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O CONTRA-ATAQUE DO BB

O “novo Banco do Brasil” (BBAS3): como o banco tenta virar a página da inadimplência no agro — e saltar no crédito privado

Após forte pressão nos balanços, o BB reformula a estratégia de crédito rural — e quer destravar crescimento em um mercado ainda pouco explorado; veja o que dizem os executivos

Executivos do Banco do Brasil (BBAS3). À esquerda, Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, e, à direita, Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar
Executivos do Banco do Brasil (BBAS3). À esquerda, Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, e, à direita, Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar - Imagem: William Seixas/Banco do Brasil

Banco do Brasil (BBAS3) chegou ao seu investor day com uma pergunta incômoda pairando no ar: como anda a tão temida inadimplência — especialmente no agronegócio?  

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Após a crise na carteira rural, o BB começou a plantar uma nova safra de crédito no campo — desta vez, com regras mais rígidas e foco maior em retorno ajustado ao risco. 

Embora a pressão ainda tenha não desaparecido, a diretoria do banco estatal já começa a ver um ponto de inflexão no horizonte. 

Depois de apertar garantias, rever processos e recalibrar o apetite a risco, o banco afirma que os primeiros sinais de melhora já aparecem em 2026, com a expectativa de uma recuperação mais clara ao longo do ano. 

Por trás da crise no agronegócio — e a situação atual no BB  

Segundo os executivos do Banco do Brasil, boa parte da pressão atual ainda reflete decisões tomadas há um ano, quando mais de 80% dos custeios que vencem em abril, foram concedidos sob regras mais permissivas.  

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Mas o "novo Banco do Brasil" já começou a aparecer nos dados iniciais de 2026, afirmou Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar. 

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No centro dessa mudança está uma reengenharia da carteira do agronegócio, desenhada para conter a inadimplência sem interromper o fluxo de crédito para o setor.  

Um dos principais ajustes nesta estratégia foi a mudança nas garantias. O modelo, antes mais dependente de instrumentos como penhor e hipoteca, passou a incorporar de forma mais relevante a alienação fiduciária — que dá ao credor maior controle sobre o bem financiado em caso de inadimplência. 

Segundo Bittencourt, os números já mostram o tamanho dessa inflexão. Na safra 2024/2025, apenas 31% das operações contavam com garantia real. Na safra atual, esse percentual saltou para 69%.  

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Dentro desse movimento, a alienação fiduciária saiu praticamente do zero — de 3% — para representar 63% das garantias. 

 “A perspectiva da garantia real traz para a adimplência uma responsabilidade maior: se você não pagar, você pode perder o seu bem”, afirmou. 

Além das garantias, o banco também revisitou sua “esteira” de cobrança, reorganizando processos para lidar com ondas de inadimplência de forma mais ágil.  

A estratégia inclui o uso mais intensivo de dados preditivos, permitindo que os gerentes antecipem o contato com clientes antes mesmo do vencimento das operações. Na prática, é uma mudança de postura: sair da reação para a antecipação.  

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Outro pilar da nova estratégia é a chamada “matriz de resiliência”, uma ferramenta que busca separar clientes momentaneamente pressionados daqueles com deterioração mais estrutural.  

A ideia é preservar o relacionamento — e o crédito — com quem segue adimplente, evitando um aperto excessivo que poderia travar o financiamento ao setor. 

Tudo isso vem acompanhado de um foco mais rigoroso no retorno ajustado ao risco, priorizando operações que equilibrem melhor rentabilidade e exposição ao crédito. 

Quando a situação do agro deve melhorar? Diretor do Banco do Brasil (BBAS3) traça previsão 

Esse ajuste fino da carteira de crédito no agronegócio acontece em um momento delicado no campo.  

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Segundo Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, a piora da alavancagem dos produtores reduziu a chamada “pontualização” — isto é, a capacidade de pagar as dívidas rigorosamente em dia.  

“Quando as margens são menores e há maior concorrência por pagamento, naturalmente quem chega primeiro exerce preferência”, afirmou o executivo, ao descrever a disputa entre credores após a colheita.  

Para não ficar para trás nessa fila, o banco reforçou sua capacidade de abordagem antecipada, usando dados para se posicionar antes dos concorrentes na negociação com o cliente.  

Apesar do cenário mais apertado, a expectativa da gestão é de melhora ao longo de 2026. Depois de registrar o menor nível de pontualidade na safra passada, o Banco do Brasil projeta recuperar o indicador já na safra 2025/2026. 

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"A gente enfrentou o menor índice de pontualização, mas já modelou e tem a expectativa de voltar a entregar um índice de 95% agora na safra 25/26 ou durante o ano de 2026. Isso naturalmente traz menos operações para o fluxo de cobrança”, disse Prince. 

Consignado privado: a nova fronteira do Banco do Brasil (BBAS3)

Enquanto arruma a casa no agro, o Banco do Brasil também avança em outra frente: o crédito consignado privado, o chamado Crédito Trabalhador. 

Tradicionalmente dominante no setor público, o BB agora mira um mercado mais fragmentado — e mais arriscado — no setor privado. A diferença aqui está na volatilidade do emprego, que exige um controle mais rigoroso do risco. 

A resposta do BB foi criar uma política mais disciplinada de concessão. O crédito só é oferecido a clientes com conta no banco, o que permite maior controle em caso de perda de vínculo empregatício.  

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“Se o cliente perde o emprego e não há mais desconto em folha, conseguimos debitar diretamente da conta”, disse Prince. 

Além disso, o banco desenvolveu um modelo de análise que vai além do perfil do trabalhador. O chamado “score híbrido” considera também a saúde financeira da empresa empregadora, avaliando indicadores como rotatividade e estabilidade do negócio. 

Segundo o executivo, estão por vir melhorias tecnológicas no produto, como a vinculação das garantias via Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e uma maior facilidade na vinculação da folha de pagamento quando houver a troca de emprego. 

Prince afirmou que o BB já consegue identificar mudanças de vínculo empregatício antes mesmo da atualização oficial dos sistemas governamentais. 

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"Nós fomos o primeiro banco a rodar uma base de alteração de vínculo empregatício. Não esperamos a Dataprev", afirmou Prince.  

“Identificamos as alterações de vínculo e fomos lá fornecer a nova base para restabelecer esse vínculo e preservar a capacidade de pagamento dos clientes.” 

Os primeiros resultados dessa estratégia “a mar aberto” já aparecem. A carteira de consignado privado soma R$ 17,2 bilhões, com cerca de 300 mil novas contas abertas a partir dessa linha. O market share, que antes era “traço”, já alcançou a marca de 13%. 

Agora, a ambição é avançar ainda mais: a meta declarada é abocanhar 20% de fatia desse mercado.  

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“Apostamos [no consignado privado], entendemos que foi a decisão correta e temos estrutura e capacidade para chegar lá com bom retorno”, disse Bittencourt. 

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