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A rede de oncologia volta a decepcionar no 1T26, com perdas mais que triplicando e fluxo de caixa negativo; mercado teme dependência de capital externo

A Oncoclínicas (ONCO3) chega ao pregão desta sexta-feira sob pressão redobrada após divulgar um balanço que escancarou um nível elevado de estresse financeiro no primeiro trimestre de 2026 (1T26): prejuízo em disparada, geração de caixa negativa e sinais de fragilidade operacional em diferentes frentes.
Para o JP Morgan, a continuidade das operações da companhia “depende fortemente de apoio externo” — uma avaliação que ajuda a explicar a expectativa de reação negativa das ações nesta sessão.
Nem a teleconferência com o mercado ajudou a mudar o tom. O encontro durou pouco mais de 15 minutos e terminou sem perguntas de analistas ou investidores — um silêncio que, por si só, já diz bastante. “Isso é sinal de que ninguém mais se interessa... algo raríssimo”, disse um gestor.
No trimestre, a rede de oncologia registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais do que triplicando as perdas em relação ao mesmo período do ano passado, com piora de 232,2%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve algum alívio, com redução de 71,1% nas perdas.
Mesmo ao excluir efeitos não recorrentes — como o impacto não caixa do plano de incentivo de longo prazo (PILP) e ajustes relacionados a hospitais —, o prejuízo ajustado permaneceu elevado, em R$ 425 milhões, com deterioração de 410% na base anual.
“Este foi um trimestre de decisões importantes para o fortalecimento da companhia no longo prazo”, afirmou o novo CEO, Carlos Gil, destacando iniciativas voltadas à eficiência, disciplina de capital e reestruturação financeira.
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A mensagem, no entanto, convive com números que mostram que o processo de turnaround ainda está longe de se refletir no resultado.
O fluxo de caixa operacional da Oncoclínicas foi negativo em R$ 153,1 milhões no trimestre, pressionado, em parte, pela antecipação de recebíveis de R$ 330,5 milhões no período anterior.
O Ebitda ajustado — usado para mensurar o potencial de geração de caixa operacional — também veio negativo, em R$ 49,2 milhões, revertendo o resultado positivo de R$ 153,9 milhões registrado um ano antes.
Segundo a companhia, o desempenho foi impactado diretamente por uma desalavancagem operacional, agravada por desabastecimento de medicamentos em março e por provisões contábeis reconhecidas no período.
Há ainda um fator adicional: a mudança de postura da nova gestão no balanço. Diferente do histórico da companhia, que costumava ajustar provisões de glosas e créditos de liquidação duvidosa com base em negociações em curso, desta vez, o novo alto escalão optou por uma abordagem mais conservadora.
Isso gerou impacto negativo de aproximadamente R$ 119 milhões no trimestre, de acordo com a empresa.
O endividamento da Oncoclínicas segue como outro ponto de atenção no balanço. A dívida líquida encerrou março em R$ 3,2 bilhões, praticamente estável na comparação anual, mas com alta de 13,6% frente ao trimestre anterior.
Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, subiu para 5,2 vezes — bem acima do patamar de 3,2 vezes registrado um ano antes.
Diante disso, a companhia já iniciou conversas com credores para readequar o perfil de amortização da dívida, buscando “alinhar melhor os compromissos financeiros à capacidade de geração de caixa”, segundo a Oncoclínicas.
Em meados de abril, a Oncoclínicas recorreu à Justiça para tentar suspender temporariamente obrigações financeiras e evitar a antecipação de dívidas.
No operacional, o quadro também é misto. A receita líquida somou R$ 1,1 bilhão no trimestre, queda de 22,3% na comparação anual, impactada principalmente pelo volume de provisões.
Por outro lado, o ticket médio por procedimento avançou 14,3%, refletindo a estratégia de recomposição de preços e maior disciplina comercial.
Os custos caixa dos serviços prestados totalizaram R$ 958,1 milhões, com melhora de 11,1% na base anual, enquanto as despesas operacionais caixa caíram 12%, para R$ 260,3 milhões — sinais de esforço de ajuste, ainda insuficientes para compensar a perda de escala.
A turbulência do balanço do 1T26 não surge do nada. Ela faz parte de um processo mais longo de deterioração financeira da Oncoclínicas desde a estreia da rede de tratamentos oncológicos na bolsa, em 2021.
Após anos de expansão acelerada, decisões estratégicas questionadas e uma estrutura de capital pressionada, a companhia agora tenta reorganizar a casa em meio a restrições de liquidez.
A entrada de sócios controversos, como o Banco Master, a sequência de queima de caixa e as sucessivas mudanças recentes no alto escalão da Oncoclínicas também ajudaram a deteriorar a percepção de risco ao longo dos últimos meses.
Em abril, a Oncoclínicas recorreu a um empréstimo emergencial, entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, financiado pela Lumina Capital, com o objetivo de garantir a compra de medicamentos junto à OncoProd e preservar a continuidade da operação.
A operação veio acompanhada de mudanças na governança, incluindo a saída de Bruno Ferrari do conselho e a entrada de novos nomes indicados pelos credores.
Para o JP Morgan, o balanço da Oncoclínicas trouxe um alto nível de estresse no 1T26, com números abaixo do esperado. Segundo os anaçistas, um conjunto de fatores explica a decepção com o trimestre, desde limitações operacionais até ajustes contábeis mais conservadores.
Entre os principais pontos destacados estão o impacto de R$ 40 milhões na receita devido à falta de medicamentos, a reclassificação de provisões e o reconhecimento de R$ 148 milhões em perdas associadas à Unimed Leste Fluminense.
Sem a apresentação de um novo plano estratégico pela administração junto ao balanço, o banco mantém recomendação underweight (equivalente à venda) para as ações ONCO3.
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