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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

TERMÔMETRO DO RESULTADO

Bradesco (BBDC4) vira o jogo? Banco entra no 1T26 como a aposta da vez — e analistas revelam se vale a pena comprar as ações

Mercado prevê que banco deve se destacar na temporada, com avanço de lucro e melhora operacional. Veja o que esperar do balanço dos três primeiros meses de 2026

Camille Lima
Camille Lima
6 de maio de 2026
7:22 - atualizado às 12:26
Fachada de agência do Bradesco (BBDC4).
Fachada de agência do Bradesco (BBDC4). - Imagem: Divulgação

Se há alguns trimestres o Bradesco (BBDC4) era visto como uma das principais fontes de risco entre os grandes bancos, com balanços que mais assustavam do que animavam, o jogo começou a virar. Na temporada do primeiro trimestre de 2026 (1T26), a expectativa é que o banco deixe de vez o status de “underdog” para trás, confirmando a tese de que a recuperação, lenta e disciplinada, segue de pé.

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Inclusive, desta vez há quem veja o Bradesco como o potencial destaque positivo da safra de resultados do setor financeiro — mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco para o segmento. 

Os analistas preveem um lucro líquido de R$ 6,652 bilhões no 1T26, alta de 13,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, segundo o consenso da Bloomberg.

Mais importante do que o crescimento em si é a sequência: se confirmado, será o nono trimestre consecutivo de melhora gradual nos resultados do banco comandado por Marcelo Noronha. 

Na rentabilidade, a evolução também segue no radar. As projeções compiladas pelo Seu Dinheiro indicam um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,4%.

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O que esperar do Bradesco (BBDC4) no 1T26 

XP Investimentos aposta que o resultado do 1T26 deve reforçar a visão de que o Bradesco segue em uma trajetória disciplinada de recuperação “step by step”.  

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Na visão da corretora, o banco tem tudo para ser o principal destaque entre os incumbentes nesta temporada de resultados, justamente por conseguir avançar mesmo em um trimestre tipicamente mais fraco. 

Já o Safra avalia que o Bradesco pode ser o único entre os grandes bancos a apresentar expansão sequencial de ROE no período, ainda que de forma modesta.

"O desempenho tende a refletir uma combinação de crescimento moderado da carteira, estabilidade da margem ajustada ao risco e algum alívio nas despesas operacionais”, dizem os analistas. 

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Vale destacar que o ambiente segue apertado para o setor financeiro, com pressão sobre inadimplência e custo de risco — e é justamente aí que o banco precisa mostrar consistência. 

UBS BB aponta dois focos principais de atenção para o balanço: os desdobramentos do acordo envolvendo a BradSaúde e, principalmente, sinais de que o Bradesco consegue entregar o nível de resultados que o mercado espera — hoje, acima do ponto médio do guidance da própria instituição. 

Segundo os analistas, a expectativa é que o banco traga mais detalhes sobre o impacto da operação no capital, um tema que pode influenciar diretamente a percepção de risco e a capacidade de distribuição futura.  

“Caso o banco entregue o desempenho que esperamos para o 1T26, a tendência de revisões negativas de lucros pelo consenso pode cessar”, avalia o UBS BB. 

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De olho nos riscos 

Na frente de risco, os analistas destacam que o cenário ainda pede atenção.  

JP Morgan espera um trimestre razoável”, mas alerta para possíveis pressões vindas de eventos de inadimplência na carteira corporativa.  

Já o Bank of America (BofA) reforça que o ambiente de juros elevados segue pesando sobre famílias e empresas, o que pode exigir reforço nas provisões — o colchão dos bancos contra calotes. 

Enquanto isso, o BTG Pactual avalia que o Bradesco deve apresentar um comportamento de inadimplência melhor do que a média do setor, reflexo de uma postura mais cautelosa na concessão de crédito. 

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Esse equilíbrio também deve aparecer na dinâmica do portfólio de crédito do Bradesco. A previsão dos analistas é de desaceleração no crescimento, com foco em linhas de menor risco — como financiamento de veículos, crédito consignado e operações com garantia. 

“Vemos o Bradesco mantendo boa tração comercial e um apetite ao risco moderado, dado o pano de fundo macroeconômico”, dizem os analistas. 

O que esperar do Bradesco em 2026? 

Se o primeiro trimestre deve funcionar como mais um “checkpoint” da recuperação, o restante do ano ainda carrega oportunidades para o Bradesco. 

O BTG avalia que o banco segue bem-posicionado para entregar resultados próximos ao meio ou ao topo do guidance (projeção) de 2026. A trajetória, no entanto, deve ser menos acelerada do que em momentos anteriores, segundo os analistas. 

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A expectativa é de crescimento mais moderado da carteira de crédito e manutenção da inadimplência sob controle ao longo do ano, ainda que com pressões no primeiro semestre. 

O pano de fundo macro ajuda a explicar essa previsão. Juros ainda elevados tendem a pressionar a qualidade de crédito no curto prazo, com uma possível melhora na segunda metade do ano — à medida que a Selic recua, a inflação fica mais comportada e o cenário político ganha mais previsibilidade após as eleições, afirmou o BTG. 

Nesse contexto, uma das avenidas mais promissoras é a margem com clientes, que pode seguir crescendo em ritmo de dois dígitos baixos, sustentando a expansão de resultados, na leitura dos analistas. 

Vale a pena apostar em BBDC4? 

A mudança de percepção em torno do Bradesco já começou a aparecer nas recomendações.  

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Entre sete classificações compiladas pela Broadcast, seis recomendam compra para as ações BBDC4, enquanto uma mantém indicação neutra. 

Para o Safra, o banco desponta como uma das teses mais equilibradas dentro do setor neste momento, combinando recuperação em andamento com valuation ainda descontado em relação aos pares. 

Enquanto isso, a XP adota um tom mais cauteloso. Embora reconheça a evolução dos resultados, a corretora avalia que o caminho à frente tende a ser mais desafiador. 

Na visão dos analistas, os “ganhos fáceis” já ficaram para trás. Agora, o Bradesco deve enfrentar um ambiente de competição mais intensa, necessidade contínua de investimentos em tecnologia e um cenário macroeconômico menos favorável. 

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Além disso, as ações ainda carregam um certo grau de ceticismo por parte do mercado em relação à capacidade do banco de sustentar retornos consistentemente acima do custo de capital, segundo a XP. 

"O potencial de valorização limitado nos níveis atuais, um ambiente macroeconômico menos favorável e riscos persistentes de execução — especialmente em comparação com concorrentes que estão mais avançados na curva de transformação — nos levam a reiterar nossa recomendação neutra”, dizem os analistas da corretora. 

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