Maior alta no Ibovespa hoje: Embraer (EMBJ3) ultrapassa R$ 1 bilhão em lucro, atualiza previsões e diz que pode voar ainda mais longe
Resultado da Embraer foi impulsionado por entregas, alta demanda e foco em eficiência operacional. Os carros voadores da Eve também podem ser nova avenida de crescimento

Acostumada a bater recordes, a Embraer (EMBJ3) manteve a tradição neste segundo trimestre de 2026. A fabricante brasileira de aeronaves viu aumento no lucro, nas receitas e nas margens. E ainda deu um recado para o mercado: ela não prevê desacelerar, e o ganho de rentabilidade está apenas no começo.
A companhia divulgou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão referente ao segundo trimestre de 2026 (2T26), crescimento de cerca de 25% sobre os R$ 890,3 milhões registrados no mesmo período do ano anterior, mostra relatório de resultados divulgado nesta segunda-feira (10).
O lucro líquido ajustado excluiu itens extraordinários de R$ 29,4 milhões referentes aos resultados da Eve, divisão de "carros voadores" da companhia.
Com isso, as ações EMBJ3 encabeçam as altas do Ibovespa. Por volta das 10h45, a alta era de 8,86%, a mais forte entre as ações que compõem o principal índice da bolsa de valores.
Os principais números da fabricante de aviões
As receitas totalizaram R$ 11,3 bilhões, alta de 10% e mais um recorde histórico para o segundo trimestre. O fluxo de caixa livre da empresa também cresceu, chegando a R$ 2 bilhões no trimestre, descontada a Eve.
O Ebitda (luco antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que mede o desempenho operacional, chegou a R$ 1,81 bilhão no período de abril a junho deste ano, ante R$ 1,39 bilhão registrado no segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda ajustada ficou em 16%.
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Já o Ebit (lucro antes de juros e impostos) ajustado totalizou R$ 1,51 bilhão no trimestre, crescimento sobre os R$ 1,08 bilhão reportados pela Embraer um ano antes. A margem Ebit ficou em 13,4%. Excluindo
os impactos das tarifas dos EUA e do crédito tributário extraordinário, a margem Ebit ajustada teria sido de 10,6%.
O que impulsionou os resultados da Embraer?
Parte desse crescimento veio do aumento das entregas da fabricante de aeronaves. A Embraer entregou 65 aeronaves no segundo trimestre deste ano, sendo 20 jatos comerciais e 45 jatos executivos, um aumento de 7% em relação às 61 aeronaves entregues no 2T25. Não houve entregas no segmento de defesa durante o período.
Além disso, a demanda pelos seus aviões, jatos e serviços continua alta. A carteira de pedidos da companhia continua crescendo e chegou a US$ 34,5 bilhões.
O CEO, Francisco Gomes Neto, também afirmou que a atual situação geopolítica mundial, com o conflito no Oriente Médio, tem beneficiado a fabricante. O transporte de passageiros continua resiliente e a frente de defesa e segurança tem visto aumento na demanda, disse ele.
O foco está na rentabilidade
No entanto, o que mais chamou a atenção de analistas e investidores foi a melhora na rentabilidade da companhia.
Segundo o CEO, a empresa tem uma paixão por ganhar eficiência na sua linha de produção. Na teleconferência de resultados, o executivo afirmou que as iniciativas de ganhos de eficiência são diárias e um projeto de toda a empresa.
A margem de serviços, por exemplo, saltou de 15,6% para 18,8% no trimestre, e deve se manter perto de 17% a 18% nos próximos períodos. E, se a margem da aviação comercial caiu de 4,2% para 2,9%, o executivo acredita que a rentabilidade para o resto do ano irá se recuperar e ficar em linha com o ano passado.
A empresa também vem tendo conversas com fornecedores para reduzir o atraso na entrega de peças, o que pode aumentar a velocidade de produção.
Segundo Gomes, "a lucratividade deve crescer mais que as receitas nos próximos anos". "Os ganhos de eficiência atravessam toda a organização. Estamos aproveitando o crescimento que estamos planejando para os próximos anos", declarou ele na teleconferência.
Se em 2021 um jato executivo Praetor demorava 18 meses para ficar pronto, hoje o mesmo avião é construído em 8,5 meses. "Estamos fazendo isso com todos os aviões, para produzir mais aviões com a mesma estrutura", declarou Gomes.
Ao mesmo tempo, a companhia está investindo em aumento da capacidade de produção. Um acordo recente com a Índia permite a fabricação de algumas linhas da brasileira por lá, por exemplo.
Até 2030, a empresa busca ter a capacidade de fabricar 110 a 120 aviões comerciais por ano, mais de 200 jatos executivos e 10 KCs, de defesa, no Brasil.
"Não é nossa capacidade de produção que vai limitar nosso crescimento no futuro", afirmou o CEO.
Estimativas da Embraer
Na esteira dos bons resultados, a Embraer atualizou as suas estimativas (guidance) para o ano.
A fabricante de aeronaves atualizou sua expectativa para a margem Ebit ajustada entre 10,0% e 10,6% (acima da faixa anterior de 8,7% a 9,3%) e fluxo de caixa livre ajustado de US$ 400 milhões ou maior (acima da estimativa anterior de US$ 200 milhões ou maior) para o ano.
Ela não alterou as estimativas de entregas na Aviação Comercial, entre 80 e 85 aeronaves, e na Aviação Executiva entre 160 e 170 aeronaves. A receita na faixa de US$ 8,2 a US$ 8,5 bilhões também segue inalterada.
Eve, o futuro dos ares
A partir de 2028, a empresa terá mais uma frente de crescimento. Os eVTOL, os "carros voadores" da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, podem ganhar os ares já em 2028.
A empresa já realizou mais de 60 voos e espera iniciar a produção em Taubaté (SP), com capacidade de 480 unidades por ano.
A empresa espera iniciar a operação comercial de seus táxis aéreos no Brasil e nos Estados Unidos ao mesmo tempo. Já há mais de 3 mil cartas de intenção de compras de eVTOLs, disse o executivo.
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