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Inadimplência elevada e carteira antiga ainda pesam no balanço, enquanto banco aposta em melhora no segundo semestre

O primeiro trimestre do Banco do Brasil (BBAS3) não foi apenas fraco. Para a administração, o resultado foi um retrato de um ciclo de crédito que ainda não virou. “A gente precisa atravessar esse momento”, resumiu o vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Geovanne Tobias.
Com rentabilidade comprimida e inadimplência persistente, o banco chegou à temporada de resultados ainda absorvendo os efeitos de decisões passadas e de um ambiente mais adverso.
O 1T26 escancarou os pontos de pressão no balanço. O retrato mais visível apareceu no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que caiu para 7,3% — o menor nível em quase uma década.
O indicador sintetiza o momento: margens comprimidas por um aumento relevante no custo do risco, com o agronegócio ainda no epicentro da deterioração e sinais mais recentes de contágio na carteira de pessoa física.
“Sem dúvida alguma, é um ROE aquém daquilo que nós podemos entregar”, afirmou Tobias.
Segundo ele, o resultado reflete não apenas o agravamento do risco no campo, mas também uma postura deliberadamente mais prudente na concessão de crédito, especialmente na carteira de pessoa física.
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Mesmo com o resultado fraco, a leitura interna é de que o trimestre representa mais um ponto de maior estresse do que o início de uma nova piora sequencial.
A expectativa é de recuperação gradual ao longo do ano, com ROE entre 9% e 11% em 2026 — em uma trajetória que o próprio banco já descreveu como não linear, possivelmente em formato de “W”, sujeita a oscilações ao longo do caminho.
No curto prazo, porém, o foco é controlar a inadimplência. E, para os acionistas, isso já tem um custo. Em meio ao esforço de reforçar as garantias e provisões, os dividendos extraordinários seguem fora do radar.
O agronegócio, motor histórico do Banco do Brasil, atravessa um momento sensível. Para Felipe Prince, vice-presidente de riscos, não houve uma quebra generalizada de safra em 2024, nem um colapso abrupto de renda. O que mudou foi o comportamento.
"Não é inadimplência materializada, é um não pagamento no dia", disse Prince. Segundo ele, parte relevante dos produtores tem optado por postergar pagamentos, esperando condições mais favoráveis — seja de preço de commodities, seja de liquidez — para honrar compromissos.
Esse movimento aparece na chamada “pontualização”, indicador que mede pagamentos no vencimento. Houve melhora recente, de cerca de 70% para 74%, mas o nível ainda está distante do que o banco considera saudável.
Esse atraso “tático” tem efeito direto no balanço do BB. Enquanto o produtor ganha tempo, o banco precisa reforçar provisões e acelerar a execução de garantias.
Apenas no primeiro trimestre, essas execuções já superaram todo o volume observado no primeiro semestre do ano passado.
A principal arma usada pelo BB tem sido a alienação fiduciária, que permite uma execução mais rápida e protege o banco em casos de recuperação judicial (RJ), segundo os executivos.
O diagnóstico da administração vai além de uma leitura pontual de safra. Há uma combinação de fatores pressionando o fluxo de caixa do produtor, como custo mais alto de insumos, juros elevados, aumento do custo de arrendamento, vencimentos acumulados e incertezas no cenário global.
“O problema está mais no fluxo de pagamento do que na geração de receita”, disse o vice-presidente de agronegócios, Gilson Bittencourt.
Parte relevante dessa pressão, no entanto, não vem do crédito que está sendo concedido agora, mas do que já está no balanço.
O Banco do Brasil reconhece que a deterioração atual está fortemente ligada a uma “carteira herdada”, formada antes da implementação de uma nova matriz de risco mais rigorosa. Hoje, apenas cerca de 25% da carteira agro já segue esse novo modelo.
Isso ajuda a explicar por que a melhora tende a ser gradual — e mais visível apenas a partir do segundo semestre, à medida que operações mais recentes ganham peso.
