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Mercado prevê que banco deve se destacar na temporada, com avanço de lucro e melhora operacional. Veja o que esperar do balanço dos três primeiros meses de 2026
Se há alguns trimestres o Bradesco (BBDC4) era visto como uma das principais fontes de risco entre os grandes bancos, com balanços que mais assustavam do que animavam, o jogo começou a virar. Na temporada do primeiro trimestre de 2026 (1T26), a expectativa é que o banco deixe de vez o status de “underdog” para trás, confirmando a tese de que a recuperação, lenta e disciplinada, segue de pé.
Inclusive, desta vez há quem veja o Bradesco como o potencial destaque positivo da safra de resultados do setor financeiro — mesmo em um trimestre sazonalmente mais fraco para o segmento.
Os analistas preveem um lucro líquido de R$ 6,652 bilhões no 1T26, alta de 13,4% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, segundo o consenso da Bloomberg.
Mais importante do que o crescimento em si é a sequência: se confirmado, será o nono trimestre consecutivo de melhora gradual nos resultados do banco comandado por Marcelo Noronha.
Na rentabilidade, a evolução também segue no radar. As projeções compiladas pelo Seu Dinheiro indicam um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,4%.
A XP Investimentos aposta que o resultado do 1T26 deve reforçar a visão de que o Bradesco segue em uma trajetória disciplinada de recuperação “step by step”.
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Na visão da corretora, o banco tem tudo para ser o principal destaque entre os incumbentes nesta temporada de resultados, justamente por conseguir avançar mesmo em um trimestre tipicamente mais fraco.
Já o Safra avalia que o Bradesco pode ser o único entre os grandes bancos a apresentar expansão sequencial de ROE no período, ainda que de forma modesta.
"O desempenho tende a refletir uma combinação de crescimento moderado da carteira, estabilidade da margem ajustada ao risco e algum alívio nas despesas operacionais”, dizem os analistas.
Vale destacar que o ambiente segue apertado para o setor financeiro, com pressão sobre inadimplência e custo de risco — e é justamente aí que o banco precisa mostrar consistência.
O UBS BB aponta dois focos principais de atenção para o balanço: os desdobramentos do acordo envolvendo a BradSaúde e, principalmente, sinais de que o Bradesco consegue entregar o nível de resultados que o mercado espera — hoje, acima do ponto médio do guidance da própria instituição.
Segundo os analistas, a expectativa é que o banco traga mais detalhes sobre o impacto da operação no capital, um tema que pode influenciar diretamente a percepção de risco e a capacidade de distribuição futura.
“Caso o banco entregue o desempenho que esperamos para o 1T26, a tendência de revisões negativas de lucros pelo consenso pode cessar”, avalia o UBS BB.
Na frente de risco, os analistas destacam que o cenário ainda pede atenção.
O JP Morgan espera um trimestre razoável”, mas alerta para possíveis pressões vindas de eventos de inadimplência na carteira corporativa.
Já o Bank of America (BofA) reforça que o ambiente de juros elevados segue pesando sobre famílias e empresas, o que pode exigir reforço nas provisões — o colchão dos bancos contra calotes.
Enquanto isso, o BTG Pactual avalia que o Bradesco deve apresentar um comportamento de inadimplência melhor do que a média do setor, reflexo de uma postura mais cautelosa na concessão de crédito.
Esse equilíbrio também deve aparecer na dinâmica do portfólio de crédito do Bradesco. A previsão dos analistas é de desaceleração no crescimento, com foco em linhas de menor risco — como financiamento de veículos, crédito consignado e operações com garantia.
“Vemos o Bradesco mantendo boa tração comercial e um apetite ao risco moderado, dado o pano de fundo macroeconômico”, dizem os analistas.
Se o primeiro trimestre deve funcionar como mais um “checkpoint” da recuperação, o restante do ano ainda carrega oportunidades para o Bradesco.
O BTG avalia que o banco segue bem-posicionado para entregar resultados próximos ao meio ou ao topo do guidance (projeção) de 2026. A trajetória, no entanto, deve ser menos acelerada do que em momentos anteriores, segundo os analistas.
A expectativa é de crescimento mais moderado da carteira de crédito e manutenção da inadimplência sob controle ao longo do ano, ainda que com pressões no primeiro semestre.
O pano de fundo macro ajuda a explicar essa previsão. Juros ainda elevados tendem a pressionar a qualidade de crédito no curto prazo, com uma possível melhora na segunda metade do ano — à medida que a Selic recua, a inflação fica mais comportada e o cenário político ganha mais previsibilidade após as eleições, afirmou o BTG.
Nesse contexto, uma das avenidas mais promissoras é a margem com clientes, que pode seguir crescendo em ritmo de dois dígitos baixos, sustentando a expansão de resultados, na leitura dos analistas.
A mudança de percepção em torno do Bradesco já começou a aparecer nas recomendações.
Entre sete classificações compiladas pela Broadcast, seis recomendam compra para as ações BBDC4, enquanto uma mantém indicação neutra.
Para o Safra, o banco desponta como uma das teses mais equilibradas dentro do setor neste momento, combinando recuperação em andamento com valuation ainda descontado em relação aos pares.
Enquanto isso, a XP adota um tom mais cauteloso. Embora reconheça a evolução dos resultados, a corretora avalia que o caminho à frente tende a ser mais desafiador.
Na visão dos analistas, os “ganhos fáceis” já ficaram para trás. Agora, o Bradesco deve enfrentar um ambiente de competição mais intensa, necessidade contínua de investimentos em tecnologia e um cenário macroeconômico menos favorável.
Além disso, as ações ainda carregam um certo grau de ceticismo por parte do mercado em relação à capacidade do banco de sustentar retornos consistentemente acima do custo de capital, segundo a XP.
"O potencial de valorização limitado nos níveis atuais, um ambiente macroeconômico menos favorável e riscos persistentes de execução — especialmente em comparação com concorrentes que estão mais avançados na curva de transformação — nos levam a reiterar nossa recomendação neutra”, dizem os analistas da corretora.
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