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Mesmo com resultado em linha no 1T26, mercado vê deterioração se espalhando pela carteira e questiona visibilidade de recuperação; veja o que fazer com BBAS3 agora

O mercado já entrou no balanço do Banco do Brasil (BBAS3) esperando um trimestre fraco. O que saiu dos números, porém, foi um sinal mais incômodo: o problema não ficou para trás — e risco agora não está só no agronegócio.
No 1T26, o lucro líquido recorrente ficou em R$ 3,43 bilhões, praticamente em linha com as projeções, mas com derrocada de 53,5% em relação a 025. Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) caiu para 7,3%, tombo de 9,4 pontos percentuais na base anual.
Ainda que o resultado tenha vindo em linha com as expectativas do mercado, a leitura predominante entre analistas é de que o balanço reforça um cenário mais negativo à frente — e com menos visibilidade de recuperação.
Apesar da leitura mais negativa do balanço, as ações do Banco do Brasil resistem à pressão e operam em leve queda nesta quinta-feira (14). Por volta das 12h35, os papéis BBAS3 recuam 0,34%, a R$ 20,69.
A reação, ainda que moderada, parece menos ligada a uma reavaliação otimista do resultado e mais a um ajuste técnico do mercado, segundo fontes consultadas pelo Seu Dinheiro.
Na véspera, os investidores já haviam antecipado boa parte do pessimismo: as ações recuaram 2,63% antes mesmo da divulgação do balanço, sinalizando que a piora já estava, ao menos parcialmente, precificada pelos investidores.
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Além disso, o pregão desta quinta é marcado por um movimento mais amplo de recuperação da bolsa brasileira, que sobe cerca de 1% após a sessão negativa do dia anterior. Esse pano de fundo ajuda a mitigar o desempenho do BB, ainda que não seja suficiente para colocá-lo entre os destaques positivos.
Na comparação com os pares, a reação do banco segue mais contida. O Itaú Unibanco avança 2,35% no mesmo horário, o Bradesco tem alta de 1,81% e o Santander Brasil sobe 1%, enquanto o Banco do Brasil fica para trás.
| Indicador | Resultado 1T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 3,43 bilhões | R$ 3,425 bilhões | -53,5% | -40,2% |
| ROAE | 7,3% | 7,3% | - 9,4 p.p | - 5,1 p.p |
| Margem financeira bruta | R$ 27,4 bilhões | — | +14,8% | -1,3% |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,3 trilhão | — | +2,2% | +0,7% |
Se o mercado já entrava na temporada esperando um trimestre pressionado, o que ficou depois da divulgação foi um desconforto maior com a trajetória do crédito.
Na visão do JP Morgan, o trimestre fraco, pressionado por provisões mais elevadas e um capital mais fragilizado, pode continuar pesando sobre o desempenho do banco nos próximos períodos.
Além disso, os analistas chamam atenção para um ponto mais sensível: a credibilidade da gestão. Isso porque o Banco do Brasil revisou o guidance (projeção) para 2026 poucas semanas após reafirmar o compromisso com as estimativas no Investor Day, no fim de abril.
“Acreditamos que isso prejudica a credibilidade, dado que o BB revisou o guidance cinco vezes consecutivas desde o 1T25”, dizem os analistas do JP Morgan.
Para a XP Investimentos, o resultado veio dentro do esperado, mas com um recado mais duro: a deterioração ainda não terminou — e pode estar se espalhando.
Já o Citi é mais direto: se pode piorar, vai piorar. A avaliação é de mais um trimestre fraco para o Banco do Brasil e um novo guidance que reflete um cenário mais difícil e incerto à frente.
“O Banco do Brasil continua com baixa visibilidade em relação à qualidade dos ativos, que permanece sob pressão”, afirmam os analistas.
Para o banco norte-americano, embora as estimativas atuais “já reflitam a baixa visibilidade do banco”, os analistas não veem sinais de melhora nos principais indicadores de unit economics que possam estabilizar as preocupações do mercado.
À primeira vista, o balanço até trouxe um pequeno ponto de alívio. As receitas continuaram sendo o principal ponto positivo, com destaque para a revisão para cima do guidance (projeção) de margem financeira.
