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Decisão do TCU permite que BB adie a devolução de um instrumento de capital ao Tesouro e reduz a pressão sobre o balanço nos próximos anos; entenda

Em um momento em que preservar capital se tornou prioridade, o Banco do Brasil (BBAS3) conseguiu um importante alívio no balanço. O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o banco a renegociar o cronograma de devolução de R$ 4,1 bilhões que ainda restam de um instrumento financeiro contratado com o Tesouro Nacional há mais de uma década.
Com a decisão, o BB ganha tempo para quitar essa obrigação e reduz a pressão sobre seu capital justamente em um período marcado pela piora da carteira de crédito do agronegócio e pelo aumento da inadimplência.
O valor faz parte de um Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD) emitido em 2012, quando o banco buscava reforçar seus índices de capitalização.
O mecanismo funciona como uma espécie de aporte do Tesouro com características de dívida e de capital: fortaleceu o balanço da instituição, mas precisa ser devolvido conforme um cronograma previamente definido.
Agora, mais de dez anos depois, o Banco do Brasil conseguiu reescalonar esses pagamentos. Segundo o Acórdão 1.553/2026, publicado nesta sexta-feira (26), a instituição fará desembolsos simbólicos nos próximos dois anos e deixará a maior parte da quitação para o fim da década.
O principal efeito da decisão está na preservação de capital. Pelas estimativas do banco, o novo cronograma deve acrescentar cerca de 7 pontos-base ao índice de Capital Principal tanto em 2026 quanto em 2027, ampliando a folga regulatória em um momento considerado sensível pela instituição.
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O principal efeito da decisão está na preservação de capital. Pelas estimativas do Banco do Brasil, o novo cronograma deve acrescentar cerca de 7 pontos-base ao índice de Capital Principal em 2026 e 2027.
Com isso, o Banco do Brasil amplia a folga de capital em um período em que busca fortalecer o balanço após a deterioração da carteira de crédito do agronegócio.
O efeito se inverte nos anos seguintes, quando os desembolsos aumentam. A instituição estima um consumo de capital de 8 pontos-base em 2028 e de 21 pontos-base em 2029, quando será liquidada a maior parte da obrigação.
O cronograma aprovado pelo TCU ficou dividido da seguinte forma:
Em outras palavras, o Tesouro posterga a maior parte do recebimento para permitir que o banco atravesse um período de maior pressão sobre seu capital.
O alívio chega poucos meses depois de o Banco do Brasil enfrentar uma piora relevante na carteira de crédito ao agronegócio.
A inadimplência do segmento saltou de cerca de 1% para 6,1%, pressionando provisões, reduzindo a rentabilidade e contribuindo para uma queda próxima de 60% no lucro do banco.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) também recuou para um patamar de um dígito, o pior nível em quase uma década.
Diante desse cenário, a administração anunciou uma série de medidas prudenciais para preservar capital, incluindo a redução do payout para 30% em 2025 e 2026, diminuindo a distribuição de dividendos aos acionistas.
A repactuação do IHCD segue a mesma lógica: fortalecer o balanço enquanto o banco administra os efeitos da crise no setor agrícola.
Apesar do reforço de capital, a própria administração do Banco do Brasil tem adotado um discurso cauteloso sobre a recuperação.
A expectativa é de que a normalização da carteira de crédito ocorra de forma gradual. Segundo a direção do banco, a retomada deve seguir um formato de "W", com os índices de adimplência voltando para perto de 95% apenas ao longo da safra de 2026.
Até o momento, cerca de 20% da carteira afetada já foi enquadrada nas novas políticas de renegociação, garantias e gestão de risco.
*Com informações do Money Times.
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