Itaú BBA corta projeções para o Banco do Brasil (BBAS3) e avisa: o pior do agronegócio ainda está por vir
Analistas veeem poucos gatilhos para uma reprecificação das ações BBAS3 enquanto o risco da carteira rural continua crescendo

O Banco do Brasil (BBAS3) negocia a múltiplos que normalmente chamariam a atenção dos investidores. As ações valem pouco mais da metade do patrimônio do banco, os dividendos continuam robustos e uma Selic elevada segue ajudando a impulsionar as receitas financeiras. Ainda assim, o Itaú BBA acredita que há um motivo para o mercado continuar mantendo distância do BB.
Na avaliação dos analistas, o mercado continua olhando para o mesmo ponto de preocupação que abalou os resultados do banco nos últimos trimestres: a deterioração da carteira de crédito do agronegócio.
E, segundo o banco, a fase mais delicada desse processo pode estar apenas começando.
A leitura levou o Itaú BBA a adotar uma postura ainda mais conservadora para as ações BBA3.
O banco decidiu cortar o preço-alvo das ações, de R$ 22 para R$ 21 ao final de 2026. Já a recomendação foi mantida em market perform, equivalente à neutra.
O veredito para BBAS3: barato, mas sem gatilhos
Para o Itaú BBA, o Banco do Brasil continua preso a um dilema que tem marcado boa parte de 2026.
Leia Também
De um lado, a ação negocia a aproximadamente 0,55 vez seu valor patrimonial, um múltiplo historicamente baixo para uma instituição do porte do BB.
Do outro, o banco deve entregar uma rentabilidade significativamente menor do que a observada nos últimos anos. A projeção do Itaú BBA aponta para um retorno sobre patrimônio (ROE) de apenas 9,3% em 2026, abaixo do custo de capital estimado para o setor bancário.
Essa combinação ajuda a explicar por que o papel parece barato no papel, mas continua sem despertar maior entusiasmo entre investidores.
"Com ROE esperado abaixo do custo de capital e revisões de resultados ainda com viés negativo, vemos poucos catalisadores de curto prazo para uma reprecificação", diz o banco.
Agronegócio continua sendo a principal dor de cabeça do Banco do Brasil
Desde o ano passado, investidores do Banco do Brasil acompanham com atenção o aumento da inadimplência no agronegócio.
Depois de um ciclo de expansão do crédito em um ambiente favorável para as commodities, parte do setor passou a enfrentar uma combinação menos benigno: preços agrícolas mais pressionados, custos elevados de produção e um endividamento acumulado após anos de juros elevados.
Na avaliação do Itaú BBA, a situação ainda não chegou ao seu ponto máximo de estresse.
"O agronegócio continua sendo o fator determinante, e o trecho mais difícil ainda está por vir", afirmam os analistas.
- Confira também: Banco do Brasil (BBAS3): se pode piorar, vai piorar? Balanço acende alerta sobre crédito — e risco agora não está só no agro
A preocupação está concentrada justamente nos próximos meses. Grande parte dos vencimentos da carteira rural do Banco do Brasil ocorre entre o segundo e o terceiro trimestre, período em que as safras de soja e milho chegam ao mercado.
Segundo os analistas, o calendário coincide com um momento em que muitos produtores seguem operando com margens apertadas, pressionadas pelo custo dos fertilizantes, do frete e do serviço da dívida.
Os dados mais recentes do Banco Central também revelam que os índices de inadimplência do setor continuam avançando.
Para o Itaú BBA, isso significa que as despesas com provisões — o dinheiro reservado pelos bancos para cobrir possíveis perdas com calotes — devem permanecer elevadas por mais tempo do que o mercado espera.
Nem a Selic alta consegue compensar o problema
Se existe uma boa notícia na tese do Banco do Brasil, ela vem da margem financeira, segundo o Itaú BBA.
Os analistas revisaram para cima suas estimativas de receita líquida de juros, impulsionadas principalmente pelos ganhos da tesouraria e da gestão de balanço em um ambiente de juros elevados.
Em outras palavras, a Selic alta continua trabalhando a favor do banco. No entanto, o benefício não é suficiente para neutralizar a deterioração da carteira rural.
"O resultado mais forte de tesouraria é mais do que compensado por provisões mais pesadas", afirma o relatório.
No primeiro trimestre, o próprio Banco do Brasil revisou para cima sua projeção de custo de crédito, elevando o guidance para uma faixa entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
O Itaú BBA, porém, trabalha com um cenário ainda mais conservador e estima provisões próximas de R$ 73 bilhões em 2026, praticamente concentradas na carteira do agronegócio.
Mercado ainda pode estar otimista demais com o Banco do Brasil
A visão mais cautelosa também levou o banco a revisar suas projeções de resultado.
O Itaú BBA reduziu sua estimativa de lucro líquido para 2026 de R$ 21,2 bilhões para R$ 18,4 bilhões, exatamente no piso do guidance divulgado pelo próprio BB, que prevê ganhos entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
O número também fica abaixo do consenso de mercado, atualmente próximo de R$ 19 bilhões.
“Continuamos a ver espaço para novas revisões para baixo no consenso, dado que permanece uma incerteza relevante sobre como a inadimplência do agro irá evoluir, o que sustenta nossa postura mais conservadora”, afirma o Itaú BBA.
Segundo os cálculos do banco, uma deterioração relativamente modesta no custo de risco da carteira agrícola já seria suficiente para empurrar o lucro para baixo do piso do guidance.
