ser vista como uma forma de concentrar valor para o acionista.
Hoje, o Méliuz possui 604,69 Bitcoins, equivalentes a cerca de R$ 238,8 milhões aos preços atuais. A isso se somam R$ 64,3 milhões em caixa (desconsiderando os valores destinados ao programa de recompra), totalizando aproximadamente R$ 303,1 milhões em ativos líquidos.
Com valor de mercado em torno de R$ 487,2 milhões, a empresa argumenta que há um desalinhamento entre esses números e o preço das ações na B3 — o que reforça a decisão de seguir com a recompra como instrumento de alocação de capital.
“Tal programa reflete a convicção da administração de que o preço de mercado das ações da companhia não captura adequadamente o seu valor real, tornando a recompra uma decisão estratégica e alinhada aos interesses de geração de valor aos seus acionistas”, disse a empresa, em comunicado.
O papel do Bitcoin na equação
Parte central dessa estratégia está na forma como o Méliuz vem incorporando o Bitcoin à sua estrutura de capital, se posicionando dentro do pequeno grupo de empresas globais que adotam o conceito de Bitcoin Treasury Company.
Nesse contexto, o Bitcoin Yield surge como um indicador para acompanhar essa dinâmica. Basicamente, ele mede a variação da quantidade de Bitcoin detida pela companhia em relação ao número de ações ao longo do tempo.
Na versão ajustada, utilizada pelo Méliuz, o cálculo considera apenas as ações em circulação, excluindo aquelas recompradas.
Na prática, isso amplifica o efeito da estratégia: ao reduzir o número de ações no mercado enquanto mantém (ou aumenta) a posição em Bitcoin, a companhia eleva a exposição por ação à criptomoeda.
Nos últimos seis meses, o Bitcoin Yield ajustado do Méliuz foi de 6,9%. Em termos anualizados, a taxa chega a 12,42%.
Estrutura operacional sustenta a estratégia do Méliuz
A estratégia de recompra é sustentada por uma operação que continua gerando caixa.
Nos últimos doze meses encerrados no quarto trimestre de 2025, o Méliuz reportou Ebitda ajustado de R$ 92,9 milhões e lucro líquido ajustado de R$ 54,6 milhões.
A companhia também destaca a ausência de endividamento como um fator que amplia sua flexibilidade para alocação de capital.
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