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Lucro cresce, ROE segue elevado, mas banco reforça disciplina em meio a sinais de pressão no crédito; confira os destaques do balanço
O Itaú Unibanco (ITUB4) começou 2026 fazendo o que o mercado já espera: entregar resultados fortes e sem grandes surpresas. O maior banco privado do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 (1T26) com um lucro líquido recorrente de R$ 12,282 bilhões.
O resultado veio ligeiramente acima das expectativas de analistas, que previam um lucro médio de R$ 12,191 bilhões, segundo o consenso Bloomberg.
O montante representa um aumento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado, mas leve queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior. Trata-se da segunda contração sequencial dos lucros do Itaú desde o primeiro trimestre de 2020, após a queda trimestral da lucratividade no 4T22, quando o banco foi impactado pelas provisões ligadas ao caso Americanas.
Segundo o Itaú, se desconsiderado o efeito da distribuição antecipada de dividendos no fim de dezembro de 2025, o lucro teria chegado a R$ 12,7 bilhões, o que representa crescimento de 3,2% no trimestre.
Mais do que o número em si, a performance também reforça o que tem sido a principal marca do Itaú nos últimos anos: consistência.
Em um cenário que mistura juros ainda elevados, incertezas macroeconômicas e sinais pontuais de deterioração no crédito no setor financeiro, o banco segue crescendo sem abrir mão do controle de risco.
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"Começamos 2026 em um cenário que exige cautela e disciplina no crédito", afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho, em nota à imprensa. "Mantivemos nossa estratégia de crescer de forma responsável, garantindo que a qualidade da nossa carteira siga os padrões que historicamente nos definem."
Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE) do maior banco privado do Brasil chegou a 24,8%, acima dos 24,4% esperados pelo mercadode acordo com a média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro.
O indicador avançou 2,3 pontos percentuais (p.p) em relação ao mesmo período do ano passado e 0,4 ponto na comparação trimestral — um patamar que mantém o Itaú com folga na liderança entre os grandes bancos privados do país.
Para efeito de comparação, pares como o Santander Brasil vêm operando com níveis de retorno significativamente mais baixos — o banco reportou ROE de 16% no 1T26.
A performance do portfólio de crédito do Itaú ajuda a explicar parte relevante do desempenho no trimestre. A carteira ampliada cresceu 9% frente ao mesmo trimestre de 2025 e avançou 1,2% em comparação com os três últimos meses, para R$ 1,482 trilhão.
Até aqui, a qualidade dos ativos também segue sob controle. O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%.
"Ao longo dos últimos anos, o Itaú calibrou a composição do portfólio com foco em qualidade de originação e adequação das condições de crédito ao perfil de cada cliente. Esse processo resultou em uma carteira mais equilibrada e com menor exposição a ciclos de estresse", afirmou o banco.
Segundo a instituição, essa estabilidade "em um cenário macroeconômico desafiador reforça a robustez da política de crédito e a disciplina na gestão de riscos".
Ainda assim, há sinais de maior prudência na gestão de risco. As provisões contra calotes (PDD) cresceram 7,9% no comparativo anual, para R$ 10,2 bilhões em perdas previstas no crédito no primeiro trimestre do ano.
Enquanto isso, o custo do crédito aumentou 4,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e 2,5% na comparação trimestral, para R$ 9,9 bilhões. Segundo o Itaú, o crescimento reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, que também afetou de forma negativa a recuperação de crédito do segmento.
“Os resultados do trimestre refletem a execução consistente da estratégia do banco, com desempenho operacional sólido, preservação da qualidade da carteira e avanços contínuos em eficiência", afirmou o diretor financeiro (CFO), Gabriel Amado de Moura.
"Essa combinação sustenta a resiliência do resultado e a capacidade do banco de operar com consistência ao longo de diferentes fases do ciclo econômico.”
Do lado das receitas, a margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, encerrou o trimestre a R$ 32,3 bilhões, o que representa um avanço de 4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já a margem com clientes do Itaú, principal motor do resultado, teve alta de 4,5% na base anual, apesar de leve contração de 0,7% na comparação trimestral, a R$ 31,5 bilhões.
Segundo o Itaú, a expansão em relação a 2025 deve-se principalmente ao crescimento da carteira, além da maior margem com passivos e de um melhor mix de produtos.
Por sua vez, a margem financeira com o mercado — ligada às operações de tesouraria — caiu 11,2% frente ao mesmo período de 2025, mas avançou 37,4% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, somando R$ 820 milhões.
O banco afirma que o movimento anual reflete o "aumento do custo do hedge" do índice de capital, com destaque para o maior resultado obtido pela mesa de trading no trimestre.
As receitas do Itaú com prestação de serviços totalizaram R$ 10,9 bilhões, com alta de 2,4% em relação ao ano anterior, mas queda de 7,1% na comparação trimestral — refletindo, em parte, a sazonalidade do início do ano.
Do lado das despesas, os custos não relacionados a juros cresceram 4,8% em 12 meses, alcançando R$ 16,2 bilhões.
O banco atribui a alta, principalmente, ao aumento dos investimentos em tecnologia — incluindo maior uso de computação em nuvem e desenvolvimento de sistemas — além de despesas com pessoal, impulsionadas pelo acordo coletivo e maior participação dos funcionários nos resultados.
Mesmo assim, o Itaú conseguiu avançar na busca por eficiência. O índice de eficiência no Brasil ficou em 34,9%, o melhor patamar histórico para um primeiro trimestre. No consolidado, o índice de eficiência fechou o período em 37,1%.
Vale lembrar: o banco estabeleceu uma meta ambiciosa de reduzir o índice de eficiência no varejo para 35% até 2028.
Segundo o banco, o trimestre foi marcado pela continuidade da agenda de transformação: expansão da oferta digital, fortalecimento do modelo de atendimento consultivo e ajustes na presença física — movimentos que ajudam a sustentar ganhos de produtividade no médio prazo.
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