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O banco cortou a recomendação da dona da Hering de compra para neutra, enquanto revisou estimativas para uma série de outras empresas brasileiras diante da guerra e juros elevados

Os reflexos da guerra no Oriente Médio parecem estar começando a aparecer para o varejo no Brasil. Na visão do Bank of America (BofA), o cenário mais desafiador já levou a uma revisão ampla nas recomendações e estimativas do setor. O banco rebaixou as ações da Azzas 2154 (AZZA3) de compra para neutra, citando pressões operacionais, aumento de custos e um ambiente mais competitivo.
Ao mesmo tempo, reduziu preços-alvo e projeções de lucro de diversas empresas, como Magazine Luiza (MGLU3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), Alpargatas (ALPA4), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3).
Segundo o time de análise, a principal pressão vem da alta do petróleo. O avanço da commodity tem elevado os preços de combustíveis e aumentado os custos logísticos das empresas. Apesar de medidas para amenizar o impacto, o consumidor já sente o aperto — e não é só por aqui.
O Chile elevou os preços dos combustíveis em até 54%, enquanto na Argentina a alta chega a quase 20%. No Brasil, subsídios limitaram o aumento a cerca de 8%, enquanto no México os preços regulados ficaram defasados.
Ainda assim, o efeito combinado de energia mais cara e alimentos em alta diminui o espaço para o consumo discricionário. Isso atinge diretamente segmentos como vestuário, eletrônicos e bens duráveis.
Ao mesmo tempo, o risco regulatório volta ao radar. A possível revisão das tarifas sobre compras internacionais, em meio ao ambiente político, pode intensificar a concorrência com players estrangeiros.
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O impacto tende a ser mais forte em segmentos como vestuário, pressionando preços, comprimindo margens e dificultando a recuperação das empresas locais.
Nesse ambiente, os rebaixamento da para as ações da Azzas 2154 reflete preocupações com um turnaround mais lento da Hering, a falta de catalisadores relevantes e a exposição ao risco do e-commerce internacional.
Vale lembrar que uma das principais marcas do grupo passou a enfrentar maior pressão competitiva nos últimos tempos, com a chegada da “irmã mais barata da Zara”, a Bershka, ao Brasil. Além disso, a própria Zara adotou uma estratégia de preços mais baixos, intensificando a disputa no segmento.
O banco também reduziu o preço-alvo para as ações de R$ 32 para R$ 28, o que representa um potencial de quase 9% em relação ao fechamento da última terça-feira (31). Segundo o BofA, o preço-alvo agora passa a considerar sete vezes o lucro ajustado para 2027.
"Revisamos nossas estimativas de lucro por ação para 2026, 2027 e 2028, reduzindo as projeções para R$ 3,83, R$ 4,69 e R$ 5,37, respectivamente", escrevem os analistas em relatório.
Os cortes de projeção se espalharam por outras empresas do setor. No caso do Magalu, o banco reduziu as estimativas de lucro para os próximos anos, refletindo o impacto de juros mais altos e um cenário mais desafiador para o varejo on-line. As estimativas para 2026 a 2028 caíram para R$ 0,43, R$ 0,65 e R$ 0,84.
O preço-alvo foi levemente ajustado para R$ 6, ante R$ 5,30 anteriormente. O novo valor representa uma queda potencial de 31% em relação ao fechamento de terça-feira (31).
A recomendação do BofA para a ação é underperform, ou seja, a expectativa é de que os papéis tenham um desempenho abaixo da média do mercado, podendo ficar para trás em relação a outras ações comparáveis.
Já o Grupo Pão de Açúcar teve o preço-alvo reduzido de R$ 1,60 para R$ 1,50, o que implica em queda de mais e 40% em relação ao encerramento das negociações ontem.
"Também revisamos para baixo nossas estimativas de lucro por ação para 2026, 2027 e 2028, que passaram para prejuízo de R$ 1,26, R$ 0,56 e R$ 0,11, respectivamente. Na mesma linha, as projeções de lucro líquido também foram reduzidas para prejuízos de R$ 618 milhões, R$ 275 milhões e R$ 53 milhões", escreve o time que tem a mesma recomendação de underperfrom para PCAR3.
