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As ações da Lojas Renner caem forte após resultados fracos do 2T26 e corte no guidance anual; veja análise de especialistas

As ações da Lojas Renner (LREN3) operaram em forte queda e figuraram entre as maiores perdas do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira (7) e da B3 após a frustração dos investidores e analistas com os números do segundo trimestre (2T26).
Por volta das 12h, LREN3 derretia 14,47%, a R$ 11,53, sendo a maior queda do Ibovespa. Os papéis também figuravam como os mais negociados da bolsa brasileira, com cerca de 34,66 mil negócios.
As vendas vieram fracas, mas o maior problema é que essa fraqueza contaminou os resultados do ano. A empresa cortou o guidance para o ano. Se antes ela esperava aumentar o faturamento entre 9% e 13% no ano, a nova visão é uma alta de 4% a 8%.
“A forte deterioração do ritmo de crescimento, um mês de julho ainda desafiador e o aumento das incertezas para o segundo semestre de 2026 e para 2027 reduzem naturalmente a confiança nas projeções futuras e devem levar a revisões para baixo das estimativas”, avalia a equipe de analistas liderada por Rodrigo Gastim, do Itaú BBA.
“Tão importante quanto a magnitude do corte no guidance é entender o que motivou essa revisão, principalmente se ela já incorpora fatores mais estruturais, como o aumento da concorrência, a pressão do comércio transfronteiriço (cross-border) ou um ambiente macroeconômico mais fraco”, acrescentou a equipe do BBA.
Foi um trimestre fraco para a varejista de moda. A receita líquida de varejo somou R$ 3,69 bilhões, alta tímida de 1,1% na comparação anual, enquanto as vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 0,5%, praticamente estáveis.
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O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amorização) ajustado consolidado ficou em R$ 844,6 milhões, queda de 5,3%, refletindo principalmente o desempenho mais fraco da operação de serviços financeiros.
Com isso, ela registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.
Na categoria de vestuário, principal negócio da companhia, a receita avançou 2,5%, com crescimento de 1,5% nas vendas em mesmas lojas. Já o GMV digital cresceu 13,1%, alcançando R$ 837,6 milhões e participação recorde de 16,9% nas vendas do varejo.
Junto com o balanço, a varejista revisou para baixo sua projeção de crescimento da receita líquida para este ano, reduzindo o guidance de 9% a 13% para um intervalo entre 4% e 8%.
Segundo a companhia, a revisão reflete um desempenho de vendas abaixo do esperado no trimestre, influenciado por um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador.
XP, JP Morgan e BTG Pactual já esperavam uma forte reação negativa das ações. “O corte do guidance e os sinais de enfraquecimento da demanda devem prevalecer sobre a resiliência apresentada nas margens”, afirmaram os analistas do JP Morgan.
O banco ainda avaliou que as mensagens do resultado não são animadoras, com aumento tímido das vendas e desaceleração nas lojas já estabelecidas. “Diferentemente de seus pares, o SSS da Lojas Renner ficou abaixo das nossas estimativas novamente”, afirmaram Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP.
O SSS do varejo de C&A (CEABE3) teve alta de 4,1% no 2T26 na base anual e de Riachuelo (RIAA3) avanço 7,8% na comparação anual.
“Embora todos os pares da Lojas Renner tenham mencionado dinâmicas desafiadoras no trimestre, principalmente associadas à Copa do Mundo, a LREN3 apresentou a desaceleração mais acentuada”, acrescentraram.
O Itaú BBA também considerou a geração de caixa como outro “ponto fraco” do trimestre. “Um aumento de seis dias nos estoques foi parcialmente compensado por uma elevação significativa de 13 dias no prazo médio de pagamento a fornecedores, sugerindo que não houve problemas relevantes de financiamento com fornecedores no período”, avaliaram os analistas.
Pedro Pinto e Flávio Meireles, do Bradesco BBI, destacaram que o fraco desempenho de vendas e o corte nas projeções minam a credibilidade da tese de investimento, ofuscando o bom controle de margens e despesas.
“O 2T26 reforça que a empresa está cada vez mais sensível ao cenário macroeconômico, o que deve aumentar o ceticismo do mercado”, escreveram os analistas em relatório a clientes.
Após o balanço, o Santander cortou o preço-alvo das ações LREN3 de R$ 19 para R$ 17,50 no final de 2027, o que ainda implica em um potencial de valorização de 41% sobre o preço de fechamento de ontem. A recomendação de compra, porém, foi mantida.
“Mesmo após o trimestre decepcionante, acreditamos que a Renner mantém vantagens operacionais relevantes e oferece um shareholder yield de aproximadamente 12% nos próximos 12 meses”, afirmaram os analistas do banco.
Para o BTG Pactual, a varejista segue oferencendo dividendos atraentes, o que sustenta a recomendação de compra para as ações. Contudo, o banco avalia que falta catalisadores de curto prazo.
“O ambiente macroeconômico continua desafiador, com cortes de juros mais lentos do que o esperado, elevado endividamento das famílias, impactos da Copa do Mundo sobre o consumo e aumento da concorrência de plataformas internacionais pressionando a demanda — fator que, em nossa visão, deverá ser o principal tema de atenção nos próximos meses”, destacaram Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
Já o Itaú BBA coloca em dúvida de como a revisão para baixo dos lucros deve afetar a disposição da Renner em distribuir dividendos. “Será necessário avaliar se esse reajuste compromete a capacidade da companhia de sustentar um dividend yield atrativo, que tem sido um dos principais pilares de sustentação para as ações”, diz o relatório.
Com Money Times
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