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Uma disparada histórica, compras controversas de ações, questionamentos da CVM e uma crise de liquidez que levou à recuperação judicial: veja a retrospectiva do ano da Ambipar
Como uma empresa que chegou a valer mais de R$ 27 bilhões na bolsa em 2024 terminou 2025 pedindo recuperação judicial? Essa é a pergunta que ronda a trajetória recente da Ambipar (AMBP3), marcada por uma valorização meteórica, seguida de uma queda abrupta e uma crise financeira ainda cercada de dúvidas.
Para ser sincera, a retrospectiva de 2025 da Ambipar parece saída de um roteiro de suspense, com uma sucessão de reviravoltas e desdobramentos inesperados ao longo do ano.
A empresa de gestão de resíduos, que chegou a disparar mais de 1.000% na bolsa ao longo de 2024, atravessou um dos períodos mais turbulentos de sua história recente: ações em queda de cerca de 97% desde janeiro, pedido de recuperação judicial, disputas judiciais com ex-executivos e investigações conduzidas por diferentes reguladores.
O contraste é difícil de ignorar. Em poucos meses, a companhia saiu do posto de uma das ações mais valorizadas do mercado para o centro de uma tempestade perfeita — financeira, jurídica e reputacional — que até hoje vem rendendo novos capítulos no noticiário econômico.
A seguir, o Seu Dinheiro reconstruiu os principais capítulos desse ano conturbado da Ambipar. Nós também gravamos um vídeo explicando, de forma direta, o que aconteceu com a empresa. Confira aqui:
Para entender o que aconteceu em 2025, é preciso voltar um pouco no tempo. A Ambipar (AMBP3) abriu capital na B3 em julho de 2020, surfando a onda ESG e prometendo crescimento acelerado por meio de aquisições no Brasil e no exterior.
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O plano era ambicioso — e exigia endividamento. Quando os juros começaram a subir de forma agressiva no pós-pandemia, essa estratégia passou a cobrar seu preço. As ações, que chegaram à bolsa perto de R$ 24, recuaram para a faixa dos R$ 8.
Foi justamente a partir desse ponto que a história mudou de rumo. A partir de maio de 2024, os papéis entraram em uma escalada vertiginosa, impulsionada por uma combinação de fatores que acabou chamando a atenção dos reguladores.
O controlador da companhia, Tércio Borlenghi Junior, passou a adquirir ações no mercado. Ao mesmo tempo, a própria Ambipar colocou em prática um programa de recompra de papéis.
O movimento ganhou ainda mais tração com a entrada de fundos administrados pela Trustee DTVM — que têm Nelson Tanure como cotista — e de outros fundos que, segundo a CVM, têm o Banco Master como beneficiário econômico, como Kyra e Texas.
Esse conjunto de compras alimentou um fenômeno clássico de mercado: o short squeeze. Investidores que apostavam na queda das ações foram obrigados a recomprar papéis para encerrar posições, acelerando ainda mais a alta.
Essa combinação de fatores resultou em um salto brusco no preço das ações, que saíram de R$ 8, no fim de maio, para atingir o pico de R$ 268, em dezembro.
No auge da euforia, a Ambipar chegou a valer mais do que empresas como Embraer (EMBR3) e Gerdau (GGBR4), figurando entre as 20 companhias mais valiosas da B3, com valor de mercado superior a R$ 27 bilhões. Hoje, a avaliação beira os R$ 470 milhões.
Um tempo depois de as ações acumularem uma valorização abrupta, a área técnica da CVM levantou a hipótese de que a cotação poderia ter sido inflada artificialmente
A leitura preliminar sugeriu que o controlador da Ambipar deveria ser obrigado a realizar uma oferta pública de aquisição (OPA), em razão das compras feitas em conjunto com fundos ligados ao Banco Master e a Nelson Tanure.
O entendimento, porém, não prevaleceu. Após a saída do então presidente da autarquia, a diretoria da CVM rejeitou a proposta de OPA — decisão que gerou desconforto no mercado e críticas nos bastidores.
Nesta semana, o assunto foi encerrado de forma definitiva. Por unanimidade, a diretoria da CVM rejeitou o pedido de reconsideração da área técnica que buscava reabrir a discussão.
Com isso, foi mantida a decisão de que o fundador da Ambipar não precisa realizar a oferta aos minoritários.