A revisão acontece em meio a recuperação extrajudicial da empresa, que entrou com pedido na esteira de dívidas de R$ 4,5 bilhões e espera a aprovação da maioria dos credores para seguir em frente na reestruturação. A companhia também tem um outro problema potencial bem maior, de R$ 17 bilhões. Explicamos mais detalhes nesta reportagem.
A Alpargatas também teve seu preço-alvo reduzido de R$ 16 para R$ 15, o que representa um potencial de alta de 11,68% em relação ao fechamento de terça-feira (31).
Os analistas revisaram para baixo as estimativas de lucro refletindo a necessidade de gastos com marketing maiores, além do cenário complicado. A recomendação de compra para os papéis da dona da Havaianas segue mantida.
A Hypera, por sua vez, teve seu preço-alvo mantido pelo banco, mas as estimativas para lucro por ação (EPS) foram revisadas para baixo para baixo.
As projeções para 2026, 2027 e 2028 passaram para R$ 2,62, R$ 3,08 e R$ 3,63, respectivamente.
A redução reflete, principalmente, a diluição decorrente do aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, com a emissão de 70 milhões de novas ações, que eleva o número de papéis em circulação e, consequentemente, reduz o lucro por ação, mesmo sem necessariamente indicar piora operacional.
Por outro lado, nossas projeções de lucro líquido para 2026, 2027 e 2028 foram elevadas para R$ 1,8 bilhão, R$ 2,1 bilhões e R$ 2,5 bilhões, refletindo a expectativa de uso dos recursos para amortização da dívida, mesmo com projeções de juros mais elevados.
"Nosso preço-alvo agora se baseia em um múltiplo de 10,5 vezes o EPS projetado para 2027 (ante 11,5 vezes o EPS de 2026 anteriormente), ainda em linha com pares internacionais comparáveis. Reiteramos nossa recomendação de compra para as ações", escreve o time de análise.
Outros nomes também entraram na revisão do Bank of America, com cortes nas projeções de lucro diante de um cenário mais pressionado.
A Smart Fit teve estimativas reduzidas e preço-alvo cortado, de R$ 26 para R$ 22, com recomendação neutra mantida, refletindo pressões de rentabilidade e custos mais altos.
A Track & Field também teve projeções revisadas para baixo, mas segue com recomendação de compra, apoiada no potencial de longo prazo.
Já a Vivara teve cortes nas estimativas e no preço-alvo, que saiu de R$ 41 para R$ 33, ainda que com recomendação de compra mantida.
Na avaliação do banco, as revisões refletem um ambiente marcado por juros elevados, pressão de custos e consumo mais fraco, o que dificulta a expansão de receitas e a preservação de margens no setor.
A RD Saúde aparece como um dos poucos destaques positivos, com revisões para cima nas estimativas. O desempenho é sustentado por ganhos de eficiência e crescimento consistente das vendas, reforçando a tese de que modelos mais resilientes tendem a navegar melhor em momentos de pressão macroeconômica.
O BofA elevou as estimativas lucro por ação para 2026, 2027 e 2028 para R$ 1,00, R$ 1,29 e R$ 1,54, respectivamente.
Em termos de lucro líquido, as projeções subiram para R$ 1,7 bilhão, R$ 2,2 bilhões e R$ 2,7 bilhões, refletindo a incorporação dos resultados do quarto trimestre de 2025, a venda da 4Bio e o desempenho mais forte das vendas no varejo, com maior alavancagem operacional.
O preço-alvo foi mantido em R$ 28, o que representa alta de quase 20% frente ao fechamento de terça-feira (31).
"Nosso preço-alvo agora se baseia em um múltiplo de 22 vezes o lucro projetado para 2027, ante 28 vezes o lucro de 2026 anteriormente, ainda com um leve desconto em relação à média histórica da ação. Reiteramos nossa recomendação de compra para as ações", escreve o banco em relatório.
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