CVM pressiona, credores cobram: Ambipar (AMBP3) adia balanço do 3T25 em meio ao enigma do caixa
Apenas alguns meses após reportar quase R$ 5 bilhões em caixa, a Ambipar pediu RJ; agora, o balanço do 3T25 vira peça-chave para entender o rombo

A Ambipar (AMBP3) estava prestes a chegar a um dos momentos mais delicados de sua história recente. O mercado estava ávido por números. Os investidores e credores queriam respostas. A CVM queria transparência. E, enquanto isso, todos tentam decifrar a mesma questão: onde foi parar o caixa bilionário que a empresa dizia ter há poucos meses?
Mas o balanço do terceiro trimestre, que estava previsto para sair nesta quarta-feira (12) e poderia trazer essas respostas, acaba de ser adiado. Essa postergação da divulgação já vinha sendo cogitada pelo mercado, aliás.
De acordo com a Ambipar, o adiamento é resultado do processo de recuperação judicial da companhia, que "impactou a conclusão dos trabalhos de revisão, pela companhia, seus assessores e auditores independentes, das informações financeiras e contábeis".
A empresa afirma ainda que as recentes alterações na diretoria financeira, com a saída do ex-CFO João Arruda, demandaram "ajustes nos processos internos de reporte e validação de informações contábeis e financeiras", o que também impactou com o cronograma.
"A companhia está envidando todos os esforços para que a finalização e revisão do 3º ITR 2025 seja concluída o mais rapidamente possível", escreveu a Ambipar.
Apesar do adiamento, a expectativa para o balanço do 3T25 segue enorme. Não apenas pelos números operacionais, mas sobretudo pelo que eles podem revelar sobre a real situação financeira da companhia.
Leia Também
A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu ir à Justiça para exigir acesso integral ao processo de recuperação judicial da empresa, inclusive aos documentos atualmente sob sigilo.
A xerife do mercado de capitais afirmou ter grande preocupação com o nível de transparência da Ambipar — uma companhia listada na bolsa e que deveria prestar informações ao mercado.
Onde está o caixa da Ambipar?
A principal dúvida gira em torno de uma aparente quebra de narrativa nos números divulgados pela empresa de gestão ambiental ao longo de 2025.
Em junho, ela reportou um caixa consolidado de R$ 4,7 bilhões. Apenas quatro meses depois, pediu recuperação judicial alegando crise de liquidez.
O caixa da empresa, hoje sob segredo de justiça na recuperação judicial, deve ser um dos pontos mais observados do resultado.
Entre credores e analistas, o que se sabe até agora está longe dos bilhões anunciados no balanço de junho. Logo que a crise estourou, investidores e bancos tentaram rastrear o caixa real disponível na empresa.
Porém, as cifras encontradas, segundo fontes, giraram em torno de US$ 80 milhões — cerca de R$ 400 milhões. Muito distante dos quase R$ 5 bilhões divulgados meses antes.
A diferença monumental entre os dois valores se tornou o ponto mais sensível da crise.
“Estamos curiosos para ver o que virá no balanço, porque realmente ainda faltam muitas peças nesse quebra-cabeça. Veremos o próximo capítulo da novela, porque não ficou nada claro quais são as razões para a empresa ter entrado com o pedido de recuperação judicial”, disse um gestor que acompanha a situação.
CVM quer mais pistas para solucionar o mistério
Para a CVM, essa mudança repentina simplesmente não fecha a conta. Um caixa robusto o suficiente para cobrir múltiplas vezes a dívida indicada no pedido inicial de proteção contra credores “destoa” totalmente da e uma situação de crise financeira, alegada pela empresa.
Quando buscou proteção contra os credores, a Ambipar informou uma dívida de curto prazo de R$ 616 milhões. Pouco tempo depois, no pedido de recuperação judicial, a empresa disse possuir dívidas de aproximadamente R$ 10,5 bilhões.
“Tal discrepância reforça a necessidade de informações sobre a real disponibilidade de caixa e a natureza das obrigações vencidas que motivaram o pedido, uma vez que além da divergência temporal, parece subsistir também uma discrepância material nas informações apresentadas”, disse a autarquia.
De fato, parece contraditório que uma companhia que ostentava uma posição de caixa bilionária corresse o risco de uma crise de liquidez tão profunda e súbita ao ponto de ter precisado recorrer à recuperação judicial — ainda mais quando o endividamento listado na RJ é de algumas centenas de milhões de reais.
É por isso que a CVM quer ter acesso a “documentos cruciais”, como demonstrações contábeis especiais elaboradas para instruir o pedido de RJ, contratos com bancos e fornecedores e atas de deliberação interna que autorizaram a reestruturação judicial.
Segundo a Ambipar, parte desses documentos já foi entregue — aqueles não protegidos por sigilo — e o restante será divulgado quando o juiz responsável encerrar a tramitação sob segredo.
O regulador, porém, contesta esse argumento. Para a autarquia, relatórios de fluxo de caixa e dados financeiros essenciais não possuem natureza sigilosa, especialmente quando envolvem uma empresa listada em bolsa.
O polêmico e misterioso FIDC da Ambipar
Outro capítulo nebuloso envolve as aplicações financeiras do caixa da Ambipar — mais especificamente, uma suposta estrutura de FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios) associada à empresa.