“Estamos olhando ainda para uma carteira passada”, afirmou Bittencourt. “Mas a tendência é de melhora ao longo dos próximos meses.”
Essa transição também implica conviver com níveis ainda elevados de inadimplência por mais tempo — em alguns casos, até 2027, especialmente em operações de ciclo mais longo.
No horizonte, a chegada do evento climático El Niño ainda gera divergências. Segundo a administração, o banco usa inteligência artificial para monitorar microclimas e evitar que a estiagem em certas regiões se transforme em novos calotes.
“O comportamento do El Niño não será uniforme para a agricultura no país. Ainda é cedo para um diagnóstico definitivo, mas o banco está olhando para cada região, para cada atividade para tentar trazer ao nosso cliente informações que o ajudem na hora da concessão do crédito — e, ao mesmo tempo, aumentar a segurança dessas operações”, afirmou Bittencourt.
Ele pondera que, apesar dos riscos climáticos, o histórico recente traz algum grau de resiliência. “Mesmo em anos de El Niño, a produção e a produtividade média no Brasil têm se mantido. O que muda é a intensidade dos eventos extremos em determinadas microrregiões”, disse.
Segundo o executivo, esse monitoramento é justamente o que permite ao banco antecipar riscos e evitar que choques localizados se traduzam em um aumento mais amplo da inadimplência.
Embora o agro seja o epicentro do problema no Banco do Brasil, a carteira de pessoa física começa a levantar um segundo foco de atenção.
O ambiente macro mais apertado, com juros elevados e maior endividamento das famílias, já começa a aparecer nos indicadores — sobretudo em linhas de crédito sem garantia.
“O cenário está mais desafiador”, disse Prince, citando especialmente cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
A resposta do BB tem sido ajustar o apetite a risco. Na prática, isso significa restringir concessões mais arriscadas e direcionar crédito para clientes com maior capacidade de pagamento.
“Nós estamos atuando para que essas linhas sejam canalizadas aos nossos clientes de mais alto valor, onde eles têm mais resiliência para enfrentar esse ciclo e, naturalmente, maior capacidade de pagamento para avançar com essas linhas”, afirmou o executivo.
Ao mesmo tempo, o banco acelera em produtos mais seguros e previsíveis. O crédito consignado segue como um dos principais pilares, com participação próxima de 25% no setor público. Já o crédito ao trabalhador ganhou tração nos últimos meses, e a meta é atingir um market share próximo de 20%.
Ainda assim, analistas já começam a monitorar sinais de pressão também nessa frente, especialmente à medida que carteiras mais recentes amadurecem.
Os executivos afirmaram que há um movimento mais construtivo ganhando força na base de clientes: uma espécie de “onda de regularização” entre as pessoas físicas.
Segundo a administração, o programa Desenrola 2.0 ajudou a criar um “espírito de renegociação” que foi além do público diretamente elegível pela medida.
Muitos clientes passaram a procurar o banco para reorganizar suas dívidas. Como resposta, o BB lançou o “Desenrola BB”, com condições próprias. Em apenas dez dias, foram renegociadas cerca de 90 mil operações, somando R$ 500 milhões.
A expectativa do BB é que esse movimento ajude a limpar o balanço e a restaurar a capacidade de crédito das famílias ao longo do segundo semestre.
Apesar do cenário doméstico mais desafiador, a leitura do alto escalão do Banco do Brasil sobre o ambiente externo é mais construtiva.
“O Brasil é a bola da vez”, disse Prince, citando um apetite crescente de investidores estrangeiros por ativos locais — tanto em crédito privado quanto em ações.
Segundo ele, há uma demanda reprimida que pode começar a se materializar nos próximos meses, especialmente se houver maior estabilidade no cenário geopolítico global.
“Vemos um apetite muito forte dos investidores por Brasil e acreditamos que isso vai se traduzir em uma sensível melhora no mercado de capitais a partir do segundo trimestre”, avalia o executivo.
A melhora, no entanto, depende de fatores fora do controle doméstico, como a estabilização de conflitos geopolíticos e maior previsibilidade global.
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