JBS (JBS,JBSS32) cria negócio de US$ 10 bilhões do outro lado do mundo com foco em aquisições e expansão
JBS intensifica expansão na Ásia e Oceania com joint venture de US$ 10 bilhões, focando em aquisições no mercado de proteínas

A JBS (JBS,JBSS32) acaba de criar uma nova joint venture avaliada em US$ 10 bilhões. A companhia, por meio de sua subsidiária JBS USA Holding Lux, firmou um acordo com o fundo soberano da Indonésia, PT Danantara Investment Management, para a criação de uma companhia com foco no mercado asiático e da Oceania.
O fundo da Indonésia irá investir US$ 2,5 bilhões na joint venture por uma fatia de 25%. O aporte inicial será de US$ 800 milhões e o restante será pago nos próximos três anos.
Isso dá o valor implícito de US$ 10 bilhões ao negócio. Já a JBS alocará todo o seu negócio na Austrália e na Nova Zelândia na nova empresa.
Foco em aquisições
A empresa poderá captar ainda US$ 2,5 bilhões em financiamento por meio de emissão de dívida externa.
Assim, ela terá até US$ 5 bilhões para investir. O foco serão projetos novos, chamados de greenfield, na expansão e modernização de ativos já existentes, chamados de brownfield, e em aquisições no setor de proteínas na Indonésia, Sudeste Asiático, Austrália e Nova Zelândia.
JBS e Danantara ainda pretendem realizar uma oferta pública inicial de ações da joint venture nos próximos seis anos. Caso o IPO não aconteça nesse intervalo, o fundo terá, sob determinadas condições, o direito de trocar sua participação por ações da própria JBS.
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Importância do mercado para a JBS
A Oceania é responsável atualmente por 10% de toda a receita vinda da produção da companhia, enquanto o Brasil responde por 26% e os Estados Unidos, 51%.
Já em termos de consumo, a Austrália e Nova Zelândia são responsáveis por apenas 3% de todo o faturamento da JBS no mundo, e a Ásia por 13%. Estados Unidos continua na frente, com 50%.
A diversificação regional é especialmente importante para a empresa no momento, já que o mercado dos EUA vive com redução nos rebanhos e alto preço do gado, reduzindo significativamente as margens. A companhia divulga seus resultados do segundo trimestre no dia 10 de agosto.
Segundo a companhia, a região reúne cerca de 745 milhões de habitantes, o equivalente a 9,2% da população mundial. A empresa também destaca fatores como aumento da renda, urbanização e crescimento do consumo de proteínas.
Para o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, a parceria amplia a capacidade de crescimento da companhia no Sudeste Asiático e fortalece a estratégia de diversificação geográfica.
“Estamos construindo uma plataforma mais forte para capturar o crescimento de longo prazo do consumo global de proteína. Ao mesmo tempo, estamos criando as condições para expandir nossa presença na Ásia, uma das regiões mais dinâmicas da indústria”, disse.
Demanda por carnes halal
A aposta ocorre em um momento em que a demanda global por carnes deve continuar crescendo. Projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam para expansão do consumo até 2034, com destaque para carnes de frango, ovina e bovina.
A Indonésia também é considerada um mercado relevante para a indústria de alimentos halal. De acordo com dados citados pela JBS, o mercado global de alimentos halal movimentou cerca de US$ 1,43 trilhão em 2023 e poderá chegar a US$ 1,94 trilhão em 2028.
A transação ainda depende das aprovações regulatórias necessárias na Austrália e do cumprimento de condições usuais.
O acordo também prevê mecanismos que podem elevar a participação do fundo soberano para até 30% da joint venture, caso o Ebitda médio da operação em 2026 e 2027 fique abaixo do registrado em 2025.
Com Money Times
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