Mas esse ganho não resistiu ao restante do cenário. A deterioração mais ampla da qualidade do crédito levou o Banco do Brasil a elevar a projeção de custo de risco e, ao mesmo tempo, reduzir a expectativa de lucro líquido — agora, o teto virou piso para 2026.
“A pressão de crédito não está mais restrita ao agro”, destacam os analistas da XP.
O que antes era visto como um problema concentrado em um segmento específico começa a aparecer em outras frentes da carteira.
Os números reforçam essa leitura. A inadimplência de curto prazo em pessoa física avançou quase 0,90 ponto percentual na comparação trimestral e cerca de 2 pontos percentuais na base anual.
Na leitura da corretora, esse movimento sugere “pressão adicional à frente” no Banco do Brasil.
Há, sim, alguns pontos de compensação. A inadimplência no crédito corporativo — especialmente em pequenas e médias empresas (PMEs) e atacado — mostrou melhora, ajudando a aliviar parcialmente a pressão sobre o balanço.
Além disso, a desaceleração do crescimento da carteira é vista como positiva pela XP. Em um ambiente em que a qualidade dos ativos ainda não se estabilizou, crescer menos pode ser justamente parte da solução.
Mas esses fatores ainda parecem insuficientes para mudar o quadro geral, segundo os analistas.
Mesmo com a deterioração se espalhando, o epicentro da crise no Banco do Brasil (BBAS3) continua no mesmo lugar: o agronegócio.
Agora, a preocupação dos analistas já não está apenas nos números atuais, mas nos sinais que antecedem os próximos trimestres. “Os sinais parecem mais preocupantes do que o próprio dado negativo de qualidade de crédito”, diz a XP.
O principal termômetro dessa deterioração tem sido o avanço dos pedidos de recuperação judicial (RJs), que seguem acelerando mesmo após medidas do governo de socorro ao setor — e em um período ainda afetado pelo recesso do Judiciário.
Depois de uma breve estabilização recente, típica de trimestres com menor volume de vencimentos, os pedidos voltaram a ganhar tração.
Em abril, mês que marca o início da temporada mais pesada de vencimentos, o volume financeiro de RJs chegou a cerca de R$ 650 milhões — quase metade de tudo o que foi registrado ao longo de todo o segundo trimestre de 2025.
Para a XP, esse movimento é um sinal de que a dinâmica de crédito à frente tende a ser mais negativa.
O cenário para a safra 2026/27 também adiciona pressão. De um lado, o ambiente geopolítico tende a elevar o custo de insumos, como fertilizantes. De outro, a valorização do real e a expectativa de uma safra forte tendem a pressionar os preços agrícolas.
O resultado dessa equação é uma compressão de margens para os produtores — que acaba chegando ao BB, seja por uma originação mais fraca, seja por uma piora na qualidade do crédito.
Por isso, a XP vê pouco espaço para uma melhora relevante nas provisões ao longo do ano, mesmo com uma carteira mais recente que conta com mais garantias reais e uma originação mais seletiva.
“Ainda que esse cenário já esteja refletido no guidance, o risco de deterioração adicional não é desprezível”, dizem os analistas da XP.
Os analistas também acenderam um alerta para outra frente de pressão na carteira do Banco do Brasil: o portfólio de pessoa física.
Mais especificamente, o crédito consignado — até então visto como um dos pilares de crescimento com menor risco — passou a mostrar sinais mais claros de deterioração.
Segundo a XP, a análise por produto mostra que o consignado tem sido a principal fonte de pressão na inadimplência inicial em PF, refletindo a maturação das carteiras mais recentes, sobretudo no consignado privado.
“Essa dinâmica é preocupante”, avaliam os analistas.
Entre os fatores por trás desse movimento estão mudanças de mix, um ambiente macro mais desafiador e até um possível efeito de contágio vindo do agronegócio, segundo a XP.
Diante de um cenário em que a visibilidade de recuperação segue baixa — e os riscos continuam inclinados para o lado negativo —, a XP optou por manter uma postura mais cautelosa.
A recomendação da corretora para as ações do BBAS3 segue neutra.
Para o JP Morgan, o balanço do 1T26 foi negativo, o que, combinado com a volatilidade eleitoral, pode não dar suporte à ação daqui para frente. Os analistas seguiram com recomendação neutra para o Banco do Brasil.
O Citi manteve observação de catalisador negativo em aberto para as ações BBAS3, com recomendação neutra.
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