O duelo dos bancos digitais ficou mais difícil: Inter e Nubank encaram novo teste em 2026; veja o que esperar dos balanços do 1T26
Expansão continua forte, mas avanço do crédito e aumento de provisões colocam qualidade dos resultados em xeque; o que dizem os analistas agora?

Durante anos, a história dos bancos digitais foi escrita em ritmo acelerado: mais clientes, mais crédito, mais receita. Agora, o roteiro começa a mudar. Na largada de 2026, Nubank e Inter entram na temporada de resultados pressionados a mostrar algo além do crescimento.
O desafio no primeiro trimestre de 2026 (1T26) é provar que eles conseguem crescer sem perder o controle da qualidade, da rentabilidade e, principalmente, do risco.
O primeiro a ser testado será o Inter, que divulga seus resultados na quinta (7), antes da abertura do mercado.
Uma semana depois, no dia 14, é a vez de o Nubank divulgar seus números, após o fechamento.
Inter versus Nubank: crescimento ainda forte, mas com novas cobranças
Se antes a corrida era por escala, o foco do mercado agora é a qualidade desse crescimento.
Para o Inter, a expectativa dos analistas é de lucro líquido em torno de R$ 401 milhões no 1T26, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,3%.
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Já para o Nubank, o mercado projeta um lucro de US$ 879 milhões e ROE próximo de 31%.
Mais do que quem ganha mais dinheiro, o que deve ser respondido é de onde vem esse crescimento e quais serão as concessões feitas ao longo do caminho.
Inter rumo ao 60-30-30, mas com custo no curto prazo
O Inter chega ao trimestre tentando sustentar sua principal promessa estratégica: o plano 60-30-30. A estratégia busca atingir 60 milhões de clientes, operar com eficiência de 30% e alcançar um ROE de 30% até o fim de 2027.
Os analistas preveem que o crescimento seguirá forte na largada de 2026, mas não sem custo.
A expectativa é que a expansão da carteira de crédito avance próxima de 30% ao ano, impulsionada por linhas como imobiliário, home equity e, principalmente, o consignado privado, que ganhou protagonismo dentro do portfólio.
“O crescimento da carteira deve permanecer robusto, impulsionado pelo consignado privado, mas com impacto direto nas provisões no curto prazo”, resume o UBS BB.
É justamente nesse produto que se concentram as maiores dúvidas dos analistas. Na prática, o banco antecipa provisões maiores em troca de expansão mais acelerada — um movimento que pressiona o custo de risco e limita a evolução das margens.
O JP Morgan também destaca esse efeito colateral. Os analistas projetam um lucro ligeiramente abaixo do consenso, refletindo uma combinação de margem financeira estável e aumento do custo de crédito.
“O custo de risco deve aumentar conforme o Inter expande o consignado privado, com perdas operacionais pressionadas nesse produto”, dizem os analistas.
Esse equilíbrio mais delicado aparece nas projeções de margem. Depois de vários trimestres de expansão, a tendência agora é de estabilidade — ou até leve compressão quando ajustada ao risco.
O Goldman Sachs reforça essa leitura, citando a sazonalidade do custo de funding e sinais iniciais de deterioração na inadimplência de cartões.
Ainda assim, o banco segue entregando um dos pilares centrais da tese, segundo os analistas: a eficiência.
“O lucro deve crescer com apoio da expansão da carteira e ganhos de eficiência, mesmo com provisões mais altas”, diz o Bank of America (BofA).
Nubank: escala, eficiência — e o peso de investir
Enquanto o Inter ainda constrói margens, o Nubank entra em 2026 tentando preservar as suas.
A expectativa é de mais um trimestre forte, com crescimento de lucro sustentado pela expansão do crédito, aumento das receitas de tarifas e um mix mais favorável. Mas o foco do mercado começa a migrar para outro ponto: o custo desse crescimento.
“2026 deve ser um ano de investimentos, com eficiência mais lateral”, prevê o JPMorgan.
A lista de despesas inclui expansão internacional, investimentos em tecnologia — especialmente em inteligência artificial —, marketing para consolidação de marca global e até custos associados ao retorno aos escritórios.
Ainda assim, o ROE na casa de 30% reforça a percepção de que o banco já atravessou a fase mais sensível do seu ciclo de maturação, segundo o JP Morgan.
Já o BofA chama atenção para a continuidade de despesas elevadas, impulsionadas principalmente por tecnologia e branding, além da falta de efeitos extraordinários que beneficiaram resultados anteriores.
O UBS BB acrescenta um fator adicional: a tributação. Há sinais de que a alíquota efetiva pode se estabilizar em um patamar estruturalmente mais baixo do que o mercado costuma considerar — o que abriria espaço para surpresas positivas recorrentes nos lucros.
Ainda assim, o mercado espera que o crescimento da carteira continue forte, impulsionado principalmente pelo cartão de crédito, com limites mais altos viabilizados por modelos mais sofisticados de análise de risco.
Além disso, a operação internacional começa a ganhar tração. No México, por exemplo, os números seguem avançando com inadimplência ainda controlada, segundo os analistas.
O Nubank já afirmou que o Brasil e México seguem como prioridades estratégicas, e o objetivo da fintech é continuar a avançar com a licença bancária no país.
Para o Goldman Sachs, esse conjunto de fatores mantém o Nubank como o “nome preferido” entre os bancos digitais no curto prazo, com receitas acima do consenso e espaço para novas alavancas operacionais, mesmo em um ciclo de investimento mais pesado.
“Apesar do aumento dos gastos, a companhia ainda colhe ganhos relevantes de eficiência”, afirmam os analistas, que veem crescimento da receita de crédito entre 25% e 43% ao ano nos próximos três anos.
RESULTADO
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