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GOVERNANÇA CORPORATIVA

Como o Goldman Sachs virou alvo de investigação no caso da OPA da Oncoclínicas (ONCO3)

Segundo coluna, Polícia Civil indiciou dois executivos ligados ao banco e passou a questionar a reconstrução da estrutura acionária da companhia

Fachada da Oncoclínicas (ONCO3)
Fachada da Oncoclínicas (ONCO3) - Imagem: Divulgação

A disputa pela oferta pública de aquisição (OPA) da Oncoclínicas (ONCO3), que já passou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Justiça, agora chegou à polícia. 

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Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, a Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos ligados ao Goldman Sachs por estelionato e fraude na administração de sociedade por ações. 

O caso envolve uma das principais controvérsias societárias da Oncoclínicas: a Centaurus deveria ter feito uma oferta para comprar as ações dos minoritários depois de passar a deter diretamente mais de 15% da companhia? 

A resposta depende de uma premissa que agora está sendo questionada pela investigação: a de que a Centaurus já possuía, de forma indireta, uma participação superior a 15% da Oncoclínicas antes mesmo do IPO, realizado em 2021. 

Segundo o despacho citado pela coluna, a Polícia Civil apontou “participação consciente” de Felipe Guerra Acosta, superintendente executivo de investimento do Goldman Sachs, e Natan Lima Reinig, ex-integrante do Conselho de Administração da Oncoclínicas indicado pelo banco, em uma suposta manobra para induzir a erro a companhia, a CVM, a B3 e investidores. 

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Procurado pelo Seu Dinheiro, o Goldman Sachs afirmou que "essas alegações da Latache não têm fundamento. Continuamos acreditando que agimos de forma adequada".

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Já a Oncoclínicas disse que não se manifestaria devido ao período de silêncio. O espaço permanece aberto. 

Por que a participação da Centaurus importa? 

O estatuto da Oncoclínicas prevê uma poison pill que obriga um investidor a realizar uma OPA quando adquire 15% ou mais das ações da companhia, salvo as exceções previstas no próprio estatuto. 

A discussão ganhou força depois que uma reorganização societária conduzida pelo Goldman Sachs fez a Centaurus aparecer diretamente com 16,05% da Oncoclínicas, em novembro de 2024. 

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Para os acionistas minoritários, a mudança parecia ter acionado o mecanismo. A questão ganhou ainda mais peso quando o Goldman vendeu posteriormente a maior parte de sua participação na companhia para a própria Centaurus, levando o fundo Josephina III, veículo da gestora, a 31,83% do capital. 

Leia também: 

Goldman Sachs e Centaurus, porém, apresentaram outra leitura. Segundo a tese defendida por eles, a gestora já teria uma participação superior a 15% na companhia antes do IPO, ainda que de maneira indireta. 

Em outras palavras, a reorganização de 2024 não teria criado uma nova posição relevante. Teria apenas alterado a forma como uma participação que já existia era registrada e mantida dentro da estrutura societária. 

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Essa tese acabou prevalecendo na análise da CVM. 

Em julho deste ano, a área técnica da autarquia concluiu que a Centaurus já detinha indiretamente mais de 15% da Oncoclínicas desde 2018 e que essa participação relevante permanecera na estrutura da companhia quando ocorreu o IPO. 

Por isso, na avaliação da autarquia, a reorganização societária posterior não teria acionado a poison pill

OPA da Oncoclínicas: a versão que os minoritários questionaram 

Antes da decisão da CVM, os acionistas minoritários já colocavam em dúvida a explicação apresentada por Goldman Sachs e Centaurus. 

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Em maio de 2025, fundos geridos pela Latache — que depois se tornou uma das principais acionistas da Oncoclínicas — pediram a convocação de uma assembleia para discutir a suspensão dos direitos da Centaurus na companhia. 

A gestora argumentava que a aquisição da fatia do Goldman havia levado a Centaurus a uma posição que, em sua visão, deveria ter disparado a OPA. 

O questionamento, porém, ia além da interpretação do estatuto. A Latache cobrava informações que comprovassem a alegação de que a Centaurus já possuía participação superior a 15% antes do IPO. 

“Embora o ônus de provar a dispensa da OPA recaia sobre a Centaurus Capital, nem ela […] nem o Fundo Josephina III prestaram qualquer informação, mesmo após reiterados questionamentos e decisões judiciais”, afirmou a gestora em carta enviada à Oncoclínicas. 

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A disputa também chegou à Justiça. Documentos apresentados no caso mostram que os acionistas questionaram a estrutura dos veículos Josephina I e II, ligados ao Goldman, e do Josephina III, ligado à Centaurus, e pediram acesso a documentos capazes de esclarecer a composição societária. 

Até então, portanto, a discussão podia ser resumida a uma disputa sobre a interpretação das regras da companhia e sobre quais participações deveriam ser consideradas para efeito da poison pill

Agora, com o indiciamento dos executivos ligados ao Goldman, a controvérsia ganha outro contorno. 

A investigação policial não trata apenas de qual interpretação jurídica deve prevalecer. Ela questiona a própria reconstrução dos fatos que serviu de base para uma das interpretações apresentadas à companhia, à CVM, à B3 e aos investidores. 

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Em termos simples, a CVM analisou a pergunta: “a reorganização de 2024 acionou a OPA?” 

A Polícia Civil agora investiga uma questão anterior: “a estrutura societária que sustenta essa resposta correspondia à realidade?” 

Indiciamento não é condenação 

O indiciamento, porém, não significa que os executivos foram condenados ou que a suposta fraude já esteja comprovada. 

Trata-se de uma conclusão da autoridade policial no âmbito do inquérito. Eventuais responsabilidades criminais ainda dependem das próximas etapas da investigação e da avaliação das demais autoridades competentes. 

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*Com informações de O Globo. 

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