BradSaúde (SAUD3) desembarca na B3: nova gigante da saúde estreia forte — e CEO já mira o que pode destravar valor daqui para frente
Nova empresa do grupo Bradesco nasce com números robustos, mas CEO Carlos Marinelli revela qual será o grande motor de crescimento futuro

A BradSaúde (SAUD3) estreia na B3 já com números de gente grande — e uma tese que vai além do tamanho. Com lucro de R$ 1,3 bilhão e rentabilidade (ROE) de 24,8% no primeiro trimestre, a companhia desembarca no mercado ancorada em resultados robustos.
Mas o principal argumento não está no retrovisor. Está na integração de negócios que, até aqui, operavam separados dentro do grupo Bradesco — e que agora passam a funcionar como um sistema único para destravar crescimento e rentabilidade.
“Hoje é um dia muito especial”, afirmou o CEO Carlos Marinelli, em entrevista coletiva nesta terça-feira (5). “A gente começa uma nova história, mas com ativos que já têm décadas de construção.”
O pano de fundo dessa nova fase é a consolidação de três frentes de negócios relevantes: Odontoprev, Bradesco Saúde e Atlântica Hospitais.
Separadas, elas já entregavam crescimento consistente. Juntas, segundo a companhia, formam um dos ecossistemas mais completos da saúde privada no Brasil — com potencial de ganhos que ainda não aparecem integralmente nos números.
"A estratégia é de crescimento, é de expansão de rentabilidade, é de criação de novos produtos cada vez mais integrados e eventualmente até trazendo novos negócios para esse ecossistema", disse o CEO da BradSaúde.
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O verdadeiro jogo da BradSaúde agora
Para os executivos, o principal vetor de valor da companhia está adiante: na captura de sinergias.
Na prática, isso significa integrar ofertas, canais de distribuição e até a jornada do cliente, substituindo uma dinâmica de colaboração pontual por uma atuação coordenada.
A lógica se estende por toda a cadeia, segundo o CEO. Um exemplo disso é a expansão da Atlântica Hospitais, joint venture com a Rede D’Or, que é vista como peça-chave para ampliar o controle sobre custos e experiência do cliente, além de abrir espaço para novos produtos.
“A ideia é conectar todos os elementos dessa cadeia de valor. Isso vai se traduzir em produtos, novos investimentos e soluções integradas”, disse o CEO.
Na leitura da companhia, é essa integração que deve destravar novas avenidas de crescimento, tanto em receita quanto em rentabilidade ao longo dos próximos anos.
O que cada unidade de negócios traz para o jogo
A integração parte de negócios já sólidos, cada um com vetores próprios de crescimento.
A Odontoprev encerra um ciclo de duas décadas como empresa listada com expansão média de receita de 15% ao ano e uma base de 9,4 milhões de beneficiários, com destaque para o avanço em pequenas e médias empresas (PMEs).
Já a Bradesco Saúde, responsável por 83% do lucro consolidado, voltou a acelerar após um período de ajuste. Foram mais de 50 mil novos beneficiários no primeiro trimestre, levando a carteira para perto de 4 milhões de vidas. No período, o lucro líquido avançou 33,5%, para R$ 1,2 bilhão.
A Atlântica Hospitais, por sua vez, ainda tem uma representatividade tímida, respondendo por cerca de 1% do lucro. Essa escala, segundo a administração, aparece como uma das principais avenidas de crescimento dentro da nova estrutura.
O próximo capítulo da BradSaúde
Para a companhia, o diferencial competitivo da BradSaúde estará na capacidade de execução, especialmente na velocidade de integração entre os diferentes ativos.
A expectativa é que, ao longo do tempo, essa dinâmica também altere a composição do lucro, com unidades ainda incipientes ganhando relevância.
“Tem negócios que já estão maduros e outros que vão crescer mais rápido”, disse Marinelli. “E isso deve mudar a composição do resultado ao longo do tempo.”
PMEs no centro da estratégia
Um dos pilares de expansão da BradSaúde está no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). Hoje, os planos empresariais já somam mais de 3 milhões de vidas na Bradesco Saúde, e a expectativa é de continuidade desse movimento.
