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DESEMPENHO HISTÓRICO

“Meta é para os fracos. A Petrobras supera metas”. A provocação da CEO vai garantir dividendos extraordinários para você?

Os executivos da estatal celebraram um dos melhores resultados em 72 anos da companhia, que superou recordes anteriores e transformou as projeções do mercado em pó — saiba se tudo isso garante a distribuição extra aos acionistas até ofinal do ano

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, está de pé, em frente a um microfone. Atrás dela, um painel verde com o nome da Petrobras em branco.
Magda Chambriard, presidente da Petrobras - Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

A família economizou o ano inteiro, trabalhou dobrado e acumulou dinheiro suficiente para aquela viagem inesquecível para as Maldivas. Os chefes da casa reuniram todo mundo e anunciam animados que, com a grana sobrando, quitaram o financiamento e farão melhorias no imóvel. Foi isso que a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, e o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, disseram aos investidores nesta sexta-feira (7). 

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“Nossa maior geração de receita e de caixa vai financiar nossos investimentos e preparar o futuro dessa companhia. O caixa que estamos gerando hoje será o caixa que viabilizará o crescimento da Petrobras”, disse Chambriard em teleconferência. 

Melgarejo foi mais direto. Na esteira de um segundo trimestre irretocável, com recordes de produção, petróleo nas alturas, superação de lucro, redução do endividamento e dividendos ordinários robustos, o executivo avisou que uma distribuição extra aos acionistas não está no radar da estatal. 

“A prioridade é aumentar os investimentos rentáveis, fazer a gestão da dívida e se, depois de tudo isso, sobrar caixa, fazer uma distribuição de dividendos extraordinários aos nossos acionistas. Mas confesso que acho essa, uma possibilidade pouco provável para este ano”, afirmou. 

As ações da estatal tocaram as mínimas da sessão na esteira das declarações de Melgarejo sobre o pagamento de dividendos adicionais. 

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As preferenciais PETR4 chegaram ao piso do dia, em R$ 41,16 (-2,30%), enquanto as ordinárias PETR3 baixaram a R$ 45,96 (-2,80%). O petróleo, por sua vez, operava em alta no mercado externo, com o Brent — referência internacional —, na casa dos US$ 83 o barril, com alta de mais de 1%. 

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Na noite de quinta-feira (6), o conselho de administração da Petrobras aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos ordinários — uma distribuição alinhada à política de remuneração aos acionistas da companhia, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento bruto estiver igual ou abaixo do limite máximo definido no plano estratégico. 

O Seu Dinheiro detalhou o desempenho da Petrobras no segundo trimestre assim como prazos e valores da distribuição dos dividendos ordinários anunciados na noite anterior.  

Um trimestre para entrar na história 

“Meta é para os fracos. A Petrobras supera metas”. Foi assim que Chambriard descreveu o desempenho da estatal entre abril e junho deste ano, que ultrapassou as marcas anteriores da companhia e transfomrou em pó as projeções do mercado para o período. 

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da petroleira, uma métrica acompanhada de perto pelo mercado, ficou em US$ 18,9 bilhões, 5% acima do consenso, segundo o BTG Pactual, impulsionado por maiores volumes de produção e preços mais fortes. A dívida líquida sobre o Ebitda, por sua vez, recuou para 1,1 vez. 

Segundo os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, o indicador foi beneficiado pela valorização tanto do petróleo bruto quanto dos derivados e pelo aumento de aproximadamente 4% na produção de petróleo em relação ao trimestre anterior. 

No segmento de exploração e produção (E&P), o custo de extração caiu para US$ 6,30 por barril de óleo equivalente, ante US$ 6,80 no primeiro trimestre, refletindo maior eficiência operacional, menos paradas e maior participação da produção do pré-sal

O BTG manteve recomendação de compra para as ações da Petrobras, com preço-alvo a US$ 22, o que representa um potencial de valorização de 18,8% ante o último fechamento. 

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“Nos orgulhamos em dizer que alcançamos esses resultados sem nenhuma venda de ativos. É claro que o Brent acima de US$ 100 o barril fortaleceu nosso resultado, mas esse desempenho com eventos apenas recorrentes não foi obtido com o maior Brent da história”, afirmou Chambriard. 

O preço médio da commodity atingiu US$ 104,52 por barril no segundo trimestre, alta de 54,1% em relação ao mesmo período do ano passado e de 29,7% na comparação com os três meses anteriores. 

