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NADA DE PROVENTO GORDO?

Banco do Brasil (BBAS3) fecha a torneira: dividendos extras estão “totalmente descartados” em 2026, diz diretor

Fluxo mais fraco no agro e risco crescente levam BB a reforçar provisões e adotar postura conservadora, afirma o VP de gestão financeira e RI, Geovanne Tobias

Geovanne Tobias, diretor financeiro (CFO) do Banco do Brasil (BBAS3).
Geovanne Tobias, diretor financeiro (CFO) do Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Reprodução

Em meio à piora do cenário de crédito na largada de 2026, a diretoria do Banco do Brasil (BBAS3) decidiu antecipar a mensagem mais sensível para o investidor: não haverá espaço para dividendos extraordinários neste ano. 

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“Está totalmente descartado”, afirmou o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, durante coletiva com jornalistas nesta quinta-feira (14). 

A sinalização veio direto da diretoria durante a conferência de resultados do primeiro trimestre, em um momento em que o banco já lida com pressão crescente sobre a qualidade dos ativos, especialmente no agronegócio

Além disso, a decisão também ocorre na esteira de uma revisão nas projeções (guidance) do BB para 2026, motivada por uma deterioração no cenário de crédito e um aumento nos riscos previstos. 

Mais do que buscar acelerar a remuneração ao acionista nos próximos meses, a prioridade do Banco do Brasil agora é preservar capital e atravessar um ciclo de maior pressão com mais cautela. 

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O peso do agronegócio nos resultados do Banco do Brasil 

Segundo o vice-presidente de agronegócio, Gilson Bittencourt, o fluxo de pagamentos do setor de agronegócio em abril veio pior do que o esperado — um sinal relevante em um momento em que o mercado já monitora de perto a qualidade do crédito rural. 

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Embora a produção e produtividade brasileiras continuem em níveis recordes, o banco enfrenta problemas pontuais de liquidez em algumas atividades específicas, o que tem afetado a pontualidade dos pagamentos, segundo a administração do BB. 

Esse descompasso entre produção forte e caixa mais apertado ajuda a explicar por que a inadimplência segue pressionada, mesmo em um setor que, historicamente, funciona como pilar da carteira do banco. 

Além disso, o cenário climático adiciona mais uma camada de incerteza. Os efeitos do El Niño continuam no radar, com impactos distintos entre regiões e dificuldade maior de previsibilidade para os próximos meses. 

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Diante desse ambiente mais instável, o banco já começou a ajustar suas engrenagens internas. 

O vice-presidente de controles internos e gestão de risco, Felipe Prince, destacou que o BB revisou suas estimativas de perda esperada — movimento que se traduziu em reforço de provisões e revisão do custo de crédito projetado para o ano. 

Quando o agro transborda para a pessoa física 

A deterioração do fluxo de caixa no agronegócio já começa a transbordar para outra ponta da carteira do Banco do Brasil: a pessoa física

Como muitos produtores concentram seu relacionamento financeiro no Banco do Brasil, o aperto no campo acaba contaminando outras linhas de crédito dos mesmos clientes — elevando o risco também fora do segmento rural. 

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Para lidar com esse cenário, o BB vem acelerando a implementação de uma nova metodologia de concessão de crédito. O objetivo é elevar o nível de exigência, priorizar garantias mais robustas e tornar a originação mais seletiva. 

Por enquanto, cerca de 25% da carteira agro já está enquadrada nesse novo modelo. A expectativa é que, até setembro, mais de 50% dos vencimentos mensais passem a seguir essas diretrizes. 

A aposta da administração é que esse ajuste comece a aparecer de forma mais clara nos indicadores de inadimplência ao longo do segundo semestre, ainda que de maneira gradual. 

O contra-ataque do Banco do Brasil no crédito 

Enquanto recalibra o risco em algumas frentes de crédito, o banco também busca reequilibrar o portfólio por outro caminho: aumentando a exposição a linhas consideradas mais previsíveis e rentáveis. 

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O principal destaque é o crédito consignado privado. Em menos de um ano, o Banco do Brasil já desembolsou cerca de R$ 18 bilhões nessa modalidade, alcançando 1,2 milhão de clientes. 

O objetivo do BB é atingir cerca de 20% de participação de mercado, patamar similar ao que já detém no consignado do setor público. 

A estratégia é ganhar tração em produtos com garantias mais sólidas e spreads mais atrativos, compensando a menor performance de carteiras mais sensíveis ao ciclo econômico. 

“A gente segue tracionado na pessoa física... para equilibrar o portfólio do banco, principalmente em momentos em que outras carteiras, como a do agro, não performam tão bem”, afirmou Prince. 

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