O novo ponto de virada veio em setembro de 2025. Foi naquele mês que a Ambipar decidiu recorrer à proteção judicial contra credores — um movimento que surpreendeu o mercado.
O gatilho da crise foram os chamados green bonds, títulos de dívida sustentáveis emitidos no exterior para financiar projetos ambientais.
Para se proteger da volatilidade cambial, já que suas receitas são majoritariamente em reais, a empresa havia firmado um contrato de swap com o Deutsche Bank, transformando, na prática, a dívida em dólar em obrigação em real.
O problema surgiu com um aditivo contratual controverso, que vinculava o derivativo à performance dos próprios títulos. Quando o preço dos green bonds começou a cair, o aditivo foi acionado. O banco passou a exigir garantias adicionais para cobrir a desvalorização.
Segundo a Ambipar, o risco era de um efeito dominó capaz de gerar um impacto potencial de até R$ 10 bilhões no caixa da companhia.
Isso porque boa parte dos contratos financeiros da Ambipar contém cláusulas de vencimento cruzado (cross-default), que poderiam antecipar cobranças de diversos credores ao mesmo tempo.
Em meio à crise financeira, a empresa passou a culpar o ex-diretor financeiro João Arruda pela assinatura do aditivo com o Deutsche Bank, alegando que o contrato foi fechado sem aval do conselho. Arruda nega e sustenta que o acordo trouxe benefícios à companhia.
Uma ata de reunião do conselho, realizada em 27 de fevereiro de 2025 e não protocolada na CVM, mostra que o colegiado aprovou formalmente — e de forma unânime — a realização de operações de swap com o objetivo de proteger a companhia de riscos cambiais e de juros, com o aval do CEO, Tércio Borlenghi Junior.
Ainda assim, diante da escalada das tensões e da exigência de garantias adicionais, a Ambipar correu à Justiça em setembro, alegando que o banco exigia garantias além do previsto contratualmente — um movimento que antecedeu o pedido formal de recuperação judicial.
O episódio jogou luz a uma contradição nas finanças da Ambipar.
Segundo a S&P Global, a Ambipar reportava uma dívida de cerca de R$ 616 milhões. Ao mesmo tempo, divulgava uma posição de caixa de R$ 4,7 bilhões no fim do segundo trimestre — o que, em tese, seria mais do que suficiente para cobrir suas obrigações.
O pedido de proteção judicial ampliou o ceticismo. Para o mercado, soava difícil explicar como uma companhia com bilhões em caixa poderia enfrentar uma crise de liquidez tão súbita a ponto de recorrer à recuperação judicial, especialmente com um endividamento relativamente modesto.
No meio disso tudo, credores passaram a questionar onde realmente estaria o caixa da Ambipar. Segundo relatos, apenas cerca de US$ 80 milhões — algo em torno de R$ 400 milhões — teriam sido efetivamente localizados.
No fim de outubro, a Justiça do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial da Ambipar. No processo, a empresa declarou dívidas de aproximadamente R$ 10,5 bilhões.
Neste mês, o conselho da Ambipar deu sinal verde aos termos e condições do plano de RJ — que deve trazer um planejamento detalhado de reestruturação, com prazos, garantias, prioridades de pagamento e estratégias para reorganizar suas operações.
Segundo a empresa, o plano foi elaborado internamente, com apoio de assessorias financeira e jurídica, e tem como objetivo central viabilizar a superação do momento adverso, preservando a atividade empresarial.
Por enquanto, o plano ainda não veio a público. E a Ambipar segue tentando convencer credores e investidores de que a recuperação judicial foi uma medida preventiva.
Enquanto isso, o mercado tenta montar o quebra-cabeça: como uma empresa que, poucos meses antes, era símbolo de crescimento acelerado e caixa robusto passou a enfrentar uma das crises mais profundas de sua história.
Nesse contexto, o balanço do terceiro trimestre, cuja divulgação foi adiada pela Ambipar em novembro, ganhou um peso adicional. A expectativa é grande — e não há clareza sobre o que será efetivamente divulgado, já que parte das informações está sob sigilo judicial.
Analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro alertam que o resultado pode trazer mais perguntas do que respostas. E novas disputas não estão descartadas.
Até lá, uma questão continua ecoando no mercado: onde foi parar o caixa da Ambipar?
Essa é a retrospectiva de um ano que a Ambipar certamente gostaria de esquecer — mas que ainda terá desdobramentos importantes pela frente. Resta acompanhar.
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