Sem ilusões para a Petrobras 

Embora o petróleo acima de US$ 100 o barril, junto com o aumento da produção e a melhora na eficiência tenham garantido um desempenho histórico para a Petrobras, os executivos da estatal mantêm o pé no chão com relação aos próximos trimestres. 

“Não sabemos para onde Brent vai, por isso priorizamos projetos de alto retorno. Respeito à governança é um pilar da nossa gestão. E nossos investimentos são submetidos a um rigoroso processo de governança, estruturado para assegurar a atratividade e a robustez dos retornos”, disse Chambriard. 

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“Vamos seguir firmes na execução do nosso plano de negócios, com foco no retorno para os nossos acionistas, sejam eles governamentais ou privados, e ao mesmo tempo para entregar valor à sociedade”, acrescentou. 

Melgarejo, por sua vez, disse que o foco da Petrobras tem sido elevar a produção, ganhar eficiência além de implementar novas plataformas. 

“Desde que chegamos mudamos a curva de investimento. Estamos chegando onde queríamos chegar e entregando resultados", afirmou o diretor financeiro da estatal. 

A Petrobras fechou o segundo trimestre do ano com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, 96,8% a mais do que há um ano, e 60,6% maior do que o registrado no trimestre imediatamente anterior. 

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“A Petrobras apresentou resultados fortes, beneficiados pela alta do petróleo, mas também por um ótimo desempenho operacional. Com perspectivas de um ambiente de preços ainda favorável e de aumento de produção pela frente, seguimos construtivos com a tese de Petrobras”, disse Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. 

A casa de análise segue com recomendação de compra para as ações da estatal. 

Na mesma linha, o Santander reiterou recomendação outperform (equivalente à compra) para a Petrobras e manteve a estatal como sua principal escolha (top pick) na cobertura de óleo e gás da América Latina.  

O preço-alvo do banco para a ação ON é de R$ 60, o que representa um potencial de valorização de 26,82% ante o fechamento anterior. 

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O BB Investimentos, por sua vez, fixou hoje um novo preço-alvo para as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras em R$ 55 para 2027, o que representa um potencial de alta de 16,25% (ON) e de 30,54% (PN) ante o fechamento de quinta-feira (6). A recomendação de compra foi mantida para ambos os papéis. 

Petrobras: “Não somos ONG” 

“Não somos ONG”, disse a CEO da Petrobras ao comentar na teleconferência que “todo e qualquer projeto” da estatal deve ser lucrativo para a companhia. 

Neste sentido, Chambriard destacou o interesse da petroleira em projetos internacionais, com foco na América do Sul (Bolívia, Argentina e Colômbia), no México e na África. 

“Não existe uma empresa de petróleo sem renovação de reservas. Priorizamos projetos que reforcem nossa expertise”, afirmou. 

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Vale lembrar que a meta anual de investimentos (capex) da Petrobras está projetada em US$ 16,9 bilhões para 2026. 

“A expectativa é fechar ano no topo máximo da faixa de investimento. Vamos entregar o máximo possível. Óbvio que tem desafios sobre essa produção, já estamos num patamar grande, mas o nosso compromisso aqui é entregar o máximo possível nesse ano, que temos uma janela de preços positiva”, disse Melgarejo. 

O diretor financeiro reiterou que dentro desse valor, há margem de cerca de 5% para eventuais antecipações de investimentos focando em geração de valor agregado e de produção de óleo, o que classificou como positivo. 

“Nós perseguimos antecipação, mas é claro que não perseguimos aumento de custos. São projetos que, se antecipados, terão o mesmo custo, mas com o início das receitas antecipadas”, afirmou. 

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Ele reconheceu que os gastos operacionais da Petrobras no segundo trimestre ficaram “pouco acima do planejado no semestre”, pressionados por custos maiores de frete e logística, além do câmbio. 

No segundo trimestre de 2026, os custos e despesas operacionais da Petrobras somaram R$ 26,5 bilhões, uma alta de 44% em relação aos três meses anteriores. 

“Estamos monitorando o cenário e é possível que os gastos fiquem um pouco acima do projetado se os custos logísticos de mercado global e a taxa de campo permanecerem nesse nível nos próximos semestres. Acreditamos que, no terceiro trimestre, teremos menos incerteza e, se for o caso, revisaremos os números”, acrescentou. 

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