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Lucro cresce pelo nono trimestre seguido e ROE continua a superar o custo de capital, mas ADRs XXXX em Wall Street; confira os destaques do balanço
O Bradesco (BBDC4) desembarca na temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) com a missão nada trivial de convencer o mercado de que a recuperação ganhou tração. Nesta safra, o banco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,81 bilhões no período.
O número veio levemente acima do consenso de mercado, que previa um lucro médio de R$ 6,652 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
O resultado também representa uma alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado e uma variação de 4,5% frente ao trimestre anterior. Trata-se ainda do nono trimestre consecutivo de melhora gradual nos resultados do banco.
"O ano começou em ritmo acelerado para o Bradesco, e o bom desempenho das nossas receitas é prova disso. Avançamos com cautela. O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos, reforçamos o nosso balanço, aproveitamos as oportunidades que apareceram e aumentamos a nossa rentabilidade”, disse o CEO, Marcelo Noronha, em nota à imprensa.
A reação inicial do mercado é positiva em um primeiro momento. Os ADRs (depósitos de ações) do Bradesco avançam 1,55% na primeira hora da divulgação do balanço, em meio ao after market em Wall Street.
Como tem sido regra na leitura do mercado, o foco dos investidores vai além do lucro. A rentabilidade continua no centro da tese de turnaround.
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O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco ficou em 15,8% no primeiro trimestre, também superando a expectativa dos analistas, de 15,4%.
A cifra representa uma alta de 0,6 ponto percentual na comparação trimestral e uma variação de 1,4 p.p em relação ao mesmo período de 2025.
Mesmo com a melhora sequencial, o banco ainda opera abaixo do patamar de rentabilidade observado nos principais concorrentes. Para efeito de comparação, o Santander Brasil (SANB11) encerrou o trimestre com ROE de 16%, enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) entregou uma rentabilidade de 24,8%.
No entanto, apesar da melhora, o Bradesco ainda não está disposto a colocar o pé no acelerador, afirmou o CEO. Para ele, o banco está no caminho certo rumo ao turnaround, e este será um ano "superimportante" para a transformação da instituição. “Começamos o ano em ritmo acelerado. Estamos otimistas, mas com cautela", disse o executivo.
Se há um ponto que ajuda a explicar o ritmo dessa recuperação, ele está na forma como o banco vem conduzindo sua carteira de crédito.
O Bradesco manteve a postura mais conservadora na concessão, priorizando operações com garantias e clientes de maior renda. A estratégia funciona como um amortecedor em momentos de maior incerteza, protegendo a qualidade dos ativos, mas limita uma expansão mais acelerada da carteira.
"Nosso apetite ao risco continua moderado, com viés para mais conservador, em função do acompanhamento dos indicadores de mercado sobre inadimplência, que apresentaram certa degradação, em particular no agronegócio e algumas modalidades", afirma o banco, em nota no balanço.
No primeiro trimestre, a carteira de crédito expandida cresceu 8,4% na comparação anual e 0,1% frente ao trimestre anterior, encerrando o período em R$ 1,09 trilhão.
Já o percentual de crédito com garantia alcançou a marca de 60,8%, crescimento de 3,8 p.p nos últimos 12 meses.
Do lado da inadimplência, os indicadores permaneceram sob controle. O índice de atrasos acima de 90 dias ficou praticamente estável em 4,2%, com leve recuo de 0,1 ponto percentual em relação a 2025 e tímida alta de 0,1 p.p na comparação trimestral.
Segundo o banco, o leve aumento dos atrasos longos é reflexo da performance em micro, pequenas e médias empresas (MPME), influenciada pelas operações de capital de giro com garantias, que possuem uma dinâmica específica de recuperação.
O Bradesco ainda afirmou que tem "produzido novas safras de crédito com qualidade", embora tenha observado "alguma piora" no portfólio de crédito rural de operações antigas para pessoas físicas e jurídicas.
Além disso, o banco afirma que os ativos problemáticos da carteira reestruturada continuaram a diminuir, o que levou a uma nova redução da participação das operações em Estágio 3 da carteira.
