Espaçolaser (ESPA3) prepara cartada contra Selic elevada, e CEO revela plano para virar jogo na bolsa após queda da ação
Com capital caro e ações ainda amassadas na bolsa, Magali Leite revela ao Seu Dinheiro quais as prioridades da Espaçolaser daqui para frente

Em um Brasil de juros nas alturas, gerir a maior rede de depilação a laser do mundo virou um exercício diário de precisão financeira, admite Magali Leite, CEO da Espaçolaser (ESPA3).
Com a Selic em 14% ao ano, cada decisão sobre onde colocar dinheiro precisa levar em conta o custo do capital — e, principalmente, quanto tempo esse investimento levará para voltar para o caixa.
“Como toda empresa alavancada no Brasil que sofre com essa Selic bizarra, a gente faz escolhas de Sofia aqui sobre onde fazer a alocação de capital”, afirmou a executiva, em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro.
A fala de Leite ajuda a traduzir a mudança de rota da companhia.
Em vez de apostar na abertura de lojas indiscriminadamente, a Espaçolaser passou a priorizar projetos capazes de entregar retorno mais rápido e a transformar tecnologia, meios de pagamento e eficiência operacional em novas alavancas para o negócio.
A estratégia, porém, ainda precisa enfrentar um desafio que aparece diariamente na tela do investidor: as ações da Espaçolaser continuam sob forte pressão na bolsa.
Leia Também
Os papéis ESPA3 operam em forte queda no pregão desta quarta-feira (12), enquanto os investidores digerem os números do balanço do segundo trimestre da companhia. Por volta das 13h10, a ação tombava 9,97%, cotada a R$ 6,23.
No acumulado de 2026, a companhia já acumula queda de cerca de 37% desde janeiro. Se estendermos o intervalo para desde a abertura de capital (IPO), em 2021, a desvalorização supera os 96%.
O 2T26 da Espaçolaser
Apesar do otimismo cauteloso da CEO da Espaçolaser, o balanço recém-divulgado ainda mostra um cenário difícil para a companhia.
A maior rede de depilação a laser do Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com prejuízo líquido ajustado de R$ 134 mil, revertendo o lucro de R$ 8,8 milhões de um ano antes. Pelo critério contábil, o prejuízo chega a R$ 5,8 milhões.
A receita líquida da Espaçolaser também teve contração de 3,5% frente ao mesmo período de 2025, encerrando o trimestre em R$ 257,4 milhões no quarto trimestre.
Enquanto isso, o Ebitda ajustado, indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional da empresa, encolheu 23,5% no trimestre, para R$ 49,4 milhões. Com isso, a margem Ebitda ajustada caiu 5 pontos percentuais, chegando a 19,2%.
A dívida líquida da Espaçolaser ainda caiu para R$ 526 milhões, uma redução de R$ 21,1 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025.
Com isso, a alavancagem da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 1,88 vez, contra 1,97 vez um ano antes.
Tecnologia vira escudo financeiro da Espaçolaser (ESPA3)
Na Espaçolaser, o investimento em tecnologia não pretende ser só uma melhoria na experiência do cliente. A ideia é também atacar custos, ampliar o público potencial e tornar a operação mais eficiente.
A companhia está migrando 95% de sua base para um novo sistema de refrigeração da pele.
De um lado, a atualização elimina um consumível dolarizado da cadeia. De outro, ajuda a atrair consumidores que ainda tinham receio da dor durante o procedimento — especialmente o público masculino, cujo pelo mais grosso costuma trazer mais desconforto.
Segundo a Espaçolaser, o investimento nos novos resfriadores gerou uma economia de aproximadamente R$ 5 milhões no segundo trimestre e de R$ 14,3 milhões nos últimos doze meses.
Mas há outro “pulo do gato” da estratégia de tecnologia da Espaçolaser: a nacionalização das máquinas.
Ao adotar equipamentos de um fabricante brasileiro — dos quais a Espaçolaser detém exclusividade no país —, a companhia reduz sua exposição ao câmbio, consegue manter os custos em reais e ainda passa a ter acesso a linhas de financiamento mais competitivas do BNDES.
