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Com a guerra e o aumento do preço dos combustíveis, a companhia identificou oportunidades de aumentar a rentabilidade e a captura de valor de seu portfólio

A Compass (PASS3) acaba de apresentar seus primeiros resultados após a abertura de capital na bolsa de valores. Embora a empresa tenha apresentado crescimento no volume e no Ebitda, o custo de capital e os gastos financeiros levaram a uma queda no lucro.
A empresa também precisa lidar com o aumento do preço de energia causado pela guerra no Oriente Médio e o bloqueio no Estreito de Ormuz. A interrupção da navegação pela região não afeta apenas o preço do petróleo, mas também do gás natural, principal matéria-prima da companhia.
O aumento do custo de combustíveis e gás também poderia provocar uma redução na demanda, mas o CEO acredita que esse risco não deve ser tão alto. "O impacto deve ser pequeno, porque não é só o gás natural que fica mais caro, outros energéticos também", afirmou o CEO Antonio Simões em teleconferência com analistas. Ou seja, há pouco espaço para troca de fonte energética.
“Vemos, por exemplo, tanto o gás natural quanto o biometano ficando mais competitivos em relação ao diesel, que deslocou muito mais [o preço], e isso deve continuar mesmo após o conflito”, disse.
No curto prazo, a guerra não afeta grandes clientes da Compass, como indústrias. Mas há oportunidades no radar, diz a empresa, que podem ser capturadas pela Edge.
Quem chama a atenção é a caçula da holding, a Edge, empresa que atua no mercado livre de gás e que foi criada há pouco mais de dois anos.
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A divisão acaba de inaugurar uma planta de biometano, a Onebio. Ela produz gás renovável a partir de resíduos orgânicos, injetando diretamente na rede de gás natural.
Além disso, começou a fornecer gás natural liquefeito (GNL) para clientes fora da malha de gasodutos. Essa logística é feita a partir do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), um navio ancorado no porto de Santos e que consegue entregar combustível para consumidores finais dentro de um raio de até 1.200 km com caminhões.
Com esses lançamentos, o volume comercializado na divisão subiu 27%. "O primeiro trimestre marcou um novo avanço na estratégia da Edge de consolidar uma plataforma integrada de gás natural, GNL e biometano no Brasil", afirmou a empresa em seu release de resultados.
Com a guerra e o aumento do preço dos combustíveis, a companhia identificou oportunidades de aumentar a rentabilidade e a captura de valor de seu portfólio.
A Edge antecipou para o primeiro trimestre a venda de cargas para o mercado externo que será entregue no restante do ano.
Com o aumento dos preços de combustíveis e de energia na Europa com a guerra, a Edge conseguiu otimizar o valor de cargas não apenas do primeiro trimestre, mas do que seria entregue nos meses seguintes.
"A Europa está puxando carga, precisando de suprimento. Com essa guerra, a Ásia também está sendo impactada", afirmou Simões.
Mas ele afirma que essas antecipações só serão feitas em busca de uma rentabilidade maior. "Temos contratos firmes, e só vamos fazer essa otimização se conseguirmos aumentar as margens."
A entrega desse combustível antecipado será feita apenas nos meses seguintes. Como essas vendas já foram fechadas, elas entram agora no balanço financeiro.
O Ebtida da divisão caiu 14%. No entanto, ao normalizar a rentabilidade considerando apenas os volumes já entregues, excluindo aqueles que serão vendidos só nos trimestres seguintes, a alta foi de 36%.
Com isso, o Ebitda de toda a holding teve alta de 2%, para R$ 1,33 bilhão, mas a alta normalizada seria de 12%.
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