Em meio a esse cenário, as despesas expandidas com provisões para perdas no crédito (PDD) — o colchão que os bancos mantêm para absorver eventuais calotes — do Bradesco saltaram no trimestre.
O indicador avançou 26,5% na comparação anual e 9,5% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 9,66 bilhões.
Já o custo do crédito atingiu a marca de 3,5%, 0,3 p.p acima do último trimestre e 0,5 p.p maior do que o mesmo intervalo de 2025. Segundo o banco, o aumento reflete "casos pontuais no segmento de atacado e maior custo de crédito do massificado", isto é, para clientes de baixa renda.
"Parte do aumento do custo de crédito no massificado está relacionado a operações com programas
emergenciais, dada sua dinâmica de provisionamento versus prazo de recebimento, crédito rural de safras mais antigas, redução das operações em estágio 3 e da carteira reestruturada", diz a instituição.
Dessa forma, a expansão do indicador também é reflexo do reforço de balanço do Bradesco para casos específicos de inadimplência no segmento de Grandes Empresas e a cobertura da movimentação de Estágio 3 acima de 100%, segundo o banco.
Na linha de receitas, a margem financeira — que mede a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar e o que paga para captar recursos — somou R$ 20,05 bilhões no trimestre, uma alta de 16,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 4,2% na base trimestral.
Dentro desse número, a margem com clientes avançou 16,3% na comparação anual, totalizando R$ 19,49 bilhões, reflexo do aumento do volume médio das operações de crédito e dos spreads com demais operações com clientes.
Por sua vez, a margem financeira com o mercado — ligada às operações de tesouraria — registrou expansão de 19,7% na comparação anual e de quase 340% frente ao trimestre anterior, somando R$ 553 milhões.
Segundo o banco, o desempenho é resultado da performance de ALM (gestão de ativos e passivos) e das mesas de arbitragem.
As receitas do Bradesco com tarifas e prestação de serviços subiram 6,2% no período em relação ao ano passado, mas caíram 6,4% na comparação trimestral, a R$ 10,37 bilhões.
“Estamos ganhando produtividade e aumentando as receitas de forma diversificada. Hoje, fazemos mais com menos”, disse o CEO.
Do lado das despesas, o banco registrou gastos operacionais de R$ 16,17 bilhões, um aumento de 7,8% na base anual e queda de 4,6% frente ao trimestre passado.
O banco destaca que as despesas operacionais seguem controladas, mesmo considerando os investimentos no plano de transformação da instituição, especialmente em tecnologia.
"Estamos investindo muito em tecnologia, em pessoas, na nossa transformação. Essa agenda veio para ficar e a tendência é que a nossa produtividade continue a evoluir", acrescentou Noronha.
Se há uma frente que segue entregando resultados consistentes dentro do grupo, ela atende agora por um novo nome: BradSaúde (SAUD3).
A recém-estruturada holding — que reúne os ativos de saúde do Bradesco — estreou com lucro líquido consolidado de R$ 1,3 bilhão e uma rentabilidade anualizada (ROAE) de 24,8%.
Os números por si só já chamam atenção. Mas o principal argumento da companhia não está apenas nos resultados atuais, e sim no que pode vir a partir da integração dos negócios.
"Estamos destravando valor no Bradesco. A Bradsaúde nasceu, é realidade, um passo histórico", afirmou o CEO do Bradesco. "Seu potencial em saúde é incrível, e há também benefícios consequentes para a organização."
O movimento consolida três frentes relevantes que, até então, operavam de forma mais independente: Odontoprev, Bradesco Saúde e Atlântica Hospitais.
Separadas, essas operações já apresentavam crescimento consistente. Juntas, passam a formar um ecossistema mais integrado, com potencial de capturar sinergias, ampliar a oferta de produtos e melhorar a eficiência ao longo da cadeia de valor.
Na prática, a aposta é que a combinação desses ativos permita destravar novas avenidas de crescimento e rentabilidade, ainda não totalmente refletidas nos números atuais.
*Conteúdo em atualização.
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