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A SAFRA AMARGOU?

Itaú BBA corta projeções para o Banco do Brasil (BBAS3) e avisa: o pior do agronegócio ainda está por vir

Analistas veeem poucos gatilhos para uma reprecificação das ações BBAS3 enquanto o risco da carteira rural continua crescendo

Ações do Banco do Brasil (BBAS3) caem forte na B3 dividendos
Banco do Brasil (BBAS3) - Imagem: Canva Pro / Shutterstock / Montagem Seu Dinheiro

O Banco do Brasil (BBAS3) negocia a múltiplos que normalmente chamariam a atenção dos investidores. As ações valem pouco mais da metade do patrimônio do banco, os dividendos continuam robustos e uma Selic elevada segue ajudando a impulsionar as receitas financeiras. Ainda assim, o Itaú BBA acredita que há um motivo para o mercado continuar mantendo distância do BB. 

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Na avaliação dos analistas, o mercado continua olhando para o mesmo ponto de preocupação que abalou os resultados do banco nos últimos trimestres: a deterioração da carteira de crédito do agronegócio.  

E, segundo o banco, a fase mais delicada desse processo pode estar apenas começando. 

A leitura levou o Itaú BBA a adotar uma postura ainda mais conservadora para as ações BBA3.  

O banco decidiu cortar o preço-alvo das ações, de R$ 22 para R$ 21 ao final de 2026. Já a recomendação foi mantida em market perform, equivalente à neutra. 

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O veredito para BBAS3: barato, mas sem gatilhos 

Para o Itaú BBA, o Banco do Brasil continua preso a um dilema que tem marcado boa parte de 2026. 

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De um lado, a ação negocia a aproximadamente 0,55 vez seu valor patrimonial, um múltiplo historicamente baixo para uma instituição do porte do BB. 

Do outro, o banco deve entregar uma rentabilidade significativamente menor do que a observada nos últimos anos. A projeção do Itaú BBA aponta para um retorno sobre patrimônio (ROE) de apenas 9,3% em 2026, abaixo do custo de capital estimado para o setor bancário. 

Essa combinação ajuda a explicar por que o papel parece barato no papel, mas continua sem despertar maior entusiasmo entre investidores. 

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"Com ROE esperado abaixo do custo de capital e revisões de resultados ainda com viés negativo, vemos poucos catalisadores de curto prazo para uma reprecificação", diz o banco. 

Agronegócio continua sendo a principal dor de cabeça do Banco do Brasil 

Desde o ano passado, investidores do Banco do Brasil acompanham com atenção o aumento da inadimplência no agronegócio. 

Depois de um ciclo de expansão do crédito em um ambiente favorável para as commodities, parte do setor passou a enfrentar uma combinação menos benigno: preços agrícolas mais pressionados, custos elevados de produção e um endividamento acumulado após anos de juros elevados. 

Na avaliação do Itaú BBA, a situação ainda não chegou ao seu ponto máximo de estresse. 

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"O agronegócio continua sendo o fator determinante, e o trecho mais difícil ainda está por vir", afirmam os analistas. 

A preocupação está concentrada justamente nos próximos meses. Grande parte dos vencimentos da carteira rural do Banco do Brasil ocorre entre o segundo e o terceiro trimestre, período em que as safras de soja e milho chegam ao mercado. 

Segundo os analistas, o calendário coincide com um momento em que muitos produtores seguem operando com margens apertadas, pressionadas pelo custo dos fertilizantes, do frete e do serviço da dívida. 

Os dados mais recentes do Banco Central também revelam que os índices de inadimplência do setor continuam avançando. 

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Para o Itaú BBA, isso significa que as despesas com provisões — o dinheiro reservado pelos bancos para cobrir possíveis perdas com calotes — devem permanecer elevadas por mais tempo do que o mercado espera. 

Nem a Selic alta consegue compensar o problema 

Se existe uma boa notícia na tese do Banco do Brasil, ela vem da margem financeira, segundo o Itaú BBA.

Os analistas revisaram para cima suas estimativas de receita líquida de juros, impulsionadas principalmente pelos ganhos da tesouraria e da gestão de balanço em um ambiente de juros elevados. 

Em outras palavras, a Selic alta continua trabalhando a favor do banco. No entanto, o benefício não é suficiente para neutralizar a deterioração da carteira rural. 

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"O resultado mais forte de tesouraria é mais do que compensado por provisões mais pesadas", afirma o relatório. 

No primeiro trimestre, o próprio Banco do Brasil revisou para cima sua projeção de custo de crédito, elevando o guidance para uma faixa entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. 

O Itaú BBA, porém, trabalha com um cenário ainda mais conservador e estima provisões próximas de R$ 73 bilhões em 2026, praticamente concentradas na carteira do agronegócio. 

Mercado ainda pode estar otimista demais com o Banco do Brasil 

A visão mais cautelosa também levou o banco a revisar suas projeções de resultado. 

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O Itaú BBA reduziu sua estimativa de lucro líquido para 2026 de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões, exatamente no piso do guidance divulgado pelo próprio BB, que prevê ganhos entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. 

O número também fica abaixo do consenso de mercado, atualmente próximo de R$ 19 bilhões. 

“Continuamos a ver espaço para novas revisões para baixo no consenso, dado que permanece uma incerteza relevante sobre como a inadimplência do agro irá evoluir, o que sustenta nossa postura mais conservadora”, afirma o Itaú BBA. 

Segundo os cálculos do banco, uma deterioração relativamente modesta no custo de risco da carteira agrícola já seria suficiente para empurrar o lucro para baixo do piso do guidance. 

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Ainda existe chance de virada para BBAS3? 

Apesar da cautela no curto prazo, o Itaú BBA não vê o problema como estrutural para a tese de BBAS3. 

Nos últimos meses, o Banco do Brasil promoveu mudanças relevantes na forma como concede crédito rural, aumentando significativamente o uso de garantias reais nas novas operações. 

A participação de garantias imobiliárias e fiduciárias saltou de 31% para 69% das novas concessões, segundo o relatório. 

A expectativa é que essas novas safras de crédito comecem a amadurecer ao longo do segundo semestre de 2026, reduzindo gradualmente o risco de perdas e melhorando a qualidade da carteira. 

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Mas até que esses efeitos apareçam nos balanços, o banco acredita que os investidores ainda terão de atravessar alguns trimestres de volatilidade. 

Dividendos continuam protegidos no Banco do Brasil

Apesar do cenário mais difícil para os resultados, o Itaú BBA não vê o capital do Banco do Brasil como motivo de preocupação. 

Mesmo considerando lucros mais baixos e provisões mais elevadas, os analistas estimam que a instituição continuará operando acima dos limites regulatórios e dentro de suas metas internas de capital. 

Isso reduz o risco de restrições ao crescimento, necessidade de reforço de capital ou mudanças relevantes na política de remuneração aos acionistas. 

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A expectativa para a remuneração dos acionistas segue sendo de um payout próximo de 30%. 

“Embora a tendência de lucros no curto prazo seja fraca e a geração de capital seja limitada, não vemos o capital como um fator restritivo ao crescimento ou à manutenção de um payout de dividendos de 30% no horizonte previsível”, afirma. 

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