Esse FIDC teria realizado movimentações que, segundo o Pipeline, chegaram à casa de R$ 1,2 bilhão pouco antes do pedido de RJ. O fundo também teria aumentado as provisões para inadimplência nesse período.
A ausência de informações públicas sobre aprovação da operação pelo conselho de administração, bem como sobre possíveis ligações com partes relacionadas, acentuou ainda mais a desconfiança do mercado.
- Leia também: Ata da Ambipar (AMBP3) contradiz versão oficial e expõe aval do conselho a operações com Deutsche Bank antes da crise
Ambipar em recuperação judicial
Enquanto isso, a recuperação judicial avança. No fim de outubro, a Justiça do Rio de Janeiro deferiu o pedido da Ambipar, dando início ao chamado stay period — tempo em que a empresa fica “blindada” contra execuções e cobranças — de 180 dias.
Esse período de proteção pode ser prorrogado por mais 180 dias, caso o juiz entenda que as negociações com credores ainda não estejam maduras.
Nesse intervalo, a companhia terá de apresentar um plano detalhado de reestruturação financeira, incluindo prazos, garantias, prioridade de pagamentos e estratégias para reorganizar suas operações.
A companhia argumenta que buscou a RJ para proteger-se de um efeito cascata de vencimentos antecipados, mas não tem conseguido dissipar o ceticismo.
Credores afirmam que encontraram apenas uma fração do caixa anunciado. E o mercado, por enquanto, tenta entender como a empresa transita de “caixa bilionário” para “crise financeira” em tão pouco tempo.
O plano de recuperação judicial, que deve detalhar todas as informações sobre as dívidas e reorganização operacional, ainda não foi apresentado.
O mercado em compasso de espera — e de desconfiança — no 3T25
Nesse contexto, o balanço do terceiro trimestre ganha um peso adicional.
A expectativa para o resultado é grande — e nervosa. Não há clareza sobre o que será efetivamente divulgado, já que parte dos dados está sob sigilo judicial.
Analistas como Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, alertam que o balanço pode trazer mais perguntas do que respostas e a possibilidade de novas disputas não estão descartadas.
“Há uma nebulosidade na empresa, no caixa, nos relatórios e no próprio relatório trimestral. Todos nós aguardamos com muita ansiedade para saber o que vem aí. Mas o acionista já pode esperar uma bomba, uma granada sem pino, porque se a própria CVM não tem acesso aos documentos, imagine o investidor minoritário”, disse o analista.
O gestor da WFlow, Guilherme Viveiros, afirmou que se surpreenderia se a divulgação de resultados realmente ocorresse na data marcada. “Em caso positivo, tenho dúvidas se responderá a todas as questões que motivaram o pedido de recuperação judicial”, disse.
Quando os resultados forem divulgados, o gestor aposta que a Ambipar concentrará a atenção nos números e nas margens operacionais. Nos últimos trimestres, ela apresentou sucessivos resultados negativos.
“Além disso, é provável que, quando a divulgação ocorrer, a auditoria faça várias ressalvas. De antemão, considero pouco provável que tenhamos respostas conclusivas sobre o que, de fato, ocorreu na Ambipar”, disse Viveiros.
Segundo um gestor de ações, o balanço do terceiro trimestre também poderá fornecer mais pistas sobre se os resultados anteriores da Ambipar eram “minimamente fidedignos”.
“A parte operacional vinha muito bem, tanto em crescimento quanto em margem operacional. Se essa parte era verdade, tinha que haver algo muito errado nos números de endividamento e caixa para ter justificado a RJ”, disse o gestor.
Mas, até que o balanço venha à tona, a pergunta continua ecoando: onde foi parar o caixa da Ambipar?
TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO
WEG (WEGE3) anuncia dois investimentos milionários em grandes avenidas de crescimento da próxima década
28 de setembro de 2026 - 15:15OLHO NA TARJA
O detalhe que levou a Anvisa a proibir a Hypera Pharma (HYPE3) de divulgar a caneta emagrecedora Semavy
28 de setembro de 2026 - 7:54ENTREVISTA EXCLUSIVA
Inter adiou o ROE de 30%, mas não desistiu da meta: CEO revela qual é a prioridade agora
28 de setembro de 2026 - 6:14AGORA É SÓ SUBIR
Hapvida (HAPV3) chegou ao fundo do poço e pode ter até R$ 30,8 bilhões em benefício — mas ela ainda precisa fazer isso para se recuperar, diz UBS
27 de setembro de 2026 - 13:02ESTRATÉGIA
Carrefour vende 21 lojas de bairro a gigante do varejo, que estreia em São Paulo com nova bandeira; saiba qual
27 de setembro de 2026 - 10:02O CENÁRIO BULL
XP, Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e BTG: dois bancos vão se dar melhor se a Selic cair, segundo o UBS BB
25 de setembro de 2026 - 14:35SAÚDE DO CRÉDITO
Inter (INBR32) ainda não viu o pior: inadimplência deve subir no 3T26; CEO revela de onde vem a pressão
25 de setembro de 2026 - 12:51PREÇO NÃO É O SUFICIENTE
Ozempic no Mercado Livre emagrece as ações da RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3); bancos explicam o que falta para o Meli bater de frente com as grandes redes
25 de setembro de 2026 - 11:19Conteúdo Empiricus
Apesar da adoção crescente da inteligência artificial, 41% das empresas ainda apresentam dificuldades na integração com agentes de IA
24 de setembro de 2026 - 14:00NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS