Mercado Livre (MELI34) segue movendo céus e terra para crescer: no 1T26, vendas devem subir forte, enquanto lucro não acompanha
Por aqui, o desafio é a competição com outras plataformas de e-commerce, lá fora o objetivo é impulsionar o Mercado Pago; veja as projeções para o balanço do 1T26

A vencedora do Big Brother Brasil 2026, Ana Paula Renault, viralizou ao repetir uma frase que acabou resumindo sua trajetória dentro da casa: “permita-se ser mal-vista”. Mas, muito antes da participante transformar o bordão em fenômeno, uma empresa já seguia essa filosofia: o Mercado Livre (MELI34).
Há trimestres, a plataforma argentina de nascença e brasileira de coração vem bancando a aposta de trocar a rentabilidade por crescimento, para o arrepio de parte do mercado.
Em outras palavras, a plataforma de e-commerce deve vender mais, mas uma fatia menor dessa receita vira lucro operacional. As ações da empresa, negociadas na bolsa de Nova York (Nasdaq), já caem 9% no ano e mais de 17% no acumulado dos últimos 12 meses.
O Meli divulga o balanço do primeiro trimestre de 2026 nesta quinta-feira (7) e a narrativa segue a mesma, já que a empresa segue movendo céus e terra para fazer frente ao avanço de gigantes como Shopee e Amazon no Brasil — com iniciativas como a redução do valor mínimo de compra elegível para frete grátis, além de investimentos pesados em logística e marketing.
Além dos investimentos aqui, a companhia também tem pesado a mão na Argentina para avançar com o Mercado Pago, buscando acelerar principalmente a operação de cartões de crédito.
“É preciso ter paciência com a tese”, escreve o time de análise do Citi em relatório. Segundo o banco suíço, as ações da administração no curto prazo ainda não estão voltadas para aumentar os lucros e podem levar a mais instabilidade nas margens.
Leia Também
Veja o consenso da Bloomberg para os resultados:
- Receita: US$ 8,339 bilhões;
- Ebit (lucro antes de juros e impostos): US$ 668,9 milhões;
- Lucro líquido ajustado: US$ 432,6 milhões.
Mais vendas, menos margem e um grande desafio para o Mercado Livre
O BTG Pactual projeta um crescimento de 33% das vendas consolidadas na comparação anual, com salto de 31% no Brasil. Enquanto isso, a margem Ebit — que mostra a eficiência da operação principal do negócio — deve cair 550 pontos-base (p.b), para 7,4%.
Mesmo com mais vendas, a projeção do time de análise é que o lucro líquido do Meli caia 22% frente aos primeiros três meses do ano passado, para US$ 385 milhões.
Para os analistas do banco, isso deve aparecer como reflexo dos maiores investimentos para fortalecer o ecossistema da companhia e maior exposição ao negócio de fintech.
Na visão do Itaú BBA, as vendas devem avançar 38,3% na comparação anual, mas o primeiro trimestre ainda tende a ser marcado por pressão na rentabilidade.
O banco projeta uma queda de 20% no Ebit, para US$ 608 milhões, enquanto o lucro líquido deve recuar quase 9% em relação ao início de 2025, para US$ 451 milhões. Assim como o BTG Pactual, o Itaú também estima uma margem Ebit de 7,4%.
De acordo com os analistas, isso deve manter acesa a discussão sobre o valuation da plataforma de e-commerce.
“Nossa estimativa já incorpora níveis mais elevados de investimento, além da aceleração da operação de cartões de crédito pela fintech na Argentina, o que pressiona o Nimal, margem financeira líquida após perdas com inadimplência, no curto prazo”, escreve o Itaú BBA em relatório.
Para o time, no entanto, o grande desafio é que as projeções do Visible Alpha e da Bloomberg ainda apontam para um Ebit de US$ 670 milhões e US$ 691 milhões, respectivamente.
“Para que a ação tenha um bom desempenho no curto prazo, acreditamos que será necessário um resultado acima das expectativas nessa linha do balanço”, dizem os analistas.
O Mercado Pago
Na visão do Citi, o Mercado Pago deve seguir como um dos principais motores de crescimento do Mercado Livre no primeiro trimestre de 2026, especialmente por conta da expansão mais forte da operação de crédito.
O banco projeta que a companhia entregue uma receita consolidada de US$ 8,67 bilhões no período — cerca de 3% acima do consenso de mercado —, impulsionada principalmente pela fintech.
Segundo o relatório, a expectativa é de uma originação de crédito mais robusta, levando a carteira do Mercado Pago a ficar aproximadamente 5% acima das projeções do mercado. Por outro lado, esse avanço mais acelerado do braço financeiro deve continuar pressionando a rentabilidade no curto prazo.
O Citi estima que a margem bruta reflita tanto custos maiores de frete na operação de e-commerce quanto um aumento do custo de financiamento da fintech.
Além disso, as despesas operacionais devem vir maiores, pressionadas principalmente por provisões para crédito 10% superiores ao esperado e por gastos com vendas e marketing aproximadamente 6% acima do consenso.
Na última linha do balanço, o banco projeta Ebit de US$ 608 milhões no trimestre, com margem Ebit de 7,4%, em um cenário de investimentos mais elevados para sustentar o crescimento do ecossistema financeiro do Mercado Pago.
É DINHEIRO OU NÃO É?
Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
5 de novembro de 2026 - 14:18ENTROU EM PROMOÇÃO?
Ações com desconto? Queda de 9% é oportunidade para Méliuz (CASH3) após balanço, segundo dois bancões; entenda
5 de novembro de 2026 - 14:18EMPRESAS
Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
5 de novembro de 2026 - 13:58O QUE AGRADOU?
Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
5 de novembro de 2026 - 13:25ONDE INVESTIR NO VAREJO?
Juros mais altos por mais tempo: Citi rebaixa Magazine Luiza (MGLU3), eleva Alpargatas (ALPA4) e muda apostas no varejo
4 de novembro de 2026 - 14:45AMBIÇÃO RENOVADA
Revolut chega a US$ 115 bilhões e já vale mais que o dobro do Nubank; o que está por trás da aposta dos investidores
4 de novembro de 2026 - 12:35CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027
4 de novembro de 2026 - 11:56MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão
4 de novembro de 2026 - 10:06PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA
Apesar da pressão nos custos, Vale (VALE3) conta como economizou até US$ 3 bilhões no 3T26; ação sobe mesmo com balanço fraco
30 de outubro de 2026 - 15:18REDUÇÃO DE DÍVIDA NO RADAR
Vai sair do papel? CSN (CSNA3) dá passo decisivo para venda de negócio de cimentos por R$ 12,7 bilhões
30 de outubro de 2026 - 10:26BALANÇO 3T26
Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 53%, para US$ 1,255 bilhão
29 de outubro de 2026 - 20:27O FUTURO DA PETROLEIRA