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Crédito corporativo e Consumer Finance compensam um trimestre mais fraco em franquias tradicionais do banco; veja o que dizem os analistas

O BTG Pactual (BPAC11) entregou um balanço acima das expectativas no segundo trimestre de 2026 (2T26). Mas, para os analistas, o lucro de R$ 5,1 bilhões está longe de ser a parte mais interessante da história.
O resultado foi forte em diversas frentes: o lucro líquido ajustado avançou 22,6% em um ano, enquanto a rentabilidade, embora tenha recuado em relação ao mesmo período de 2025, permaneceu em um elevado ROAE de 26,7%.
A surpresa, porém, está menos no tamanho do lucro do que na forma como o BTG está construindo esse resultado.
Enquanto algumas das franquias tradicionais, como Investment Banking e Wealth Management, perderam força, novas verticais ganharam espaço — especialmente crédito ao consumidor e na carteira corporativa.
Para os analistas, é justamente essa mudança na composição dos resultados que merece atenção: o BTG começa a depender menos dos ciclos do mercado de capitais e a construir novas avenidas de crescimento, com o consignado privado entre os destaques do trimestre.
Mas a transformação também traz novas perguntas para os investidores: até onde o crédito ao consumidor pode crescer sem pressionar a qualidade dos ativos? E quanto dessa nova composição de resultados é sustentável nos próximos trimestres?
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Enquanto os investidores digerem os números do 2T26, as ações do BTG Pactual iniciaram o pregão desta terça-feira (11) em queda. Por volta das 10h30, os papéis BPAC11 caíam 2,72%, cotados a R$ 51,77.
Para o JP Morgan, o trimestre foi positivo e reforça a visão mais favorável dos analistas para instituições com exposição ao mercado de capitais em relação aos bancos tradicionais diante de uma possível deterioração do ciclo de crédito.
Segundo os analistas, a performance do crédito corporativo superou as expectativas, enquanto o BTG continuou reduzindo a exposição a pequenas e médias empresas (PMEs).
Ao mesmo tempo, o banco manteve uma constituição de provisões mais elevada e continuou entregando crescimento diversificado das receitas.
O principal ponto fora da curva veio do Consumer Finance & Banking, que vem ganhando espaço no resultado e se tornou uma das principais avenidas de crescimento do banco.
Esse movimento foi particularmente importante porque aconteceu em um trimestre mais fraco para algumas das franquias tradicionalmente associadas ao BTG.
O Wealth Management teve desempenho abaixo do esperado e foi apontado pelo JP Morgan como a principal surpresa negativa do trimestre.
Na sequência vieram as frustrações em Sales & Trading e o desempenho mais fraco do Investment Banking (IB) — este último, porém, já era esperado pelos analistas diante do ambiente mais difícil para o mercado de capitais.
“Esses resultados abaixo das expectativas foram mais do que compensados por um desempenho muito sólido da área de banco de varejo/consumo”, afirma o JP Morgan.
Para os analistas, a questão agora é entender também o custo de oportunidade associado à expansão dessas novas linhas de negócio.
“Os investidores provavelmente concentrarão atenção nos menores rendimentos da gestão de patrimônio e na sustentabilidade dos resultados em crédito ao consumidor”, avalia o banco, que mantém recomendação overweight, equivalente à compra, para BPAC11.
É justamente para essa mudança na composição dos resultados que o Citi chama atenção. Para os analistas, o 2T26 reforça a capacidade do BTG de expandir seus lucros por meio de escala, e não apenas de aproveitar períodos favoráveis nos mercados.
Por isso, o foco não deveria estar somente no fato de o lucro ter superado as expectativas. O mais importante seria observar quais negócios estão ocupando o espaço deixado pelas franquias tradicionais.
O Investment Banking continua se normalizando depois dos níveis de pico registrados anteriormente. Enquanto isso, crédito, funding e receitas recorrentes vêm preenchendo cada vez mais essa lacuna, segundo o Citi.
Na visão dos analistas, essa mudança pode tornar a rentabilidade do BTG estruturalmente menos dependente dos ciclos do mercado de capitais.
A expansão do crédito ao consumidor, porém, também coloca uma nova variável na equação.
O Citi afirma que o aumento da participação do Consumer Finance merece acompanhamento mais próximo, especialmente diante da deterioração gradual observada nos indicadores de qualidade de ativos do sistema financeiro.
Até aqui, no entanto, os primeiros sinais continuam construtivos, segundo os analistas.
As exposições de Estágio 2 e Estágio 3 permanecem amplamente estáveis apesar do forte crescimento da carteira de crédito. Além disso, o funding continua crescendo em ritmo superior ao dos ativos, enquanto os índices de capital melhoraram na comparação sequencial.
Ou seja, até o momento, a expansão da carteira não veio acompanhada de uma piora relevante nos indicadores de risco destacados pelos analistas.
“Se o BTG conseguir sustentar esse equilíbrio entre crescimento do crédito, disciplina de risco e expansão das receitas de tarifas e comissões, a franquia poderá emergir com um perfil de resultados mais diversificado e resiliente do que em ciclos de mercado anteriores”, afirma o Citi.
Para os analistas do Safra, o balanço do 2T26 trouxe um ponto fraco e vários pontos fortes.
De um lado, o momento continua limitado para Wealth Management e Investment Banking. De outro, o BTG segue conseguindo diversificar sua base de lucros e capturar oportunidades em negócios que ganharam escala nos últimos trimestres.
“Apesar de um ambiente ainda moderado para as atividades de mercado de capitais, o BTG demonstrou mais uma vez sua capacidade de compensar a fraqueza dos negócios tradicionais geradores de tarifas e comissões por meio da expansão contínua de novas verticais de negócios”, avalia o Safra.
Para os analistas, essa capacidade reforça a visão de que o banco merece negociar com prêmio em relação aos pares.
O Safra avalia que o crédito ao consumo pode ser acompanhado com mais cautela pelos investidores diante da deterioração gradual dos indicadores de qualidade de ativos dos demais bancões.
Ainda assim, o Safra considera que a capacidade do BTG de desenvolver e escalar novas fontes de receita continua sendo um diferencial importante.
O Itaú BBA, por sua vez, encontrou um ponto de atenção na captação líquida (NNM, ou net new money): o BTG captou R$ 59 bilhões no trimestre, abaixo dos R$ 83 bilhões registrados no 1T26.
Segundo os analistas, esse foi também o menor nível de captação entre os cinco trimestres para os quais o banco divulga esse indicador.
“Foi um resultado em que perímetro de consolidação e funding foram mais relevantes, enquanto a atividade dos clientes decepcionou”, avalia o Itaú BBA.
Ainda assim, o banco de investimento destaca que a rentabilidade continua em um patamar elevado.
“Com um ROE dos últimos doze meses de 26,7%, o poder estrutural de geração de resultados do BTG permanece no patamar mais elevado estabelecido ao longo do último ano, mesmo em um trimestre em que as franquias baseadas em tarifas e comissões pouco contribuíram para o desempenho”, destaca o Itaú BBA.
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