Localiza (RENT3) cai dois dígitos no ano e BTG defende que a ação está ‘inegavelmente barata’, mas há pontos de atenção
Analistas dizem o que ainda falta para o papel, que perde 12% em 2026, chamar a atenção dos investidores

Parece até contraintuitivo uma ação registrar queda na bolsa após apresentar um resultado trimestral com alta de 30,6% no lucro líquido. Mas foi isso que aconteceu com a Localiza (RENT3) após os números divulgados no 2º trimestre de 2026 (2T26). Em um cenário conturbado para o mercado acionário, os investidores não têm dado trégua para empresas que entregam balanços que não passam de aceitáveis, na visão do BTG Pactual.
Ainda assim, os analistas do banco defendem que os indicadores apresentados pela locadora de carros não foram ruins para justificar a queda de 5% durante o pregão de sexta-feira (7) e nem para aproximar o papel das mínimas do ano.
Não é à toa que, após o recuo expressivo de 12% desde o início de 2026, o banco defende que a ação da Localiza está “inegavelmente barata”.
A equipe de análise tem recomendação de compra para o papel e estabelece um preço-alvo de R$ 63. Em relação ao último fechamento (7), o potencial de alta chega a 65%.
Mas nem tudo são flores. Apesar de enxergar uma oportunidade de entrada, o caminho para capturar esse retorno não deve ser tão fácil.
O banco assume que, no curto prazo, a ação da Localiza deve continuar em uma trajetória difícil por receio dos investidores.
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Portanto, o que joga contra e a favor da companhia?
O copo meio cheio
Os resultados apresentados pela Localiza na última semana foram “mais difíceis de digerir”, na visão do BTG, mas os analistas consideraram os números bons no geral.
Para recapitular: a empresa apresentou um lucro líquido de R$ 1 bilhão, alta de 30,6% em relação ao ano anterior. Já a receita líquida saltou 24,5% em comparação ao 2T25, a R$ 12,33 milhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também avançou no trimestre, com R$ 3,8 bilhões — alta de 14% em base anual.
Para os analistas, os números da Localiza são o maior trunfo da empresa. No segundo trimestre, o segmento de aluguel de carros teve uma alta de 7% na demanda.
“É a maior taxa de crescimento dos últimos trimestres e compensa a tendência de preços mais fraca”, destaca o banco.
E além do aumento da demanda pelo serviço, houve também menos custo de manutenção.
Outra iniciativa do negócio que ficou acima das expectativas dos analistas foi a operação de frotas corporativas.
Segundo a equipe de análise, a demanda continua forte tanto entre clientes corporativos quanto para consumidores que alugam para uso de lazer e substituições temporárias por seguradoras.
Por que a ação ainda não conquistou o mercado?
Se, por um lado, a empresa tem apresentado uma demanda forte, por outro, há alguns fatores negativos que estão no radar dos investidores e do banco.
Um dos principais pontos de atenção que desanimou o mercado foi a depreciação dos preços dos carros.
Com a concorrência no mercado automotivo — principalmente com a entrada massiva de carros chineses no Brasil —, a Localiza tem adotado uma postura mais conservadora nos cálculos do valor de revenda dos automóveis.
Mas o banco destaca que a empresa deu um sinal mais animador sobre isso na teleconferência de resultados.
Embora esteja mais receosa no curto prazo, a Localiza ressalta que tarifas de importação mais altas e o fim das isenções de cotas de importação para montadoras chinesas devem gerar preços mais favoráveis no futuro.
Outro tema sensível é a operação de seminovos, segmento responsável pela venda dos carros que deixam a frota de locação.
Apesar de ter vendido 92 mil veículos no trimestre — alta de 34% em relação ao ano passado —, as margens ficaram abaixo das estimativas. Segundo o banco, o resultado foi impactado por um mix maior de SUVs entre as vendas, que possuem rentabilidade menor.
Juros altos ainda jogam contra
Mas além das questões do mercado sobre os números da empresa, o principal fator que ainda mantém o receio sobre a Localiza é o cenário macroeconômico.
A combinação de juros altos, maior cautela em relação ao mercado automotivo e um ambiente pouco favorável para a bolsa brasileira tem impedido os investidores de mergulharem de cabeça na ação.
Portanto, embora a demanda pelos serviços da Localiza esteja forte, a recuperação dos papéis ainda é bastante dependente de uma melhora na economia.
O que esperar, afinal?
Os analistas do BTG defendem que o preço atual da ação já reflete boa parte dos riscos que preocupam os investidores. Além disso, o banco ainda projeta lucro líquido de R$ 4,3 bilhões em 2026 e de R$ 4,9 bilhões em 2027.
A equipe fez uma ligeira redução do preço-alvo do papel após os resultados do 2º trimestre de 2026, de R$ 65 para R$ 63.
Ainda assim, o espaço para retorno é de até 65% e a ação RENT3 é considerada uma das favoritas na cobertura do BTG.
Outros analistas também estão de olho
A equipe de análise do BB Investimentos também enxerga as ações da Localiza com bons olhos.
O BB-BI defende que o resultado trimestral foi bastante positivo com crescimento em todas as principais linhas do resultado e com expansão da rentabilidade.
Os analistas recomendam a compra do papel e estabelecem um preço-alvo de R$ 50 até o final de 2026, o que representa um potencial de até 30,9% de valorização. Porém, vale ressaltar que o banco destacou que pode alterar as projeções após os números do 2T26.
Já na contramão, o Itaú BBA não tem o mesmo otimismo. A equipe afirma que o resultado da Localiza foi “ligeiramente negativo” e vê o copo meio vazio.
Embora reconheçam que a demanda segue forte, os analistas têm cautela com a depreciação da frota e a concorrência do mercado automotivo.
Ainda assim, a recomendação do banco para RENT3 é de compra. Nos cálculos do Itaú BBA, o papel pode chegar a R$ 54 neste ano — valorização de até 41,4%.
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