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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

A FÓRMULA DO ITAÚ

Itaú (ITUB4) dribla inadimplência outra vez — e CEO revela o ‘segredo’ para crescer sem perder a mão no crédito em 2026

Milton Maluhy Filho afirma que aposta em ajuste fino no crédito e foco em clientes “certos”; veja a estratégia do CEO do banco

Camille Lima
Camille Lima
6 de maio de 2026
11:08
CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho.
CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho. - Imagem: Divulgação

O Itaú Unibanco (ITUB4) começa 2026 com a missão de sustentar sua principal fortaleza: a previsibilidade. Em busca de um equilíbrio cada vez mais raro no setor financeiro, o maior banco privado do Brasil quer continuar crescendo sem relaxar o controle de risco. “Não houve mudança no apetite. Mas o apetite é dinâmico”, afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho

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Não se trata de pisar no freio, mas tampouco de acelerar no escuro. O objetivo é ajustar o ritmo em tempo real, à medida que o cenário doméstico e global muda. 

“O desafio diário é olhar para frente e ajustar a rota”, afirmou o executivo, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (6). “Temos capacidade de calibrar a concessão todos os dias.”

A estratégia de crédito do Itaú 

Na prática, isso significa manter o crescimento, inclusive em ritmo de dois dígitos em segmentos prioritários, mas com uma régua mais fina.  

O Itaú segue expandindo, mas de forma seletiva, escolhendo onde, como e para quem emprestar. 

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“Aumentar penetração, relacionamento e principalidade é o nome do jogo”, disse o CEO.  

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Nesse processo, a segmentação vai além da renda. O foco passa a ser cada vez mais comportamental, apoiado em modelos analíticos que tentam antecipar o momento financeiro de cada cliente ao longo do ciclo de crédito.  

“Existem clientes de baixa renda que são alvo — e clientes de renda mais alta que deixam de ser, dependendo do nível de endividamento”, explicou o executivo. 

O pano de fundo explica a cautela. Juros elevados, maior comprometimento de renda e famílias mais endividadas já começam a afetar a demanda por crédito. O ambiente global também adiciona uma camada extra de volatilidade, em meio a incertezas geopolíticas. 

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“O nível de taxa de juros gera menor demanda pelos clientes”, disse Maluhy. “Observamos aumento de comprometimento de renda e maior endividamento.” 

Disciplina como “antídoto” para a inadimplência 

A qualidade da carteira segue como principal termômetro do Itaú — e, até aqui, sob controle. Em um trimestre sazonalmente mais pressionado para o crédito, o Itaú conseguiu manter os índices de atrasos estáveis.  

“Nenhum portfólio está 100% imune”, reconheceu o CEO. “Mas temos capacidade de reagir rapidamente.” 

Questionado sobre a “fórmula”, Maluhy evitou atalhos. “Preferimos crescer de forma sustentável do que acelerar e depois corrigir abruptamente.” 

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O CEO não vê, neste momento, uma ruptura no ciclo de crédito. A expectativa é de estabilidade nos próximos trimestres, com oscilações pontuais, especialmente em pequenas e médias empresas (PMEs). 

No segmento corporativo, o tom também é de tranquilidade, apesar de episódios isolados de estresse em grandes empresas. “Nosso portfólio já tem provisões adequadas e estamos confortáveis com a qualidade do balanço”, afirmou. 

Novo Desenrola: efeito pequeno, mas relevante 

A nova rodada do Desenrola também entrou no radar do banco. Segundo o CEO, o impacto tende a ser positivo, embora limitado para o Itaú, dada a menor exposição direta aos públicos atendidos pelo programa. 

“É um público que representa uma fatia menor para nós”, afirmou o executivo. 

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Ainda assim, o banco vê a iniciativa como relevante para o sistema financeiro como um todo, uma vez que contribui para a reorganização da situação financeira das famílias, com potencial de melhorar a qualidade do crédito no sistema como um todo. 

Agronegócio: exposição controlada em meio à turbulência 

Em um setor que tem gerado preocupação no setor financeiro, o Itaú reforçou uma posição mais defensiva. Com cerca de 20% de participação de mercado no agronegócio, o banco afirma ter apenas 4% de exposição a casos de recuperação judicial. 

“Temos pouca exposição em segmentos mais voláteis ou operamos com garantias fortes”, disse o CEO. 

Além de priorizar operações com maior garantia, o banco admite que também evita determinadas geografias ou culturas consideradas mais arriscadas. 

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Mercado de capitais perde fôlego 

Se o crédito exige mais cautela, o mercado de capitais também não ajuda a aliviar o cenário. 

Na avaliação do CEO do Itaú, a retomada observada no fim de 2025 perdeu tração. Para 2026, a expectativa é de queda relevante nos volumes, entre 30% e 40% em relação ao ano anterior. 

Com isso, a janela para emissões e ofertas de ações fica mais estreita. Isso tende a alterar a dinâmica de financiamento das empresas e pode redirecionar parte da demanda de volta para o crédito bancário, segundo o executivo.

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