“O Brasil é movido pelas pequenas e médias empresas”, afirmou Marinelli. “São empresários que querem acessar soluções de saúde como as grandes companhias, e nós estamos posicionados para atender essa demanda.”
A estratégia combina produtos mais acessíveis, distribuição via corretores e capilaridade nacional.
Sinistralidade na mira
Embora o crescimento seja um dos pilares da tese da BradSaúde, o controle de custos segue no centro das atenções. No primeiro trimestre, a empresa reportou uma sinistralidade de 79% no segmento de saúde.
Porém, o número carrega efeitos sazonais, como menor utilização de serviços no início do ano, influenciada por férias e Carnaval, além de ajustes de sinistros não reportados no fim do ano anterior.
Por isso, para este ano, a leitura é mais conservadora. “Nós vemos a sinistralidade com muita cautela no ano de 2026”, disse Marinelli. “Houve uma aceleração de frequência e custos médios por visita no segundo semestre de 2025.”
Por trás dessa dinâmica está a inflação médica, pressionada não apenas por preços, mas também pelo aumento da utilização dos planos.
O que dizem os analistas
Na visão do BTG Pactual, os números do primeiro trimestre são um ponto de partida encorajador – o que sustentam a decisão do banco de manter recomendação de compra para as ações SAUD3.
Os analistas destacam o lucro acima do padrão histórico e sinais positivos na sinistralidade, além da expansão contínua da base de beneficiários total.
"Apesar da divulgação ainda limitada, vemos os resultados do 1T da BradSaúde como encorajadores", afirmam os analistas. "O resultado reforça pontos-chave, particularmente a melhora consistente da sinistralidade e a contribuição já positiva da Atlântica, que esperamos que aumente."
Segundo o BTG, um dos principais pilares da tese construtiva é o posicionamento da BradSaúde dentro da cadeia de valor da saúde privada e seu papel potencial como consolidadora do setor, inclusive por meio de parcerias com players como a Rede D’Or.
Já o Itaú BBA descreve o balanço do 1T26 como "uma estreia saudável", apesar de o formato do relatório ter tornado as comparações um pouco mais desafiadoras para os investidores.
Apesar disso, os analistas afirmam que os resultados da vertical de planos de saúde foram sólidos, com crescimento da base de beneficiários e uma dinâmica de sinistralidade melhor do que o esperado.
"A queda sequencial da sinistralidade da Bradsaúde no 1T26 pode sinalizar uma melhora na dinâmica de custos por beneficiário e prepara o terreno para um momento positivo de resultados à frente", avalia o Itaú BBA, que manteve recomendação outperform, equivalente à compra, para SAUD3.
Na leitura de Harold Takahashi, sócio da Fortezza Partners, o balanço trouxe uma "interessante confirmação de escala". Com uma receita combinada total de R$ 52 bilhões em 2025, a BradSaúde assume como o segundo maior grupo de saúde no Brasil, atrás apenas da Rede D'Or, com um pouco mais de R$ 60 bilhões.
Para Takahashi, um dos principais ganhos da nova estrutura é que não haverá uma verticalização intensa, mas sim integração em pontos estratégicos, como:
- Venda cruzada (cross-selling) entre planos odontológicos e de saúde;
- Ganhos negociais com fornecedores, pela soma da demanda;
- Sinergias em informação e tecnologia, com coordenação de cuidados e inteligência de dados para reduzir sinistralidade e melhorar eficiência.
"Esses ganhos se assemelham a uma verticalização leve, com menos imposição aos beneficiários e mais uso de dados para gestão", avalia o especialista.
Quanto aos riscos, o sócio da Fortezza destaca o desafio de execução de uma transição tão grande, além da necessidade de uma oferta subsequente de ações (follow-on) para atingir o patamar mínimo de 20% de free float das ações, hoje abaixo de 10%.
Soma-se a isso o fato de o mercado de saúde enfrentar um controle de sinistralidade e inflação de custos e uma agenda regulatória e decisões judiciais imprevisíveis.
RESULTADO
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