Ainda existe chance de virada para BBAS3?
Apesar da cautela no curto prazo, o Itaú BBA não vê o problema como estrutural para a tese de BBAS3.
Nos últimos meses, o Banco do Brasil promoveu mudanças relevantes na forma como concede crédito rural, aumentando significativamente o uso de garantias reais nas novas operações.
A participação de garantias imobiliárias e fiduciárias saltou de 31% para 69% das novas concessões, segundo o relatório.
A expectativa é que essas novas safras de crédito comecem a amadurecer ao longo do segundo semestre de 2026, reduzindo gradualmente o risco de perdas e melhorando a qualidade da carteira.
Mas até que esses efeitos apareçam nos balanços, o banco acredita que os investidores ainda terão de atravessar alguns trimestres de volatilidade.
Dividendos continuam protegidos no Banco do Brasil
Apesar do cenário mais difícil para os resultados, o Itaú BBA não vê o capital do Banco do Brasil como motivo de preocupação.
Mesmo considerando lucros mais baixos e provisões mais elevadas, os analistas estimam que a instituição continuará operando acima dos limites regulatórios e dentro de suas metas internas de capital.
Isso reduz o risco de restrições ao crescimento, necessidade de reforço de capital ou mudanças relevantes na política de remuneração aos acionistas.
A expectativa para a remuneração dos acionistas segue sendo de um payout próximo de 30%.
“Embora a tendência de lucros no curto prazo seja fraca e a geração de capital seja limitada, não vemos o capital como um fator restritivo ao crescimento ou à manutenção de um payout de dividendos de 30% no horizonte previsível”, afirma.
NEGÓCIO EM ANDAMENTO
CSN (CSNA3): Agora vai? Venda da CSN Cimentos deve sair nas próximas 2 semanas, mas sem exclusividade, diz jornal
22 de outubro de 2026 - 17:58O QUE PESOU NO 3T26?
A conta chegou para a WEG (WEGE3): custos e tarifas dos EUA pressionam margens; veja o que diz a empresa
22 de outubro de 2026 - 17:18ALTA DE 22% EM DÓLAR
Petrobras (PETR4) supera gigantes globais e emplaca a maior valorização do setor em outubro. Além do petróleo, o que está por trás?
22 de outubro de 2026 - 16:42O QUE DIZEM OS ANALISTAS?
JBS (JBSS32): balanço do 3T26 deve ser fraco, mas bancos veem espaço para alta de até 41% nas ações
22 de outubro de 2026 - 14:22PÉ NO FREIO
Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%
22 de outubro de 2026 - 13:31BEM RECEBIDO
Sinistralidade sobe, mas lucro fala mais alto: por que o balanço da Bradsaúde (SAUD3) agradou o mercado
22 de outubro de 2026 - 13:03NOVO CAPÍTULO
Outra reestruturação no radar? Credores pedem Chapter 11 involuntário de subsidiária da Braskem (BRKM5) nos EUA
22 de outubro de 2026 - 12:29IA CHINESA
IPO vem aí? DeepSeek capta US$ 15 bilhões em nova rodada de financiamento antes de abrir capital em Xangai
22 de outubro de 2026 - 12:00REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) tenta ganhar fôlego com aumento de capital de até R$ 3,5 bilhões; veja o que muda para acionistas
21 de outubro de 2026 - 20:42BALANÇO DO 3T26
Bradsaúde (SAUD3): lucro sobe 14,4% e dividendos chegam a R$ 1 bilhão, mas ‘dor de cabeça’ volta a atacar
21 de outubro de 2026 - 18:34TEM MAIS POR VIR
A festa ainda não acabou: B3 (B3SA3) pode subir mais 27% e pagar bons dividendos, diz Santander
21 de outubro de 2026 - 16:23VISÃO DE GESTORES
“Parece que não pode ver um real sobrando”: por que acordo com o Einstein reacende dúvidas sobre uso do caixa da Ânima (ANIM3)
21 de outubro de 2026 - 14:45BALANÇO DECEPCIONOU?
WEG (WEGE3) cai mais de 7% com balanço pressionado por dólar e tarifas; exagero ou sinal de alerta?
21 de outubro de 2026 - 14:19FORA DO AR
Bons resultados da Netflix (NFLX) vêm de ‘ajuste de última hora’, e futuro preocupa, diz analista; veja os números
21 de outubro de 2026 - 14:07OPORTUNIDADE OU ARMADILHA
O pior já passou? Bradsaúde (SAUD3) encara custos maiores e lucro pressionado no 3T26. É hora de fugir ou comprar?
21 de outubro de 2026 - 11:13PRÉVIA DO BALANÇO
Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar
21 de outubro de 2026 - 6:13DE OLHO NA SELIC
Vamos (VAMO3) já subiu 106% no ano com a ajuda do trade eleitoral. Ainda há espaço para ganhar mais?
20 de outubro de 2026 - 18:45PÁGINA VIRADA
Americanas (AMER3) vira a página da recuperação judicial, mira nova fase e dispara 25% na B3; o que esperar da varejista?
20 de outubro de 2026 - 17:23NEGÓCIO DA CHINA?
Inter (INTR) ri, enquanto Wiz (WIZC3) chora: entenda a operação que fez as ações de seguradora despencarem 20%
20 de outubro de 2026 - 16:25Saiu caro demais?