Atualmente, o eixo Rio-São Paulo concentra cerca de 40% desse parque tecnológico, ampliando a cobertura nas principais regiões metropolitanas.
“Isso obviamente ajuda a gente na alavancagem”, diz a CEO.
Novas formas de pagamento ganham destaque
Outra frente importante está em uma das maiores dores de cabeça de empresas de varejo e serviços: a qualidade das contas a receber.
A CEO revela que a Espaçolaser está redesenhando essa lógica por meio do CDP (Cliente Decide o Pagamento), um novo modelo comercial de pagamentos que permite oferecer condições comerciais diferentes conforme a modalidade escolhida pelo cliente.
Na prática, a companhia busca estimular meios de menor risco, como Pix e cartão de crédito tradicional, e já observa melhora na qualidade dos recebíveis, no prazo médio de recebimento e na geração de caixa.
Ao final do trimestre, 361 lojas próprias e 118 franquias já operavam sob esse modelo. A expectativa é que a migração seja concluída em toda a rede até o fim do 3T26.
A grande aposta, contudo, segue na recorrência — em um modelo que lembra a lógica de uma assinatura da Netflix, sem bloquear o limite de crédito do cliente por completo.
“Nas lojas piloto, a gente já está com 50% de recorrente. Do ponto de vista de gestão de capital de giro, estamos trazendo uma equação muito mais saudável para o negócio”, afirma Magali.
A mudança, admite a CEO, gera alguma fricção inicial nas vendas. O objetivo, porém, é chegar a uma estrutura com fluxo de caixa mais previsível e menor risco de recebimento.
Onde mora o crescimento da Espaçolaser?
Com o recurso mais disputado, a ordem passou a ser investir onde o retorno (payback) tende a aparecer mais rápido.
Em vez de apostar todas as fichas em novas lojas — que levam tempo para amadurecer, especialmente nos grandes centros —, a companhia também vem aproveitando unidades onde já existe demanda suficiente para justificar uma segunda sala.
A estratégia, segundo a CEO, pode turbinar a receita de uma unidade entre 30% e 50%, com um investimento menor do que o necessário para abrir uma nova loja. Ao todo, 14 unidades maduras já contam com a nova estrutura.
A companhia também mira nichos ainda pouco explorados. O uso do laser Nd:YAG, voltado para peles negras e miscigenadas (fototipos altos), aparece como uma das principais frentes de expansão.
Considerando que 50% da população brasileira é miscigenada — percentual que chega a 70% em algumas regiões —, a Espaçolaser enxerga espaço para ampliar seu market share.
A estratégia da Espaçolaser prevê uma evolução gradual da frota, priorizando as unidades de acordo com a demanda, perfil dos clientes e necessidades operacionais.
O público masculino é outra frente que ganhou força na rede de depilação a laser: o segmento cresceu 79% entre 2021 e 2025. A companhia também busca avançar em nichos específicos, como adolescentes e mulheres na menopausa.
A vida depois do follow-on
Para os acionistas, a mudança na base acionária também representa um marco. Com a saída do Magnólia FIP, ligado à gestora global de private equity L Catterton, na oferta subsequente de ações (follow-on) em junho, a empresa passou a ter 70% das ações em circulação (free float).
Segundo a CEO, a nova composição traz um nível maior de cobrança e acompanhamento por parte do mercado. “É gente que está me olhando, questionando e contribuindo”, afirma.
Questionada sobre o cenário macroeconômico e a trajetória da taxa de juros, Magali mantém uma postura de “otimismo cauteloso”.
Para ela, a companhia não pode ficar refém das decisões de Brasília ou do Banco Central. A resposta, na visão da executiva, é preparar o negócio para funcionar em diferentes cenários.
“O que a gente faz aqui é construir uma empresa resiliente para qualquer cenário. Se a Selic voltar a subir, a gente consegue sair do outro lado. Se cair, melhor ainda”, afirma.
VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL