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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

1T26 À PROVA

“Isso não é piora de risco”, diz CEO do Bradesco (BBDC4) após salto nas provisões do 1T26; desafio agora é convencer o mercado

Alta de 26,5% nas provisões chama atenção no trimestre, mas Marcelo Noronha muda o foco e revela aposta para o motor da rentabilidade em cenário mais desafiador

Camille Lima
Camille Lima
7 de maio de 2026
10:55
O CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha.
O CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha. - Imagem: Divulgação

O Bradesco (BBDC4) começou 2026 pagando o preço de crescer. As provisões avançaram 26,5% no 1T26 — bem acima dos principais concorrentes — e colocaram o banco sob um nível maior de escrutínio. Mas, para o CEO, Marcelo Noronha, isso não é motivo de preocupação. “Quando a carteira cresce, a provisão vem junto. Isso não é piora de risco”, disse o executivo. 

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Segundo ele, a explicação passa por uma combinação de fatores — alguns pontuais, outros estruturais.  

De um lado, um evento específico na carteira de grandes empresas, que concentrou boa parte do aumento das provisões e acabou amplificando o ruído do trimestre.  

De outro, o próprio crescimento da carteira do Bradesco em diversas frentes, que, sob regras mais conservadoras, exige provisões desde o início. 

Na prática, o balanço fica mais pressionado no curto prazo — mas, na leitura do banco, isso é consequência direta de uma escolha estratégica: crescer com disciplina, mesmo que o custo apareça antes da receita. 

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O desafio, agora, é menos operacional e mais de narrativa: tentar convencer o mercado de que o movimento reflete prudência na gestão de risco — e não deterioração da qualidade da carteira. 

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ROE: sem promessa, mas com direção 

Se há uma cobrança recorrente do mercado para o Bradesco, ela passa pela rentabilidade — mais especificamente, por um compromisso mais explícito com metas de ROE.  

Noronha, porém, segue evitando cravar um alvo de rentabilidade. “Nunca prometemos um patamar específico”, disse. “Mas seguimos na trajetória de crescimento do lucro.” 

Mesmo sem cravar números, o banco deixa claro onde estará a principal alavanca da rentabilidade daqui para frente: a margem financeira líquida. A expectativa é de crescimento em ritmo de um dígito alto ao longo do ano.  

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Segundo o CEO, a expansão passa por uma combinação de alavancas: 

  • Gestão mais fina de risco e tesouraria; 
  • Crescimento seletivo da carteira, com foco em linhas com garantia; e 
  • Disciplina de pricing cada vez mais sofisticada. 

“É escolha de safra, escolha de linha. O que importa é o retorno ajustado ao risco”, afirma o executivo. 

Bradesco mais conservador, mas ainda em movimento 

O cenário macro, no entanto, impõe limites. Com tensões geopolíticas, inflação pressionada e juros elevados, o próprio CEO do Bradesco reconhece um ambiente mais desafiador — o que levou a um viés mais conservador, segundo o executivo.  

Mas isso não significa pisar no freio. “Temos apetite moderado”, disse Noronha. “Estamos escolhendo melhor onde crescer.” 

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Ainda que o pano de fundo complique — com riscos que podem prolongar o ciclo de política monetária restritiva —, o banco está decidido a manter a estratégia. 

“Não muda o nosso trabalho”, afirmou. “Pode haver volatilidade, mas não é algo perene.” 

Apesar do ambiente macro mais difícil, o Bradesco sustenta que a qualidade do crédito permanece sob controle. A inadimplência acima de 90 dias permanece estável — e, segundo o CEO, deve continuar assim, com oscilações marginais. 

“O que pode acontecer é uma variação de 20 base points, nada fora do esperado.” 

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Sobre o novo Desenrola, Noronha avalia que o programa é positivo para o sistema — especialmente para famílias de menor renda, com descontos relevantes e crédito mais acessível via garantia do FGO. Mas, para o Bradesco, o impacto é limitado. 

“É relevante para esse público específico, mas não muda a nossa recorrência”, afirmou. 

Agro entra no radar  

Entre os segmentos que mais exigiram atenção no trimestre, o agronegócio ganhou destaque.  

O cenário, segundo o CEO, ficou mais difícil: juros elevados, câmbio apreciado pressionando exportadores e uma sequência recente de choques climáticos criaram um ambiente mais complexo para parte dos produtores.  

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O resultado foi um aumento de pedidos de renegociação e extensão de prazos, especialmente em operações que agora saem de períodos de carência. 

Ainda assim, o CEO evitou o tom de preocupação. “O agro brasileiro é extremamente competitivo”, disse Noronha. “Há segmentos com excelente liquidez e seguimos com apetite.” 

A disputa por alta renda e PMEs 

Enquanto o crédito exige mais seletividade, a estratégia comercial do Bradesco também passa por ajustes. Nos segmentos mais disputados — alta renda e pequenas e médias empresas (PMEs) — o foco deixou de ser expansão pura e passou a ser aprofundamento de relacionamento. 

“Não é só conquistar cliente. É aumentar o share of wallet”, disse Noronha. 

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No segmento de alta renda, a aposta está em "promover” a própria base, com clientes migrando para segmentos mais premium como Prime e Principal. 

Já nas PMEs, o banco reforça presença em linhas com garantia e programas como FGI e FGO, onde já possui participação relevante. 

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